Poucos torcedores já devem ter se perguntado de onde veio a palavra que os denomina – mas menos ainda devem imaginar que a nomenclatura “torcedor” foi criada por causa de mulheres que amavam futebol.
A palavra tão repetida em jogos do país inteiro está ligada a um hábito curioso das primeiras décadas do século 20 e tem forte relação com a presença feminina nas arquibancadas.
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Na época, assistir a jogos era também um evento social. Os estádios, como o campo das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, em jogos do Fluminense, recebiam um público bem vestido, com roupas formais que refletiam o estilo da elite urbana daquele período.
Entre os frequentadores, as mulheres chamavam atenção por um comportamento específico durante os jogos. Em momentos de tensão, especialmente em lances decisivos, era comum que elas, nervosas, segurassem e torcessem as próprias luvas que usavam como parte do vestuário.
O gesto repetido virou símbolo daquele tipo de envolvimento emocional com a partida, dando aos “fãs” do clube o nome de torcedores.
As “torcedoras” do Fluminense
Criador do nome
Quem percebeu esse comportamento e ajudou a transformá-lo em linguagem foi o escritor Henrique Coelho Netto, membro da Academia Brasileira de Letras.
Observador assíduo do ambiente esportivo, ele passou a usar o termo “torcedores” em seus textos para se referir às pessoas que acompanhavam as partidas. A ideia vinha justamente do gesto de “torcer” no sentido literal, que simbolizava ansiedade, expectativa e envolvimento com o jogo.
Com o tempo, o termo ganhou força, variações como “torcida”, e se espalhou, deixando de se referir apenas àquele público específico e passando a definir qualquer pessoa apaixonada por um time. Os “torcedores originais”, no entanto, eram torcedoras, deixando eternamente no futebol uma marca que homenageia o público feminino.
Fonte: A Tarde



