Mãe afirma que filhos tiveram mudança brusca de comportamento –
Uma mãe denunciou à polícia uma babá suspeita de administrar medicamento de uso controlado a duas crianças, no Matatu de Brotas, em Salvador. O caso está sendo investigado pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Contra a Criança e o Adolescente (Dercca).
Segundo as informações preliminares, as vítimas são irmãos, um menino de 4 anos e uma bebê de 4 meses. A suspeita é de que ambos teriam ingerido Clonazepam, medicamento indicado para tratamento de ansiedade e que exige prescrição médica.
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De acordo com o relato da mãe, a situação começou a levantar suspeitas após uma mudança repentina no comportamento das crianças. Elas passaram a apresentar sonolência excessiva e irritabilidade fora do padrão habitual. O quadro mais preocupante foi observado no filho mais velho, que apresentava dificuldades na fala e nos movimentos, enquanto a bebê demonstrava falta de reação.
Em entrevista exclusiva ao Portal A TARDE, a mãe das crianças, Hanna Tayme, contou que a babá já cuidava do filho mais velho há anos e era considerada uma pessoa de confiança.
“Ela sempre olhou as crianças, na verdade, o de 4 anos. Ela sempre olhou ele desde pequenininho. Ela era até uma pessoa de confiança, eu deixava ele na casa dela.”
Ela relatou que percebeu algo diferente logo após o fim da licença-maternidade, quando retomou a rotina de trabalho.
“E aí minha licença-maternidade acabou no dia 19, na quinta-feira, na última quarta-feira. À noite, quando eu peguei, eu notei que eles estavam com um comportamento estranho, mas eu não maldei, eu achei que era por conta da rotina nova.”
No dia seguinte, segundo a mãe, o estado do menino teria se agravado, o que levou o pai da criança a procurar atendimento médico imediato.
Crianças levadas às pressas para atendimento médico
“E, na sexta-feira, quando o pai da criança de 4 anos pegou ele, notou que ele estava com um comportamento totalmente anormal. Ele estava bem irritado, ele estava em surto, na verdade. Ele estava todo machucado, a boca machucada, ele não falava direito, ele ficava babando, ele não ficava em pé. E aí ele levou para a UPA, correndo para a UPA, e eu fui na casa da moça buscar a minha filha, né, a bebezinha.”
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Ao buscar a filha mais nova, a mãe afirma ter encontrado a bebê sem reações.
“E quando eu peguei a bebê, a bebê estava sem reação nenhuma. Ela não chorava, ela não ria, ela é uma bebê muito ativa. Então ela não ria, ela não chorava, ela não piscava. Eu fiquei desesperada, também levei para a UPA. A bebezinha chegou lá quase tendo uma parada respiratória. Foi transferida para o Hospital Municipal, que fica em Cajazeiras. A gente ficou lá até o domingo, fizemos todos os exames, tinha realmente uma substância.”
Conforme os exames realizados na unidade hospitalar, foi constatada a presença de Clonazepam no organismo das duas crianças.
Versão apresentada pela cuidadora
A mãe relatou ainda que, antes da divulgação do resultado, questionou a babá sobre a possível administração de algum medicamento.
“Antes do resultado do exame sair, eu fiquei em contato com a babá, né, perguntando se ela tinha dado algum medicamento, alguma coisa para as crianças. Ela dizia que não. Quando o resultado do exame saiu, que eu falei com ela novamente, ela me mandou um vídeo com a embalagem de um Clonazepam, que ela tinha achado dentro do carrinho da bebê e, segundo ela, o mais velho pegou esse medicamento, tomou e deu para a bebezinha. Foi o relato dela.”
Segundo a mãe, o filho mais velho segue realizando exames complementares, inclusive no Instituto Médico Legal (IML), enquanto a família aguarda o andamento das investigações.
“O mais velho está fazendo os exames, ontem ele fez novamente exame lá no IML, e a gente registrou a queixa na Dercca e agora está esperando a Justiça ser feita.”
Polícia Civil investiga circunstâncias do caso
O caso foi registrado na Dercca, que apura as circunstâncias da suposta administração do medicamento. Em nota, a Polícia Civil informou:
“A Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Contra a Criança e o Adolescente (DERCCA) investiga uma denúncia do uso culposo de um medicamento em desacordo com receita médica registrada na noite de domingo (22), administrado por uma babá de uma criança, em um imóvel no bairro de Matatu de Brotas. Diligências e oitivas estão sendo realizadas pela unidade especializada para esclarecer as circunstâncias do caso.”
A investigação segue em andamento para esclarecer como o medicamento teria sido ingerido pelas crianças e se houve responsabilidade por parte da cuidadora.
Fonte: A Tarde



