Irecê recentemente teve decretado favorável a si situação de emergência por causa das chuvas –
O município de Irecê, no norte da Bahia, sofreu recentemente com os dois extremos do tempo — estiagem e excesso de chuvas — e chegou a declarar estado de emergência nas duas situações. No entanto, isso não tem sido impeditivo para que a gestão municipal venha investindo pesado em festas como o São João.
De acordo com dados do Painel de Transparência dos Festejos Juninos nos Municípios do Estado da Bahia, do Ministério Público (MP-BA), de 2022 até o ano passado, o aporte financeiro para a realização do evento, que dura pelo menos quatro dias na cidade, aumentou em 345%.
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Confira os valores investidos pelo Município de Irecê no São João, desde 2022:
- 2022: R$ 1.807.900
- 2023: R$ 3.075.000
- 2024: R$ 5.548.500
- 2025: R$ 8.060.000
Em 2025, do total investido, R$ 7.460.000 foram oriundos de recursos municipais. O restante, do governo do Estado — 26 atrações se apresentaram. Entre as cidades, foi a sexta que mais investiu, atrás de Cruz das Almas, Jequié, Conceição do Jacuípe, Serrinha e Santo Antônio de Jesus.
Atrações
Com relação às atrações dos festejos no ano passado, pelo menos dois nomes chamam atenção. Não pelos artistas, mas pelo quanto a Prefeitura pagou a eles para se apresentar: Simone Mendes e Alok.
A primeira se apresentou na cidade no dia 18 de junho de 2025 e, pelo show, recebeu um valor de R$ 800 mil. O DJ, por sua vez, se apresentou no dia 21 do mesmo mês e embolsou da prefeitura R$ 750 mil.
Os elevados valores pagos aos artistas não se encaixariam, por exemplo, no teto de gastos de R$ 700 mil que vem sendo proposto pela União dos Municípios da Bahia (UPB) para o pagamento dos cachês a algumas das principais atrações, evitando, assim, uma espécie de leilão para que a cidade tenha mais sucesso do que a outra na atração do artista.
E para este ano?
Se a tendência se mantiver, a expectativa é a de que o investimento seja superior aos dos últimos anos. Até o momento, a Prefeitura de Irecê anunciou apenas as datas oficiais do São João na cidade: de 19 a 24 de junho — seis dias.
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Decretos de emergência
No início do mês, o município fazia parte dos 28 no estado com decreto de emergência em vigor, devido aos danos causados por chuvas intensas.
A iniciativa permite que a gestão tome medidas rápidas, como contratação de serviços e compra de materiais sem licitação, para socorrer a população e reparar os danos causados pelos temporais.
Em fevereiro, no entanto, a situação vivida era a oposta, diante da forte estiagem que assolava a região.
Focos
Diante do cenário, logo a pergunta surge: por que os municípios que têm concedidos decretos de emergência ainda realizam festas, sendo que poderiam utilizar o dinheiro, justamente, para a reconstrução dos danos causados por chuvas ou secas prolongadas?
Desde o ano passado, o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), o Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM), o Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE) e a União dos Municípios da Bahia (UPB) assinaram uma nota técnica com a orientação aos municípios para realização dos festejos juninos.
Conforme o documento, os municípios com decreto de situação de emergência por conta da seca poderão realizar os festejos, desde que gozem de saúde financeira e atendam ao critério da razoabilidade na contratação das atrações, preservando a cultura e a tradição do interior.
“A tradição justifica a realização do evento, mas a gente não pode colocar em risco a saúde financeira do município, nem deixar serviços essenciais, obras essenciais de serem realizadas para realizar uma festa com dimensões colossais”, afirmou à época o procurador-geral de Justiça, Pedro Maia.
O que diz a Prefeitura de Irecê?
Procurada pelo portal A TARDE, a Prefeitura de Irecê se manifestou sobre a realização do São João em meio ao decreto de situação de emergência por meio de nota.
Nela, o município afirma que a festa desempenha um papel estratégico no desenvolvimento econômico local, impulsionando diversos setores.
“A realização da festa aquece o comércio meses antes e mantém esse impacto positivo mesmo após o período junino […] Dados já demonstram que o mês de junho, junto com o período de Natal, está entre os momentos de maior movimentação econômica em Irecê. Ou seja, retirar o São João significaria comprometer seriamente essa dinâmica, com reflexos negativos ao longo de todo o ano”, diz um trecho da nota.
Fonte: A Tarde



