A Liwe Española, responsável pela rede de moda Inside, vive um dos processos de reestruturação mais simbólicos do varejo europeu recente. Em 2025, a companhia passou a enfrentar uma combinação de queda nas vendas físicas, pressão por preços mais baixos e concorrência intensa do e-commerce e da fast fashion global.
O resultado é um movimento acelerado de cortes, negociações com bancos e uma corrida contra o tempo para provar que ainda pode disputar espaço em um mercado cada vez mais competitivo.
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91 lojas encerradas em poucos meses
O plano de reestruturação inclui uma ampla reorganização da rede Inside em diferentes países. Em um curto intervalo de tempo, 91 lojas foram fechadas — um número que revela o tamanho da dificuldade financeira enfrentada pela empresa.
A estratégia tem sido encerrar unidades consideradas pouco rentáveis, tanto em ruas comerciais tradicionais quanto em shoppings e grandes centros. Em paralelo, a companhia concentra esforços nas lojas com maior fluxo de consumidores, melhores margens e possibilidade de integração com as vendas online.
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Menos lojas, modelo mais enxuto
Com o fechamento de unidades na Espanha, Itália e Portugal, a Inside abandona a lógica de ampla presença territorial para apostar em pontos considerados estratégicos. A retração das vendas presenciais, somada ao avanço do comércio eletrônico, exige uma operação mais flexível e orientada por dados.
O plano de recuperação se sustenta em três pilares principais:
- Redução da rede física, com encerramento de lojas deficitárias e renegociação de contratos de aluguel.
- Fortalecimento do canal digital, ampliando as vendas online e integrando estoques das lojas remanescentes.
- Ajustes logísticos, com foco na diminuição de prazos e custos ao longo da cadeia de distribuição.
A proposta é alinhar os ambientes físico e digital enquanto a empresa reduz despesas estruturais.
Negociação com credores e pressão por resultados
Além do corte de unidades, a Liwe Española tenta convencer credores de que o novo modelo pode gerar caixa suficiente para equilibrar o peso das dívidas. A companhia argumenta que um alívio imediato pode ser compensado por uma recuperação gradual, desde que a execução do plano seja bem-sucedida.
A aprovação definitiva do projeto é vista como etapa decisiva para garantir fôlego financeiro nos próximos meses.
Impacto no varejo e incerteza sobre o futuro
O fechamento de dezenas de lojas Inside não afeta apenas a empresa. Empregos, concorrência local e a oferta de moda a preços acessíveis em cidades médias também entram em jogo. Em vários mercados, a marca ocupava um espaço intermediário entre grandes redes internacionais de fast fashion e pequenos comércios independentes.
O caso reforça um alerta para o setor: empresas que demoram a reagir às mudanças no comportamento do consumidor e ao crescimento do e-commerce podem enfrentar reestruturações profundas.
Meses decisivos para a sobrevivência da marca
O futuro da Inside depende agora da aprovação do plano, da execução rigorosa dos cortes e de investimentos certeiros em tecnologia e experiência omnicanal. Se o reposicionamento funcionar, a crise pode se transformar em oportunidade de ganho de eficiência.
Para clientes, funcionários, fornecedores e credores, o momento é de atenção redobrada. As decisões tomadas agora podem definir se a Inside manterá relevância no varejo europeu ou se passará a operar com presença física reduzida e foco cada vez maior no digital.
Fonte: A Tarde



