A Chapada Diamantina é a maior e mais diversa chapada do Brasil, abrangendo uma vasta área de mais de 40 mil km² em extensão territorial, em número de municípios (+24) e em diversidade de atrações, superando outras chapadas famosas como Veadeiros, Guimarães e Mesas.
O Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD), foi criado em 1985 pelo Decreto nº 91.655, protegendo 152.000 hectares dessa área, tem a função de proteger os ecossistemas da Serra do Sincorá e garantir a preservação de suas nascentes, uma área estratégica para a conservação da avifauna regional e ponto de descanso para aves migratórias.
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Em diversas ocasiões ao longo de sua história geológica, datando de mais de 1 bilhão de anos atrás, resultando na formação de rochas sedimentares como arenitos, quartzitos e calcários, visíveis hoje nas serras e cachoeiras; a região também passou por ciclos de imersão (mar). Evidências geológicas como marcas de ondas e fósseis marinhos indicam que a área passou por transgressões marinhas. Nesta região brota o rio Paraguaçu que abastece regiões e cidades inteiras, inclusive Salvador e, além de manter viva a rica herança histórica e cultural, flui por aproximadamente 600 km, desaguando na Baía de Todos os Santos.
Na Chapada, a economia apresenta um crescimento robusto, consolidando-se através de um modelo misto baseado no turismo ecológico/cultural e no agronegócio de alto valor, destacando-se pela produção de morango, café e batata, enquanto o turismo, impulsionado pela sua história mineradora e pelo patrimônio cultural, estimula a infraestrutura e a geração de empregos atraindo investimentos em áreas como Seabra e Mucugê.
Abrigando cerca de 400 espécies de aves, a Chapada é um santuário biológico onde espécies de três biomas (Catinga, Mata Atlântica e Cerrado) coexistem atraindo interesses nacionais e internacionais. Operadores do Reino Unido e Estados Unidos participaram de roteiros focados exclusivamente em birdwatching (observação de pássaros), posicionando a região na 1ª edição do “Catálogo de Experiências do Turismo de Observação de Aves no Brasil”, publicado pelo Ministério do Turismo em dezembro de 2025.
O Agropolo Mucugê-Ibicoara, localizado no coração da Chapada, representa a face produtiva que sustenta o Nordeste e não é apenas uma zona agrícola, mas um laboratório vivo de produção em escala coexistindo com a preservação. Fazendas como a Progresso, que utiliza técnicas de cultivo sob árvores nativas ou com cobertura de solo orgânica, mantendo corredores ecológicos permitindo o avistamento de aves.
Acompanhados pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) provendo capacitação e assistência técnica, as rotas que unem o turismo sensorial (frutas vermelhas e cafés especiais) à observação de fauna, criam produtos turísticos locais que, antes de serem apresentados a visitantes, estão sendo apropriados e entendidos por professores e alunos locais, gerando noções de pertencimentos.
Reunindo atores nacionais e internacionais, como a National Geographic, focados em inovação na educação, a Associação Cultural Brasil Estados Unidos (Acbeu), associação civil sem fins lucrativos, fundada por rotarianos em 1941 com o objetivo de difusão cultural, inclusive através da língua inglesa, vem apoiando escolas municipais da Chapada na integração e preservação dos valores locais, incitando o desenvolvimento local sustentável, iniciando pelo município de Mucugê.
Entendendo que para ser global qualquer ação precisa antes ser local, a inteligência artificial (IA) entra nas escolas públicas e privadas, estimulando o domínio de línguas estrangeiras e permitindo que alunos, professores e guias locais, antes de atuarem como educandos e educadores, aprendam e entendam a importância e o valor dos seus próprios recursos naturais e a necessidade da preservação deste patrimônio coletivo, único no planeta. O global nada mais é do que um mosaico das realidades dos municípios, aonde, de fato, a vida acontece.
Eduardo Athayde é diretor do WWI no Brasil. [email protected]
Fonte: A Tarde



