Cantora completa, com treinamento formal na Itália e que sabe equilibrar técnica e emoção com absoluta precisão, Marisa Monte é classificada como mezzo-soprano, ou seja, ela consegue transitar do agudo ao grave sem dificuldades.
Conclusão: Marisa nasceu para cantar à frente de uma orquestra. E é justamente isto que ela vai fazer em Salvador neste sábado, 28, no espetáculo Phonica – Marisa Monte & Orquestra Ao Vivo, na Arena Fonte Nova.
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No palco, Marisa estará à frente da sua banda e de uma orquestra com nada menos que 55 músicos sob a regência do maestro André Bachur.
Apresentada pelo Banco do Brasil, a turnê Phonica iniciou em outubro de 2025, tendo passado por seis capitais antes de Salvador: Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Brasília e Porto Alegre.
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Agora, depois de passar por Fortaleza (no dia 07 último) e Recife (dia 14), chega à Salvador.
É um show de quase duas horas de duração, no qual Marisa dá uma geral na carreira, cantando sucessos como Amor I Love You, Beija Eu, Maria de Verdade, Ainda Lembro, Gentileza, Segue o Seco e Ao Meu Redor, além de sucessos dos Tribalistas (Carnavália, Velha Infância) e releituras, quase todas do álbum Barulhinho Bom (1996): Panis et Circensis (Os Mutantes), Cérebro Eletrônico (Gilberto Gil) e Carinhoso (Pixinguinha), entre outras.
Uma orquestra só dela
Extremamente personalista, no melhor sentido da palavra, Marisa Monte se notabilizou – para além do talento musical – por fazer tudo sempre da maneira dela, e ela sempre sabe muito bem o que quer. Desta vez, contudo, Marisa parece ter chegado a um novo ápice, ao erguer uma orquestra do zero, exclusivamente para a turnê.
Porque geralmente, quando algum artista popular faz um concerto com orquestra, o comum é fazer parceria com alguma instituição que já existe. Vimos isto recentemente, na turnê nacional de Carlinhos Brown com a Orquestra Ouro Preto, do maestro Rodrigo Toffolo.
Com o maestro André Bachur, Marisa recrutou 55 músicos para sua própria orquestra – e só este processo, certamente, já é um trabalhão danado. Mas como sabemos, fazer as coisas do modo mais fácil nunca foi a onda desta artista tão singular na MPB.
“No Brasil existem inúmeras orquestras maravilhosas que poderiam estar comigo em Phonica, mas eu e o maestro André Bachur optamos em criar uma orquestra com identidade própria, com liberdade para definir o perfil dos músicos, criando oportunidades, juntando pessoas jovens com músicos e experientes num coletivo diverso, equilibrado, inédito e instigante”, relata Marisa ao jornal A TARDE.
“Como o maestro é regente da OCAM (Orquestra de Câmara da USP), optamos por ter como base a cidade de São Paulo, selecionando integrantes jovens de orquestras e projetos de educação variados, entre músicos que ele já conhecia, através também de indicação”, acrescenta.
E como se imagina, foi sim, uma tarefa e tanto.
“Para mim foi um grande desafio e também uma grande realização poder montar uma orquestra exclusivamente para esse projeto. Um luxo radioso de sensações”, conta Marisa.
“Acredito na inteligência”
Veterana dos grandes palcos baianos, Marisa Monte deve ser uma das poucas cantoras brasileiras a emplacar dois shows na Arena Fonte Nova. O primeiro, contudo, foi com seus parceiros Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes, os Tribalistas, em 2018.
Desta feita, o nome principal no alto do luminoso é só o dela. “É a segunda vez que me apresento na Fonte Nova. Tive a oportunidade de estrear a turnê dos Tribalistas em 2018 e foi inesquecível”, lembra.
“Em Phonica, temos tocado para plateias grandes. Viajar com mais de 100 pessoas, com 60 músicos no palco pelo Brasil, é um esforço gigante que não seria possível em um espaço pequeno”, observa.
Para terminar, como já foi dito aqui antes, uma das principais características de Marisa Monte é sua fidelidade à toda prova ao seu próprio fazer artístico. Uma rara capacidade de se manter íntegra ao longo das décadas e modismos que vem e vão, sem jamais se render ao sucesso imediato, sem ceder aos apelos do “mercado”.
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E ainda assim, ela demonstra estar sempre certa ao seguir seu caminho, dado o sucesso de tudo o que faz.
Em um mercado tão assediado pelo capital, não deve ser fácil se manter dentro deste padrão de integridade artística no Brasil.
Sobre isto, Marisa, sem sequer querer, nos dá, com uma breve resposta, uma aula que vale por cursos inteiros de coach ou marketing: “Não existe um jeito certo de estar no mundo como artista. Cada um tem que inventar o seu modo próprio de se comunicar e eu não saberia fazer diferente”.
“Comecei muito jovem, fui me descobrindo, respeitando meu público, a música e os meus limites. Sou fiel ao meu coração, à minha cabeça, ofereço sempre o meu melhor. Acredito na inteligência e na sensibilidade do público, e trabalho para honrar o privilégio de servir a criação”, conclui.
Ah, Marisa, se todos fossem iguais a você…
“Phonica – Marisa Monte & Orquestra Ao Vivo”
Sábado (28), 18h30 (abertura dos portões: 15h30) / Casa de Apostas Arena Fonte Nova (Ladeira da Fonte das Pedras, s/n – Nazaré).
Ingressos entre R$ 672 (pista premium) e R$ 235 (cadeira) / Vendas: ticketsforfun.com.br, Balcão PIDA! (Shopping Paralela)
Fonte: A Tarde



