A audiência do caso de Andrei Peroba, 20 anos na época do acidente, acontece amanhã em Salvador, trazendo à tona o episódio que chocou a cidade e mudou a vida do jovem para sempre. Andrei precisou ter o braço amputado após um acidente em um parque de diversões, instalado no Campo da Pronaica, no bairro Cajazeiras 10, em 15 de fevereiro de 2024.
Naquele dia, Andrei estava no parque com a irmã de 17 anos e a prima de nove, após sair do trabalho. Eles embarcaram no brinquedo estilo pêndulo chamado “Intoxx”, quando, de repente, o equipamento despencou e atingiu o chão. Andrei teve o braço esmagado e, segundo testemunhas, havia muito sangue no local. Ele foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e levado em estado grave ao Hospital Geral do Estado (HGE), onde precisou ficar internado e entubado. Sua irmã, Andreia, também se feriu, mas teve apenas lesões leves e foi liberada após atendimento no Hospital Eládio Lasserre.
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Parque de diversões, instalado no Campo da Pronaica, no bairro Cajazeiras 10
O laudo do Departamento de Polícia Técnica (DPT) da Bahia apontou que o acidente ocorreu devido à falta de manutenção do brinquedo. De acordo com o documento, o proprietário não realizou a revisão necessária e o fabricante não forneceu instruções adequadas para o uso seguro do equipamento. Após o episódio, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur) interditou o parque, que tinha alvará de funcionamento.
Impacto na vida de Andrei
Em entrevista exclusiva ao Portal A TARDE, em agosto de 2024, seis meses após o acidente, Andrei relatou as dificuldades diárias, o impacto que a perda do braço trouxe à sua rotina e a falta de assistência dos responsáveis.
“Nada. Nem um remédio, nada. Nem um fardo de arroz ou um pacote de macarrão para comer. Nem isso. Como o braço não volta mais, né? Já foi, não tem mais o que fazer. O mínimo que eu tenho é pedir justiça e que seja feita.”
“Até para dormir é difícil. Todo mundo tem dois braços, perder um dificulta muito, não tem como dormir direito. Até o que eu mais gostava de fazer, que era jogar bola, e tinha o sonho de ser jogador, eu não consigo mais.”

Andrei Peroba, 20 anos na época do acidente
Andrei busca reparação judicial
O advogado da família, Dr. Bruno Moura, explicou que o processo está sendo conduzido em duas frentes: criminal e civil.
“A gente está navegando nas duas áreas: tanto na esfera criminal, para que eles respondam pelos crimes cometidos, quanto na esfera civil também, para que eles estejam devidos à reparação ao André, no sentido da prótese, já que ele encontra-se sem braços, para que ele também possa receber um valor de indenização, para que ele não fique desamparado.”

Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur) interditou o parque
“Por hora, infelizmente, tanto o dono do parque quanto o dono do brinquedo e a empresa fabricadora do brinquedo estão tentando se esquivar das responsabilidades que o Poder Judiciário já entregou a ele através do nosso pedido, através do nosso processo. A gente ganhou a liminar acerca da prótese, mas, por incrível que pareça, eles recorreram, eles agravaram a decisão, ou seja, eles não querem cumprir a decisão.”
Processo civil segue sem cumprimento da liminar
Dr. Bruno também comentou que a Prefeitura de Salvador está incluída no processo civil, já que concedeu o alvará de funcionamento do parque e também foi intimada a fornecer a prótese mecânica a Andrei:
“Eu inclusive incluo também a prefeitura, porque a prefeitura também foi compelida, portanto obrigada, a arcar com essa prótese. Eles agravaram, a prefeitura também perdeu o agravo e, mesmo assim, continuou sem cumprir a liminar, que nada mais é do que entregar a prótese a Andrei, uma prótese mecânica para o seu braço, porque ele perdeu o braço.”
“Na esfera civil, é o dono do parque, a dona do brinquedo, a empresa que fabricou o brinquedo e a Prefeitura de Salvador, por ter dado alvará para o funcionamento do parque. Na esfera civil, nós pedimos liminar para eles darem a prótese a Andrei. O juiz já entendeu o pedido como correto e eles não estão cumprindo essa determinação judicial. Já na esfera criminal, quem está sendo processado, quem está respondendo ao processo criminal, é o dono do parque e a dona do brinquedo.”
Fonte: A Tarde



