LISBOA, PORTUGAL (FOLHAPRESS) – As redes sociais dos torcedores de Real Madrid e Manchester City lamentaram o sorteio das oitavas de final da Champions League. Os demais fãs de futebol celebraram. Pela sexta vez em sete anos, os dois clubes mais ricos do futebol atual irão se enfrentar num mata-mata do torneio de clubes mais importante do mundo, naquele que vem sendo considerado o “clássico dos clássicos” a nível planetário. A partida de ida, em Madri, será nesta quarta-feira (11), às 17h (de Brasília).
No ranking da consultoria Deloitte, que mede o faturamento das maiores potências clubísticas, Real e City alternaram-se no primeiro lugar entre 2021 e 2024. Em 2025, o City caiu para o sexto lugar, depois de uma eliminação precoce na Champions justamente contra o time espanhol.
Pelo segundo ano consecutivo, o clube de Madri ultrapassou um bilhão de euros em faturamento (cerca de R$ 6 bilhões), o triplo do Flamengo, a agremiação mais rica do Brasil. O Real Madrid é o maior vencedor da Champions League, com 15 títulos conquistados. Seis dessas vitórias se deram nos últimos 12 anos.
O Manchester City, por sua vez, estabeleceu-se como força dominante no mais rico e importante campeonato nacional do mundo, a Premier League. Foram seis títulos nas últimas oito edições. Na temporada atual, o City disputa o troféu ponto a ponto com o Arsenal. Neste momento está atrás na tabela, mas tem um jogo a menos, e o confronto direto entre ambos será na casa do City.
A partida desta quarta opõe filosofias futebolísticas distintas. O City é comandado por um técnico autoral, o espanhol Pep Guardiola, há dez anos no clube, que coreografa milimetricamente as jogadas de ataque e de defesa. O Real Madrid aposta na improvisação e no talento individual de craques como Vinicius Junior e Mbappé -que é dúvida para o jogo, alternando técnicos que atuam como gestores de egos. A aposta da vez é Álvaro Arbeloa, ex-comandante das categorias de base do clube.
O confronto entre Real e City representa também uma passagem de bastão na economia do esporte. O Real é o pioneiro dos clubes multiculturais e globalizados dos tempos atuais. Sob a presidência de Santiago Bernabéu, nos anos 1950, o time trouxe astros internacionais como o húngaro Ferenc Puskas, o argentino Alfredo Di Stefano e o brasileiro Didi. Bernabéu foi também um dos criadores do torneio continental que deu origem à Champions.
Meio século mais tarde, o Manchester City inaugurou uma nova era na trilha do futebol globalizado. Adquirido em 2008 por um fundo dos Emirados Árabes Unidos, o clube -que era uma potência média no futebol inglês- se tornou uma máquina de títulos e uma franquia internacional. Clubes como o New York City, o Girona, da Espanha, e o Bahia, do Brasil fazem parte do grupo City. A estratégia é globalizar a marca ao mesmo tempo que os satélites revelam talentos para a nave-mãe.
Real e City são também as mais perfeitas traduções do fenômeno identificado por Simon Kuper e Stefan Szymanski no livro “Soccernomics”. Baseados em evidências, os dois autores, especialistas em economia do esporte, mostram como a capacidade de gerar receitas astronômicas e pagar salários altíssimos aos jogadores vem gerando desequilíbrio no futebol mundial.
Já há alguns anos o ranking da Deloitte vem consolidando um “top 10” que representa a hiperelite do futebol. Seis dos clubes de maior faturamento no mundo são ingleses, o que consolida a Premier League como o campeonato nacional mais interessante do mundo -e dá a exata dimensão da façanha do City, hegemônico numa disputa hipercompetitiva.
Real Madrid e Barcelona também aparecem todos os anos no “top 10”, o que transformou a La Liga num campeonato restrito a duas superpotências.
Completam o “top 10” o Bayern de Munique e o Paris Saint-Germain. A disparidade entre esses dois clubes e todos os outros em seus respectivos países acabou com a graça dos campeonatos alemão e francês. O Bayern venceu 12 das 13 últimas edições da Bundesliga, enquanto o PSG se sagrou campeão em oito das últimas dez disputas da Ligue 1.
Nesse cenário hiperconcentrado, a Champions se tornou o único lugar onde todos os grandes se encontram. Neste ano, nove dos “top 10” estão na fase de mata-mata, o que gera a expectativa de vários confrontos diretos. O vencedor do “clássico dos clássicos” entre Real Madrid e Manchester City emergirá como um favorito natural na disputa. Nada, no entanto, está garantido. Outros gigantes estão à espreita no caminho até a final prevista para o dia 30 de maio em Budapeste.
CONFRONTOS ENTRE REAL E CITY EM MATA-MATAS NA CHAMPIONS
2019-20 – Oitavas de final
Real Madrid 1×2 Manchester City
Manchester City 2×1 Real Madrid
Manchester City classificado
2021-2022 – Semifinal
Manchester City 4×3 Real Madrid
Real Madrid 3×1 Manchester City
Real Madrid classificado
2022-2023 – Semifinal
Real Madrid 1×1 Manchester City
Manchester City 4×0 Real Madrid
Manchester City classificado
2023-2024 – Quartas de final
Real Madrid 3×3 Manchester City
Manchester City 1×1 Real Madrid
Real Madrid classificado na decisão por pênaltis
2024-2025 – Playoff eliminatório
Manchester City 2×3 Real Madrid
Real Madrid 3×1 Manchester City
*Real Madrid classificado
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Fonte: Noticias ao Minuto



