A Federação Única dos Petroleiros (FUP) apontou que alta recente no valor do diesel no Brasil é fruto de “distorções estruturais” no mercado de combustíveis, mesmo após as medidas adotadas pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na última semana, zerando os tributos federais.
Segundo a diretora da FUP, Cibele Vieira, o cenário atual, com o aumento em 2,5% do preço médio da gasolina, e com variação de 11,8% do óleo diesel S500, é consequência da falta de controle público sobre a cadeia de combustíveis e da dependência externa.
Tudo sobre Política em primeira mão!
Leia Também:
“A Petrobrás pode equilibrar preços na refinaria, mas não controla o que acontece depois. Sem distribuição pública e com parte do diesel sendo importado, abre-se espaço para aumentos abusivos ao longo da cadeia”, afirmou Cibele, que também apontou ainda o agravamento do problema com estratégias adotadas pelos governos anteriores, a exemplo do Preço de Paridade Internacional (PPI).
Levantamentos realizados pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), com base em dados da ANP, entre 5 de janeiro e 9 de março de 2026, evidenciam o impacto dos diferentes modelos de precificação no mercado brasileiro de combustíveis.
Enquanto o diesel da Petrobrás permaneceu estável em R$ 3,30 durante todo o período, o preço baseado no PPI saltou de R$ 3,19 para R$ 5,32. Já as refinarias privatizadas acompanharam a disparada: a Acelen (Bahia) passou de R$ 3,31 para R$ 5,02 e a Ream (Amazonas) de R$ 3,70 para R$ 5,70.
O que pensa a FUP?
Deyvid Bacelar, coordenador-geral da FUP, afirmou que os dados citados acima apontam o risco da privatização do setor energético.
“Esse levantamento mostra, de forma concreta, o que está em jogo quando se abre mão do controle público de áreas estratégicas como a energia. Enquanto a Petrobrás busca proteger o país das oscilações internacionais, empresas privadas repassam imediatamente qualquer alta ao consumidor, visando ampliar margens de lucro. É a prova de que a soberania energética impacta diretamente no bolso da população e na estabilidade da economia”, destacou Deyvid Bacelar.
Bacelar alertou ainda para os efeitos em cadeia do aumento do diesel sobre a economia. “Quando o diesel sobe, não é só o combustível que encarece, mas também o transporte, os alimentos, a inflação. O aumento se espalha por toda a economia”.
Deyvid Bacelar, coordenador-geral da FUP
Os dados evidenciam que, mesmo com a mudança na política de preços da Petrobrás, os valores finais seguem pressionados por agentes privados ao longo da cadeia.
Segundo o dirigente da FUP, isso ocorre porque o Brasil ainda importa entre 20% e 25% do diesel consumido, devido à falta de investimentos no refino e à venda de refinarias nos últimos anos. Além disso, a privatização da BR Distribuidora – hoje controlada pela Vibra Energia – retirou da Petrobrás a capacidade de atuar diretamente na distribuição.
Fonte: A Tarde



