quinta-feira, março 26, 2026
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Cidades do interior assumem protagonismo econômico na Bahia

Entroncamento entre a BR 101 e a BR 415, em Itabuna –

Diante de recursos naturais abundantes, cadeias produtivas emergentes, energias limpas, construção civil em expansão, infraestrutura crescente e uma lógica de desenvolvimento mais equilibrada territorialmente, as cidades-polo têm plenas condições de liderar o próximo ciclo de crescimento econômico baiano, promovendo inclusão regional, geração de emprego, inovação e agregação de valor às atividades produtivas locais. Mas esse futuro exige planejamento estratégico e conjunto entre poderes públicos, empresas e sociedade civil.

A análise é de representantes de entidades voltadas à agropecuária, ao comércio, aos serviços e à administração pública. Para a Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia/Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Faeb/Senar), as cidades-polo precisam continuar investindo em infraestrutura logística, conectividade, educação técnica e superior, inovação e sustentabilidade ambiental.

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“A agenda da competitividade passa pela agricultura de precisão, pela transição energética, pela economia verde e pela agregação de valor à produção. A Bahia tem potencial para avançar ainda mais na agroindustrialização, na exportação de produtos com maior valor agregado e na consolidação de marcas regionais mais fortes”, avalia o presidente da entidade, Humberto Miranda.

Do ponto de vista institucional, o dirigente do Sistema Faeb/Senar afirma que é fundamental fortalecer parcerias entre setor produtivo, poder público e instituições de ensino e pesquisa.

“O desenvolvimento precisa ser sustentável, equilibrado e socialmente responsável. A Bahia tem vocação para o agro, tem produtividade, diversidade e capacidade empreendedora. O que estamos presenciando é a consolidação de um novo mapa econômico do Estado: mais descentralizado, mais dinâmico e com o interior assumindo protagonismo”, afirma.

presidente da FAEB, Humberto Miranda | Foto: Divulgação/FAEB

Demandas

O presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Wilson Cardoso, aponta que há desafios sociais relacionados ao planejamento e reordenamento urbano.

“Precisa se organizar administrativamente para modernizar o PDDU (Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano) e o código tributário, porque se torna um centro comercial forte, além de se estruturar para a crescente demanda da rede de saúde e educação, já que acabam absorvendo demandas dos municípios vizinhos”.

O futuro desses municípios, acrescenta o dirigente da UPB, passa pelo planejamento, pelo pensar a longo prazo e pelo planejamento para as décadas seguintes com base em estimativas populacionais, nos recursos naturais e na estrutura logística para a prática industrial, com respostas às demandas por serviços de energia elétrica, água e lazer.

“Entretanto, unir os municípios vizinhos às cidades-polo para fortalecer a educação cumpre um papel fundamental. Com a implantação de escolas técnicas e universidades é possível qualificar a mão de obra local para atrair investimento, indústrias e empresas, gerando emprego e renda. Assim poderemos alcançar o desenvolvimento regional sustentável”, opina.

O presidente do Sistema Comércio Bahia (Fecomércio), Kelsor Fernandes, considera essencial que as empresas e o setor público invistam nas melhorias locais.

“Afinal, a falta de saneamento e de asfaltos, certamente, trariam prejuízos”, pondera, lembrando que o desenvolvimento socioeconômico eleva o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

“As nossas cidades não são megalópoles, como a capital paulista, que hoje está saturada. Lá, quando se cria uma nova estação de metrô, ela já nasce lotada porque há uma demanda reprimida enorme. Nessas cidades baianas, de pequeno e médio porte, ainda existe um certo controle no planejamento para o futuro”, avalia.

Feira de Santana vista de cima

Feira de Santana vista de cima | Foto: ACM/Secom-PMFS

Kelsor Fernandes ressalta que os municípios e as empresas precisam absorver essas pessoas e oferecer atendimento e acolhimento, justamente para evitar prejuízos sociais e garantir a continuidade do crescimento populacional.

“Para se desenvolver e não depender economicamente de uma única empresa, a cidade precisa ampliar o setor de comércio e de serviços. Sabemos que isso acontece em muitas regiões, mas é importante reduzir essa dependência. Por isso, o planejamento precisa ser feito de forma conjunta, entre poder público, empresas e sociedade, para gerar um efeito positivo e sustentável a longo prazo”, considera.

Presidente do Sistema Comércio BA, Kelsor Fernandes

Presidente do Sistema Comércio BA, Kelsor Fernandes | Foto: Divulgação

Desconcentração

No estudo intitulado “Desconcentração produtiva e interiorização: um novo ciclo para a Bahia”, publicado em junho de 2025, a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) aborda as significativas mudanças que vêm ocorrendo na organização econômica do Estado, com destaque para o papel estratégico de geração de emprego, renda e inovação que a indústria tem desempenhado nesse processo.

“Sua presença fortalece cadeias produtivas, estimula investimentos em infraestrutura e contribui para a redução das desigualdades regionais”, aponta a pesquisa.

De acordo com a Fieb, o interior da Bahia vem apresentando uma dinâmica econômica superior em vários indicadores, revelando uma transformação superior na geografia do desenvolvimento estadual em relação à Região Metropolitana de Salvador.

Mostra a história que foi na RMS, especificamente no Centro Industrial de Aratu, que se iniciou, nas décadas de 1950 e 1960, a instalação de uma indústria de base, com destaque para o setor metalomecânico.

A região manteve relativa estabilidade em sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia até 2009. A partir desse ano, observou-se uma queda de 8,9 pontos percentuais de participação no PIB estadual, atingindo 39,4% no ano de 2021.

Com a nova dinâmica do interior baiano, outras áreas ampliaram a participação no PIB, com destaque para os territórios de identidade da Bacia do Rio Grande (região das cidades de Barreiras e Luís Eduardo Magalhães) e Portal do Sertão região de Feira de Santana).

“Embora a RMS ainda mantenha vantagens relevantes para grandes empreendimentos, como logística integrada e serviços especializados, observa-se uma tendência clara de interiorização da indústria baiana, sustentada por vocações regionais e oportunidades estruturais. Regiões do interior baiano vêm se destacando ao explorar vantagens como disponibilidade de recursos naturais, terras produtivas, matéria-prima abundante e cadeias produtivas locais”, analisa a Fieb.

O especialista em Desenvolvimento Industrial do Observatório da Fieb, Danilo Peres, credencia o fenômeno do crescimento das cidades-polo baianas a três fatores.

O primeiro está relacionado com a alteração da distribuição orçamentária, a partir da Constituição de 1998, quando os municípios passaram a receber mais recursos provenientes do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Danilo Peres, especialista em Desenvolvimento Industrial do Observatório da Fieb

Danilo Peres, especialista em Desenvolvimento Industrial do Observatório da Fieb | Foto: Gilberto Jr/Coperphoto/Sistema FIEB

O segundo, afirma o especialista, é consequência do primeiro, ou seja, as cidades passaram a obter mais serviços, indústrias e políticas públicas. O terceiro fator, prossegue, foi o avanço do empreendedorismo.

“Com o ambiente de negócios favorável nessas cidades, empresários locais e de multinacionais passaram a perceber as oportunidades de investir em diversos segmentos, como os de alimentos, embalagens, bebidas, vestuários”, pontua



Fonte: A Tarde

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