domingo, fevereiro 15, 2026
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Ilê Aiyê une beleza e resistência com desfile sobre povos afro-indígenas

Conhecido como ‘OMais Belo dos Belos‘ do Carnaval de Salvador, o Ilê Aiyê, principal bloco afro da folia momesca, deixou as ruas do Curuzu por volta das 22h deste sábado, 14, levando para a avenida o tema ‘Turbantes e Cocares: a história de resistência do povo afro e indígena de Maricá’.

O desfile também simboliza uma marca histórica para o Ilê: o bloco completa 52 anos de fundação este ano, e escolheu a união entre a Bahia e do Rio de Janeiro, assim como a força dos povos afroindígenas, para tomar as ruas da capital baiana. O cortejo, que saiu do Ilê Asé Jitolu, na Ladeira do Curuzu, contou com a presença de autoridades, que se misturaram em meio aos moradores da comunidade e aos turistas curiosos.

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Carol Xavier, deusa do ébano do Ilê | Foto: Uendel Galter | AG. A TARDE

Resistência

Presente no cortejo, a secretária estadual de Educação da Bahia, Rowenna Brito, falou ao Portal A TARDE sobre a importância do bloco afro como ferramenta de resistência e luta dos povos pretos.

O Ilê é mais do que um bloco de carnaval, é resistência, é história, é a força de um povo reafirmando sua história, sua identidade

Rowenna Brito, secretária estadual de Educação

Rowenna Brito destacou ainda a atuação da SEC nas iniciativas de promoção da igualdade racial na Bahia.

“Todos os anos a gente está aqui acompanhando o governo do Estado, inclusive com ações importantes articuladas com o Ilê. A gente lá na Secretaria de Educação, com a educação antirracista, com debates importantes, com formação de professores. Então, para a gente é muito importante”, destacou a secretária.

Imagem ilustrativa da imagem Ilê Aiyê une beleza e resistência com desfile sobre povos afro-indígenas

| Foto: Uendel Galter | AG. A TARDE

Na mesma linha, o coordenador do Carnaval do Estado, Geraldo Júnior (MDB), ressaltou o papel do Ilê como pilar da resistência do povo preto e da cultura afro, colocando o bloco como protagonista no movimento de difusão da política cidadania.

“Aqui tem um simbolismo muito especial, aqui no Curuzu, no Barro Preto, aqui é um exemplo de cultura, aqui é um exemplo de resistência, aqui é um exemplo da cultura, da paz e da política da cidadania”, afirmou o coordenador, também vice-governador da Bahia.

Patrimônio do mundo

Segundo colocado na disputa pela prefeitura de Salvador em 2024, Kleber Rosa esteve presente na saída do cortejo, e falou, em entrevista ao Portal A TARDE, sobre “mais belo dos belos”. Segundo o político, o Ilê se destaca como um “patrimônio do mundo”, tendo sua história confundida com as ‘batalhas’ de afirmação da população negra, derrotando o que ele considera o “mito da democracia racial”.

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“O Ilê, ele é um patrimônio do mundo, do mundo negro. A história do Ilê se confunde com a nossa história recente de luta que derrotou o mito da democracia racial, que fez com que o Brasil reconhecesse a sua condição de um país racista, que nos deu as condições de lutar por cotas, por reparação, de discutir que há um genocídio contra a população negra e, sobretudo, resgatou a nossa autoestima, fortaleceu a nossa identidade”, defendeu Kleber.

Cultura, reparação e fomento

O secretário estadual de Cultura, Bruno Monteiro, que chegou ao ponto de partida pouco antes do cortejo, exaltou os mais de 50 anos do Ilê Aiyê, citando também a força do tradicional sábado de Carnaval de Salvador.

Durante sua fala, Bruno Monteiro também falou sobre a força e resistência do bloco, além reforçar a atuação do governo do Estado nas políticas de fomento por meio do programa ‘Ouro Negro’ para as instituições voltadas para as celebrações de festas populares pretas e originárias em toda a Bahia.

“O sábado de Carnaval na Bahia é um dia muito especial, que é o dia de uma tradição de mais de 50 anos, que é a saída do Ileaiê aqui da liberdade, do Curuzu, o mais belo dos belos, com toda a sua potência, com toda a sua história, sua força, sua resistência, e nós do governo da Bahia temos a honra, a satisfação de valorizarmos essa tradição por meio do Ouro Negro e por meio de uma série de políticas públicas de apoio, de diálogo permanente com o Ilê e com os blocos da Bahia”, pontuou o secretário.

Também presente na saída do bloco, a secretária de Promoção da Igualdade Racial, Ângela Guimarães, citou os feitos da gestão estadual com políticas de reparação racial e social.

Foram quase 400 anos de escravidão, quase 140 de pós-abolição, e apenas nos últimos 20 anos que a gente teve, de fato, o início da implementação de políticas de promoção da igualdade racial

Ângela Guimarães, secretária estadual de Promoção da Igualdade Racial

Ângela frisou que a desigualdade racial é fruto de séculos sem qualquer iniciativa para repara os danos deixados por episódios da história do país, a exemplo da escravização dos povos negros.

“É um governo que dialoga muito com a sociedade, a gente acabou de fazer em 2025 a 4ª Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial, renovando esse diálogo, essa troca, essa prestação de contas, mas também de escuta de novas ações, de novas demandas da sociedade, e sem dúvida a gente tem buscado trabalhar os principais pontos demandados pela sociedade numa agenda de reparação”, afirmou Ângela.

Ilê Aiyê

O desfile seguiu para o seu segundo ponto de concentração, no Corredor da Vitória, saindo na madrugada deste domingo pelo Circuito Osmar, no Campo Grande.

O Ilê também desfila pelo mesmo circuito na segunda-feira, 16, e na terça, 17.



Fonte:
A Tarde

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