terça-feira, março 10, 2026
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Investigação aponta que EUA teriam arma de micro-ondas para causar danos cerebrais

Uma investigação conduzida ao longo de nove anos pelo programa 60 Minutes, da emissora americana CBS, trouxe à tona novas informações sobre episódios misteriosos que teriam afetado agentes e diplomatas dos Estados Unidos. A reportagem, divulgada nesta semana, aponta que uma tecnologia capaz de provocar danos cerebrais por meio de micro-ondas teria sido descoberta e até adquirida pelo país.

De acordo com a apuração, desde pelo menos 2016 funcionários ligados ao governo norte-americano, entre eles diplomatas, militares e integrantes da inteligência, passaram a relatar sintomas graves após serem atingidos por uma força invisível. As vítimas descreveram prejuízos na visão, audição, equilíbrio e capacidade cognitiva. Episódios semelhantes também teriam sido registrados em locais sensíveis, como a sede da Central Intelligence Agency, na Virgínia, e até nos jardins da Casa Branca.

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Entre os casos citados pela reportagem está o de um tenente-coronel aposentado identificado apenas como Chris. Ele trabalhou com satélites espiões considerados altamente secretos e afirma ter sido atingido diversas vezes mesmo vivendo nas proximidades de Washington. Segundo o militar, foram cinco episódios em um intervalo de cinco meses.

“O primeiro incidente ocorreu em agosto de 2020. A sensação foi como se alguém tivesse me dado um soco na garganta e meu ouvido esquerdo estivesse entupido. Comecei a sentir dores agudas e lancinantes que desciam pelo meu braço esquerdo”, relatou.

Nos episódios seguintes, Chris disse que os sintomas surgiram quando ele estava dentro da própria casa. Ele descreveu a sensação de pressão intensa na cabeça, acompanhada de desorientação e tontura imediata. Também relatou contrações musculares dolorosas ao longo da coluna.

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“O quinto foi de longe o pior. Acordei com uma convulsão em todo o corpo, a pior dor que já senti. Parecia que um torno estava apertando meu tronco cerebral”, denunciou.

Situações semelhantes passaram a ser associadas ao fenômeno que ficou conhecido como Síndrome de Havana. O nome surgiu porque os primeiros registros ocorreram em Havana, capital de Cuba, envolvendo funcionários do governo norte-americano que atuavam na cidade.

A reportagem reuniu ainda depoimentos de outras pessoas ligadas à inteligência dos Estados Unidos que disseram ter passado por episódios repentinos e intensos. Em vários casos, os sintomas resultaram em sequelas permanentes.

“Senti como se tivesse entrado pela janela, direto na minha orelha esquerda. Imediatamente senti uma sensação de plenitude na cabeça e uma dor de cabeça lancinante”, afirmou outra vítima.

O governo dos Estados Unidos reconhece que parte desses funcionários sofreu ferimentos e, em muitos casos, custeia tratamento médico. No entanto, por anos as autoridades questionaram a origem dos sintomas. Algumas vítimas receberam explicações alternativas, que incluíam possíveis causas ambientais ou atmosféricas, vírus, condições de saúde preexistentes ou até a hipótese de histeria coletiva mencionada em uma investigação inicial do Federal Bureau of Investigation.



Fonte: A Tarde

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