Operação Diamante de Sangue bloqueia contas e apreende veículos de luxo –
Uma organização criminosa com atuação em diversos estados do país, especializada em furtos qualificados a joalherias, estelionatos e tráfico de drogas, foi alvo de uma grande ofensiva da Polícia Civil da Bahia nesta quarta-feira, 1º, durante a Operação Diamante de Sangue.
Durante a ação, foram presos dez suspeitos em seis municípios:
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- Salvador;
- Aracaju;
- São Paulo;
- Goiânia;
- Fortaleza;
- Rio de Janeiro.
Durante a coletiva de imprensa realizada pela Polícia Civil nesta quarta-feira, 1, o portal A TARDE falou com o Delegado do Deic (Departamento Especializado de Investigações Criminais), Thomas Galdino, que revelou detalhes da operação.
Delegado do Deic (Departamento Especializado de Investigações Criminais), Thomas Galdino
Como funcionava o esquema
De acordo com as investigações, a organização criminosa atuava de forma estratégica e com alto grau de sofisticação. Nos furtos a joalherias, os criminosos realizavam levantamentos prévios dos estabelecimentos e invadiam os locais pelo teto, utilizando equipamentos capazes de neutralizar sistemas de alarme.
Além disso, o grupo diversificava as atividades criminosas. Entre os golpes aplicados está o chamado “golpe do aniversário”, que tinha como alvo principalmente pessoas idosas nos estados do Ceará e da Paraíba. As vítimas eram abordadas sob o pretexto de receber presentes e, durante a ação, tinham seus dados bancários capturados por dispositivos eletrônicos.
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Os valores obtidos eram posteriormente pulverizados em contas de terceiros, dificultando o rastreamento e caracterizando um esquema de lavagem de dinheiro.
Asfixia financeira e apreensões milionárias
Um dos principais focos da operação foi atingir o patrimônio da organização, estratégia conhecida como asfixia financeira.
Durante a ação, foram apreendidos veículos de luxo, além de dinheiro em espécie, celulares e documentos. Também foram sequestrados bens de alto valor, incluindo uma aeronave avaliada em cerca de R$ 800 mil, localizada em uma pista clandestina e suspeita de ser utilizada no transporte de drogas, e uma moto aquática estimada em R$ 300 mil.
Segundo o diretor do Departamento Especializado de Investigações Criminais (DEIC), delegado Thomas Galdino, o impacto vai além das prisões.
“Afirmar que ela não continuará agindo, a gente não tem como, mas aqueles que foram identificados foram devidamente presos. Também atuamos nessa parte da asfixia financeira, que é a apreensão desses veículos de luxo e também o bloqueio desses valores que eles possuíam nas contas. Então, assim, com certeza representa um baque ao crime organizado, representa uma repressão qualificada a esse crime organizado, mais especificamente a essa organização criminosa.”
Apreensão de veículos de luxo
De acordo com o delegado, durante a operação, foram apreendidos vários veículos de luxo, como:
- Uma aeronave, avaliada em R$ 800 mil;
- Uma moto aquática, avaliada em R$ 300 mil;
- Veículos de luxo, entre eles uma Toyota SW4 e uma Volkswagen Amarok.
Além dos veículos, também foram apreendidos, jóias, aproximadamente 10 mil reais, aparelhos celulares, documentos, conforme aponta o delegado.
Bloqueio de contas
Ao portal A TARDE, o delegado afirmou que “55 contas foram bloqueadas, totalizando um montante de R$ 13.600.000 de movimentação ilícita desses criminosos”.
Atuação em vários estados e novas fases
As investigações apontam que o grupo tinha atuação interestadual e estrutura organizada, com integrantes responsáveis por funções específicas, desde a execução dos furtos até a movimentação financeira ilícita.
“Óbvio que nós não descartamos a participação de outros indivíduos, nós também apreendemos diversos dispositivos eletrônicos que serão analisados e, posteriormente, em se comprovando a prática de algum evento criminoso ou a identificação de algum criminoso, nós iremos estar deflagrando mais fases dessa operação. A organização criminosa atuava em vários estados, tanto que hoje a operação se deu em oito estados do país. “
Em Salvador, dois dos investigados foram presos nos bairros de Valéria e Cajazeiras. Eles são apontados como responsáveis diretos pela execução dos furtos.
“Então, esses dois indivíduos foram capturados no bairro de Valéria, em Cajazeiras também, o outro. Eles atuavam como a parte operacional da organização criminosa, que era efetuar aquele furto qualificado dentro de joalherias. Então, eles, assim como os outros, possuíam participação ativa dentro da organização criminosa, cada um devidamente na sua atividade.”
Investigação começou com furto em Salvador
O ponto de partida da investigação foi justamente o crime ocorrido na capital baiana, que revelou a dimensão da atuação do grupo.
“Esse furto qualificado que ocorreu em uma joalheria aqui na capital baiana foi o que desencadeou essa investigação que resultou na deflagração da Operação Diamante de Sangue. Esse grupo criminoso atuava não só aqui na capital baiana, como também em outros estados, em outras capitais da federação, mas especificamente esse evento criminoso foi o que ocasionou a investigação. Foi deflagrada a investigação por parte da Polícia Civil e, após um trabalho investigativo muito bem desenvolvido pela Coordenação de Operações, pela Agência de Inteligência, pela Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos, foi possível a deflagração dessa operação.”
Próximos passos
A Polícia Civil segue analisando o material apreendido e não descarta novas fases da operação, com a identificação de outros envolvidos e ampliação das responsabilizações.
“As investigações continuam, nós iremos analisar todo aquele material apreendido e, como já dito, em ocorrendo algum evento criminoso, iremos possivelmente deflagrar mais fases dessa operação. [Moto aquática e a aeronave] foram apreendidas mediante decisão judicial, o que ocasiona a possibilidade da alienação antecipada e esse recurso ter um retorno direto às forças de segurança aqui do estado da Bahia.”
Fonte: A Tarde



