Mestranda em Engenharia Química pela UFBA, a operadora Thamara Tomires –
Celebrado nesta quarta-feira, 11, o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência lança luz sobre um debate urgente: a presença feminina nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM). Criada pela ONU em 2015, a data reforça a importância de ampliar espaços e oportunidades.
No Brasil, os números mostram avanços. De acordo com estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base no Censo de Grupos de Pesquisa 2023, as mulheres já representam 52% dos pesquisadores vinculados a grupos de pesquisa no país — percentual superior ao dos homens.
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Na Bahia, profissionais da Braskem são exemplo de como a formação científica pode ser determinante para consolidar uma carreira e ocupar posições de referência dentro da indústria.
Da curiosidade à engenharia
A engenheira de Processos Williane Lopes Carneiro construiu uma trajetória de mais de quatro décadas na companhia. São 44 anos de atuação desde a época da Copene, empresa que mais tarde passou a integrar a Braskem.
Formada e mestre em Engenharia Química pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), ela relembra que o interesse pela ciência começou ainda na infância. “Desde menina, sempre fui uma pessoa muito curiosa. Queria saber de tudo, como as coisas eram feitas, o porquê das coisas”, conta.
Para Williane, o conhecimento científico é parte essencial da sua prática profissional. “A ciência está presente em todo meu trabalho, e sou muito honrada em fazer parte de um grupo que, ao invés de só comprar soluções externas, estuda, desenvolve e otimiza processos internamente, com conhecimento aprofundado dentro da empresa”, destaca.
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A indústria como laboratório
Na Unidade Termelétrica (UTE) do Polo Industrial de Camaçari, Thamara Tomires Souza também construiu seu caminho com base no estudo. Engenheira de Produção, com pós-graduação em Pesquisa Científica e Popularização da Ciência, ela está em fase de conclusão do mestrado em Engenharia Química pela UFBA.
A trajetória começou no curso técnico de Química pelo antigo CEFET-BA, atual Instituto Federal da Bahia (IFBA). “Sempre fui tecnicista, voltada para a área técnica”, afirma.
Segundo Thamara, o olhar científico muda completamente a forma de enxergar a rotina industrial. “A Ciência exige que você comprove análises, o que traz mais segurança e assertividade. Você passa a enxergar a área industrial como um laboratório, identificando causas, consequências e oportunidades de melhoria”, explica.
Ela também percebeu reflexos diretos na sua autoridade profissional. “As pessoas passaram a me escutar mais quando perceberam que meu conhecimento tinha aplicabilidade”, ressalta.
Formação sólida e visão estratégica
Na unidade de PVC da Braskem em Camaçari, a engenheira de processos Rita Cristina Carvalho Marinho acumula 35 anos de experiência. Técnica em Química, engenheira química, mestra e doutora pela UFBA, ela também possui especialização em polímeros pela Universidade de Akron, nos Estados Unidos.
Para Rita, a formação científica amplia horizontes dentro da indústria. “Você enxerga vários caminhos, gera resultados com mais eficiência e menor custo”, afirma.
Engenheira de Processos da Braskem
Desafios, família e permanência na indústria
Se o avanço feminino é perceptível, os desafios ainda existem. Rita reconhece que a indústria segue sendo um ambiente predominantemente masculino, especialmente na engenharia. Mãe de dois filhos e avó de dois netos, ela afirma que conciliar carreira e vida pessoal exige esforço — mas é possível.
“É muito bom ter conseguido chegar até aqui. A indústria ainda é um local muito masculino, a engenharia mais ainda, e acho que talvez isso iniba algumas mulheres”, pontua.
Williane reforça que o cenário mudou desde o início da sua carreira, mas ainda há desigualdade. “Havia pouquíssimas mulheres como engenheiras químicas e existia aquele preconceito de que a mulher não conseguiria trabalhar na indústria. As coisas mudaram, mas ainda hoje há muito mais homens do que mulheres na área industrial. No entanto, hoje na Engenharia de Processos e Produção da Braskem, trabalhamos de igual para igual”, garante.
Para Thamara, mãe de uma menina de seis anos, ocupar esses espaços também significa assumir responsabilidade. “Saber que estamos sendo ouvidas, ocupando espaços e sendo referência para outras pessoas traz para mim uma responsabilidade acadêmica muito forte de buscar a excelência”, afirma.
O estudo como ponto de partida
Ao olhar para as meninas curiosas que um dia foram, as três profissionais convergem em um ponto: o conhecimento é o alicerce de qualquer conquista.
“Tudo o que você quiser na vida, seja pessoal ou profissional, o estudo será a base. Mesmo que você não enxergue resultados imediatos, não pare de estudar. Os resultados vêm gradativamente e, estudando, você vai se beneficiar e inspirar as pessoas ao seu redor”, diz Thamara.
Williane prefere traduzir o conselho de outra forma: “Sigam o ímpeto de pesquisar. Não gosto de falar ‘estude’, porque parece uma imposição, mas ao seguir seu ímpeto, você estará estudando e com prazer”.
Rita resume em poucas palavras o caminho que trilhou ao longo da vida: “Vai em frente e lute pelos seus sonhos”.

Engenheira de Processos da Braskem
Sobre a Braskem
A Braskem é uma petroquímica global com atuação orientada para soluções sustentáveis em química e plástico. A empresa mantém portfólio de resinas e produtos químicos voltados a diferentes segmentos, como embalagens, construção civil, indústria automotiva, agronegócio, saúde e higiene.
Com unidades industriais no Brasil, Estados Unidos, México e Alemanha, a companhia exporta para clientes em mais de 71 países. A empresa afirma adotar modelo de gestão pautado pela ética e conformidade, defendendo a inovação e a circularidade do plástico como caminhos para uma indústria mais sustentável.
Fonte: A Tarde



