Delegado destaca 80% de medidas deferidas e chama Carnaval de “marco na gestão” –
O Carnaval de Salvador 2026 entrou para a história não apenas pelo volume de foliões, mas também pelo reconhecimento internacional e pelos indicadores de segurança. A festa bateu recorde no Guinness World Records com a maior ação de reciclagem de latas de alumínio do mundo e reuniu mais de 12,5 milhões de pessoas ao longo da programação, incluindo o pré-Carnaval.
Foram mais de 2,3 mil horas de música, crescimento expressivo na chegada de visitantes, 17% a mais pelo Aeroporto Internacional, 10% pela Rodoviária e 13% pelo Porto, e um domingo, 15, que concentrou 1,97 milhão de pessoas apenas nos três principais circuitos, alcançando 2,5 milhões de foliões em toda a cidade.
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Pelo terceiro ano consecutivo, não houve registro de morte violenta nos circuitos oficiais. O sistema de reconhecimento facial alcançou 73 foragidos da Justiça; mais de 7.500 objetos proibidos foram apreendidos nos 53 portais de abordagem; e as tentativas de homicídio caíram 28,6% em comparação ao ano anterior.
Delegado-geral da Polícia Civil da Bahia, André Viana
Em entrevista exclusiva ao Portal A TARDE, o delegado-geral da Polícia Civil da Bahia, André Viana, organizou a avaliação da corporação em quatro eixos principais: integração institucional, investigação e inteligência, acolhimento e tecnologia.
Integração institucional e agilidade nas decisões
Para o delegado-geral, o primeiro grande diferencial da atuação da Polícia Civil foi o fortalecimento da integração entre as instituições do sistema de Justiça e segurança pública.
“Primeiramente, agradecer a oportunidade. Segundo, enfatizar a figura de maior importância que nós temos no Carnaval: a figura da integração. A integração é um ponto muito forte da nossa gestão.”
“A integração com as forças de segurança, tendo na liderança o nosso secretário de Segurança, Dr. Marcelo Werner, mas também a integração agora com o ciclo virtuoso que estamos vivendo com a figura do Ministério Público, do Judiciário e da Defensoria Pública. Isso significa o quê? Que a Polícia Civil pode fazer um trabalho mais focado, mais cirúrgico durante o Carnaval.”
Segundo ele, a atuação conjunta permitiu que medidas cautelares fossem apreciadas ainda durante a festa, acelerando respostas operacionais.
“Proporcionou, através dos relatórios de investigação e das nossas representações cautelares, sejam por busca e apreensão, seja por prisão, que fossem apreciadas no menor tempo possível pelo Ministério Público e pelo Judiciário, tendo também a ação ativa da Defensoria Pública. Isso resultou, sendo mais claro, em que das nossas representações nós temos 80% sendo deferidas. Então, não significa que exista desrespeito à instituição.”
“Para você ter uma ideia, nós representamos por 25 medidas cautelares; dessas 25 medidas cautelares, 20 foram deferidas. Então, muito bom, ou seja, cinco o Judiciário e o Ministério Público entenderam que não era concebível o seu deferimento. Então, isso é muito importante, porque até então essas decisões eram só apreciadas depois do Carnaval. Isso possibilitou que a polícia pudesse agir com maior eficiência e efetividade nas suas ações.”
Investigação e inteligência: resposta em menos de 24 horas
O segundo ponto destacado por André Viana foi o fortalecimento da investigação aliada à inteligência policial, sustentada por um sistema com mais de 5 mil câmeras e equipes dedicadas exclusivamente à análise de dados fora dos circuitos.
“Então, isso para mim é um primeiro grande ponto: a integração. O segundo grande ponto é a investigação acompanhada da atividade de inteligência. Nós temos mais de 5.000 câmeras no sistema. Tivemos equipes fora do circuito que ficaram só para munir os delegados que estavam na ponta e as equipes na ponta com dados de investigação.”
O delegado citou como exemplo a tentativa de homicídio registrada durante a festa, quando três pessoas foram baleadas.
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“Esses dados de investigação e inteligência robusteceram essas representações. Então, no caso específico citado, quando ocorreu uma tentativa de homicídio, ou seja, o crime específico de homicídio tentado, três pessoas foram baleadas.”
“O nosso desejo é que não ocorresse nenhuma lesão no circuito, mas infelizmente ocorreu, e o nosso primeiro passo é nos solidarizar com a família de cada uma dessas vítimas, mas também apresentar a resposta adequada.”

