Marcos Pereira defende que tema seja tratado com cautela –
O presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira, manifestou forte oposição à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que tem o objetivo de extinguir a jornada de trabalho no modelo 6×1.
Em entrevista à Folha de S.Paulo nesta quarta-feira, 25, o parlamentar defendeu que o tema seja tratado com cautela, argumentando que a discussão em ano eleitoral é inoportuna e “expõe” o Legislativo.
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Pereira relatou ter formalizado contrariedade ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). De acordo com o dirigente, Motta justificou o encaminhamento do debate como uma manobra tática para evitar que o governo federal assumisse o protagonismo da pauta por meio de um projeto próprio.
“É melhor que a Casa tome o protagonismo”, teria dito Motta, conforme o relato de Pereira.
Impactos e produtividade
Na avaliação do deputado, a redução da jornada sem a devida maturação pode elevar os custos operacionais das empresas e comprometer a competitividade da economia brasileira. Pereira destacou que a estrutura de produtividade e a renda média do Brasil diferem drasticamente de países que adotaram modelos reduzidos.
“Acho que quanto mais trabalho, mais prosperidade”, afirmou o parlamentar, que também questionou o impacto social do aumento do tempo livre para as camadas mais pobres. De acordo com ele, a falta de renda para o lazer poderia levar a efeitos colaterais negativos.
“O povo não tem dinheiro, infelizmente. Vai ficar mais exposto a drogas, a jogos de azar. Pode ser o contrário. Ao invés de lazer, pode ser o mal”, declarou.
Cenário político
Além do embate trabalhista, o presidente do Republicanos projetou o fortalecimento da legenda para as eleições de 2026. Ele aproveitou para criticar a articulação política da direita, mencionando que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem ocupado o vácuo deixado pela inelegibilidade de Jair Bolsonaro, mas peca pela falta de diálogo com partidos aliados.
Questionado sobre as investigações de tentativa de golpe de Estado envolvendo o ex-presidente, Pereira adotou um tom cauteloso, afirmando que uma ruptura institucional dependeria de apoio militar. “Se tentou, não teve o apoio. Mas eu não sei”, pontuou.
A PEC que altera a jornada de trabalho deve agora enfrentar um longo rito de debates nas comissões da Casa antes de qualquer deliberação definitiva em plenário.
Fonte: A Tarde



