PUBLICIDADE

Cirurgia com robôs protege vida sexual: o que mudou em cinco anos

Por muito tempo, falar em cirurgia urológica significou aceitar possíveis impactos na função urinária e sexual como algo inevitável do tratamento. Esse cenário, porém, vem mudando de forma significativa nos últimos cinco anos com a evolução da cirurgia robótica. Mais do que retirar tumores ou corrigir doenças, o foco atual passou a ser preservar funções essenciais para a qualidade de vida do paciente.

A tecnologia robótica trouxe uma combinação inédita de visão ampliada em alta definição, movimentos mais precisos e melhor controle de estruturas anatômicas delicadas, especialmente nervos e vasos responsáveis pela ereção e pela continência urinária. Esse avanço vem transformando a experiência cirúrgica e o pós-operatório em diversas áreas da urologia.

Mais precisão, menos lesão

A principal mudança está na capacidade de dissecar com extrema precisão. Na cirurgia robótica, o cirurgião opera com movimentos filtrados, sem tremores, e com visão tridimensional ampliada, o que permite identificar e preservar feixes nervosos antes mais difíceis de diferenciar. Isso reduz o trauma cirúrgico e diminui o risco de lesões que podem comprometer a ereção ou o controle urinário.

Além disso, a robótica permite suturas mais delicadas e reconstruções anatômicas mais fiéis, favorecendo recuperação funcional mais rápida em comparação às técnicas abertas ou mesmo à laparoscopia convencional.

Pesquisadores da área buscam alternativas para preservar melhor as estruturas anatômicas que circundam a próstata, como vasos e nervos, promovendo uma recuperação funcional maior e também mais rápida. Com a cirurgia Retzius Sparing, que utilizamos desde 2016 e na qual temos a maior experiência na América Latina, mais de 90% dos pacientes operados controlam a perda de urina após 30 dias da cirurgia, em comparação a outras técnicas, em que o resultado é de 30% a 80%.

Impacto real na continência e na função sexual

Estudos recentes mostram que pacientes submetidos à cirurgia robótica apresentam taxas mais altas de recuperação precoce da continência urinária e melhores resultados na função erétil, especialmente quando a indicação é bem selecionada. Isso não significa ausência total de riscos, mas sim uma redução significativa das sequelas que historicamente preocupavam os pacientes.

Outro ponto relevante é o acompanhamento pós-operatório mais direcionado. Com menor agressão cirúrgica, o retorno às atividades diárias tende a ser mais rápido, o que impacta diretamente o bem-estar físico e emocional.

Tecnologia a favor da qualidade de vida

É importante destacar que a cirurgia robótica não substitui a experiência do cirurgião, mas amplia suas capacidades. O benefício real vem da combinação entre tecnologia, treinamento especializado e indicação correta. Nem todos os casos exigem cirurgia robótica, mas, para muitos pacientes, ela representa uma evolução concreta na preservação da função e na recuperação global.

Hoje, falar de cirurgia urológica robótica é falar de tratamento oncológico ou funcional com um olhar mais humano, que considera não apenas a cura da doença, mas também como o paciente vai viver depois dela. Essa mudança de paradigma é, sem dúvida, um dos avanços mais relevantes da urologia moderna.

*Texto escrito pelo urologista Marcos Tobias Machado (CRM/SP 75.225 | RQE 63664), doutor pela Universidade de São Paulo (USP) e membro da Brazil Health

Fonte: CNN BRASIL

Leia mais

PUBLICIDADE