Segundo delegado, acolhimento a mulheres e grupos vulnerabilizados marcou atuação da corporação no circuito
A identificação do autor, segundo ele, foi considerada a etapa mais complexa.
“Imagine a quantidade de foliões ali e conseguir identificar o indivíduo que efetuou esse disparo. Então, foi possível identificar o indivíduo que efetuou o disparo. A primeira coisa é identificar, que é o mais difícil, saber e ter o rosto da pessoa que fez aquilo.”
Após a qualificação e representação pela prisão, o mandado foi concedido e cumprido.
“E daí, o planejamento. Primeiro, após a concessão da medida, que foi aceita, foi deferida pelo Judiciário, apreciando o parecer favorável do Ministério Público, foi deferida a medida cautelar de prisão. E aí vamos fazer o planejamento para a execução. A execução foi cirúrgica, a ponto de não dar chance, não termos o menor risco de um efeito colateral, e ocorreu com a prisão do autor do disparo.”
De acordo com o delegado, a resposta ocorreu em menos de 24 horas. Ele também relatou outra ocorrência identificada por drone, com caráter preventivo.
Ele também citou uma ação preventiva identificada por drone no circuito do Campo Grande.
“Visualizou pelo drone uma pessoa querendo sacar uma arma. Fizemos toda essa análise e conseguimos chegar nesse infrator (…) entendemos que ali também se gera um caráter preventivo da ação e evita, com isso, que ocorra um caso desse porte no circuito.”
Acolhimento como diretriz da atuação policial
O terceiro eixo apontado foi o acolhimento, tratado como marca da edição 2026.
“Então, na figura da integração e na figura da inteligência e investigação, entendo que temos dois grandes pontos. O terceiro ponto que a Polícia Civil apresentou, e reputo que só vai ser expandido com toda a estrutura da segurança pública, foi o ponto do acolhimento. Então, esse Carnaval foi o Carnaval do acolhimento.”
Segundo o delegado, o conceito envolveu tanto trabalhadores do circuito quanto vítimas de crimes, especialmente mulheres e grupos vulnerabilizados.
“Então, nós temos, em relação à Polícia Civil, um acolhimento no registro da ocorrência, um acolhimento em todos os casos dos grupos vulnerabilizados, que foram abraçados, tratados e tiveram apresentada a resposta em todos os casos.”
Ele citou casos de importunação sexual com cumprimento de mandados mesmo após o flagrante não ter sido possível.
“Tivemos casos diversos de importunação sexual, nos quais foi dada a resposta efetiva. Pessoas que importunaram e que não conseguimos efetuar a prisão em flagrante por não estarem naquele momento, mas, diante da identificação, qualificação, representação e, depois da concessão do mandado de prisão, cumprimos o mandado no circuito ou batendo na porta de casa.”
O efetivo dos postos Servir foi ampliado em 37%, com foco na defesa da mulher e no atendimento a grupos vulneráveis.
Tecnologia como ferramenta de prevenção e salvamento
O quarto ponto destacado foi o uso intensivo de tecnologia, desde câmeras e drones até softwares de análise criminal.
“E o quarto ponto, falando da integração, da inteligência e investigação e do acolhimento, tocamos na tecnologia: 5.000 câmeras, utilização de drones e drones termais, que possibilitam a identificação à noite. Inclusive, ajudou o Corpo de Bombeiros a efetuar o salvamento de uma vítima que teria caído ali perto do Cristo, muito importante.”
A tecnologia também foi utilizada para mapear manchas criminais e direcionar o efetivo conforme áreas de maior incidência.
“Houve, através da tecnologia, também a recuperação de aparelhos celulares. Foram mais de 130 aparelhos celulares recuperados.”
Um aplicativo desenvolvido para escanear IMEIs permitiu identificar aparelhos furtados ou roubados durante abordagens, enquanto outra ferramenta, construída em conjunto com a ANAC, viabilizou o controle de drones irregulares — quatro foram apreendidos.
Além disso, houve aumento de 280% no cumprimento de mandados de prisão no circuito, segundo o delegado.
Ao encerrar o balanço, André Viana ressaltou o terceiro ano consecutivo sem mortes violentas nos circuitos e atribuiu os resultados à liderança da Secretaria da Segurança Pública e aos investimentos do governo estadual, incluindo a entrega de mais de 100 viaturas na véspera da festa.
Fonte: A Tarde



