O anúncio de R$ 6 bilhões em novos investimentos do Grupo Potencial, para expansão do complexo industrial na cidade da Lapa, localizada na Região Metropolitana de Curitiba, ocorre em um momento estratégico para o setor energético. Em meio a conflitos internacionais e instabilidade no mercado de petróleo, cresce a preocupação com o preço e até com o abastecimento de diesel no Brasil — cenário que coloca os biocombustíveis no centro do debate.
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A empresa paranaense vê esse contexto como uma necessidade para acelerar a ampliação da produção e consolidar um modelo integrado de agroenergia. Para o vice-presidente da Potencial, Carlos Eduardo Hammerschmidt, o momento reforça o papel imediato do setor.
“O biodiesel é a solução do presente, não é mais solução do futuro”, afirmou, ao destacar que algumas regiões do país já enfrentam risco de desabastecimento.
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Dependência externa pressiona o setor
Dados do setor indicam que o Brasil ainda depende majoritariamente da importação de diesel fóssil, o que amplia a exposição a oscilações internacionais e pressiona custos logísticos e produtivos. Em períodos de crise, como agora, essa dependência impacta diretamente o agronegócio, o transporte e, por consequência, a economia como um todo.
Ao mesmo tempo, especialistas apontam que o país possui capacidade instalada para ampliar a produção de biodiesel, mas parte desse potencial ainda não é plenamente utilizada. O avanço da mistura obrigatória ao diesel é visto como um dos caminhos para reduzir essa vulnerabilidade e dar mais previsibilidade ao abastecimento.
Nesse contexto, o investimento do Grupo Potencial se insere em uma estratégia mais ampla de fortalecimento da matriz energética nacional, com base em fontes renováveis e produção interna.
Grupo Potencial amplia produção e verticaliza cadeia
O novo ciclo de investimentos tem como eixo a verticalização da cadeia produtiva, com integração entre processamento de grãos e geração de energia. A estratégia busca reduzir custos, garantir abastecimento e aumentar a competitividade da operação.
“Estamos consolidando um modelo industrial totalmente integrado, que começa no campo e termina na geração de energia limpa”, afirmou Hammerschmidt. Segundo ele, a verticalização é fundamental em um mercado competitivo, especialmente porque a maior parte do biodiesel depende de óleo vegetal.
Entre os principais projetos estão a nova esmagadora de soja, a ampliação da produção de biodiesel e a expansão da capacidade de refino de glicerina. A esmagadora, considerada uma das maiores do Paraná, deve processar 1,2 milhão de toneladas de soja por ano em fase inicial, com possibilidade de expansão.
Presidente do grupo, Arnoldo Hammerschmidt destacou o caráter estratégico do investimento para o futuro da empresa e da região. “Quando o agronegócio, a indústria, a energia renovável e o compromisso social caminham juntos, não estamos apenas construindo empresas, estamos construindo o futuro”, afirmou.
Além disso, o grupo avança em soluções de economia circular, com reaproveitamento de resíduos industriais e produção de insumos que retornam ao próprio processo produtivo, ampliando a eficiência e reduzindo impactos ambientais.
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Brasil ainda depende majoritariamente de diesel importado; crise pressiona agro e logística
O investimento também dialoga com uma discussão mais ampla sobre segurança energética. Mesmo sendo um dos maiores produtores agrícolas do mundo, o Brasil ainda enfrenta gargalos na oferta de combustíveis, especialmente em regiões mais afastadas dos grandes centros.
Para o vice-governador do Paraná, Darci Piana (PSD), o projeto simboliza um modelo de desenvolvimento baseado em parceria entre poder público e iniciativa privada. “Quando governo e empresário trabalham juntos, o resultado é desenvolvimento, emprego e crescimento para o estado”, afirmou durante o evento.
A ampliação do uso de biodiesel é vista como uma alternativa para reduzir a dependência externa e dar mais previsibilidade ao abastecimento. Nesse contexto, a expansão na Lapa também deve ter efeitos diretos na economia regional, com geração de empregos e aumento da demanda por grãos.
Quando totalmente concluído, o complexo poderá absorver uma parcela relevante da produção agrícola do Paraná, além de impulsionar a logística local. A operação prevê aumento no fluxo de caminhões e investimentos em infraestrutura, incluindo dutos para transporte de gás e combustíveis.
Biocombustíveis são projeto de Estado ligado à soberania energética, afirma executivo
Ao apostar na integração entre agroindústria e energia, o Grupo Potencial busca se posicionar em um mercado global em transformação. Com a pressão por descarbonização e a necessidade de diversificação das matrizes energéticas, o Brasil aparece como um dos poucos países com condições de expandir rapidamente a produção de energia renovável em larga escala.
Nesse cenário, a expansão na Lapa sinaliza não apenas um movimento empresarial como uma resposta a um desafio estrutural: propiciar energia, competitividade e estabilidade em um ambiente cada vez mais influenciado por fatores externos. Para Carlos Eduardo Hammerschmidt, o avanço dos biocombustíveis no país é inevitável.
“Os biocombustíveis são um projeto de Estado, ligado à soberania da nossa matriz energética. Não se trata apenas de investir em uma indústria, mas de garantir o futuro energético do Brasil”, defendeu.
Fonte: Gazeta do Povo



