O Carnaval da Bahia, um dos maiores eventos populares do país, vai além da dimensão cultural e turística e impõe desafios ambientais relevantes. Em 2025, a festa reuniu cerca de 3,5 milhões de visitantes em Salvador e cidades do interior, segundo dados da Secretaria de Turismo do Estado, ampliando a geração de resíduos, o consumo de água e a pressão sobre os sistemas de drenagem e saneamento.
A dimensão da celebração tem impacto direto sobre rios, lagoas e praias do estado, especialmente em um período marcado por chuvas de verão, quando resíduos descartados inadequadamente nas ruas podem ser levados para canais de drenagem e alcançar corpos d’água.


Em Salvador, ações de coleta seletiva e triagem ambiental recolheram mais de 169 toneladas de materiais recicláveis durante os dias de folia, de acordo com o balanço final do projeto EcoFolia Solidária, coordenado pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema). Sem destinação adequada, parte desse material pode contribuir para a poluição hídrica e o comprometimento de ecossistemas aquáticos.
Para Ana Odália Sena, coordenadora do Fórum Baiano de Comitês de Bacias Hidrográficas e professora da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), o Carnaval evidencia a relação direta entre comportamento urbano e preservação dos recursos hídricos. “O Carnaval é um momento de celebração coletiva, mas também exige atenção aos impactos ambientais. Atitudes simples, como descartar corretamente o lixo e evitar desperdício de água, fazem diferença concreta na proteção de rios, lagoas e praias”, afirma.
Outro ponto de atenção é o aumento temporário da população em áreas urbanas e turísticas, que eleva a demanda por abastecimento. Durante o Carnaval de 2025, a Embasa distribuiu 82 mil litros de água para hidratação de foliões em pontos da capital e do interior, como parte das ações emergenciais de apoio ao evento.
Especialistas alertam que líquidos descartados em vias públicas, restos de alimentos e embalagens abandonadas em ruas e praias podem prejudicar a drenagem urbana e intensificar a poluição da água, especialmente em áreas naturais, onde a vegetação atua como proteção dos sistemas hídricos.
A Bahia conta com dezenas de Comitês de Bacias Hidrográficas responsáveis pela gestão participativa dos recursos hídricos em todo o estado. Segundo Ana Odália Sena, que coordena o fórum que articula esses colegiados, grandes eventos como o Carnaval reforçam a necessidade de integrar planejamento urbano, educação ambiental e participação da população.
“O cuidado com a água não se limita aos dias de festa. O Carnaval passa, mas os impactos ambientais podem permanecer por mais tempo”, conclui.
Siga o Acorda Cidade no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Participe também dos nossos canais no WhatsApp e YouTube e grupo de Telegram.
Fonte: Acorda Cidade



