Ele fez de novo. Cau Gomez, cartunista de A TARDE, ganhou mais um prêmio internacional – é de se pensar se o homem ainda tem espaço na prateleira. Este é simplesmente o prêmio de número 70 em sua carreira. Desta vez, ele ficou em segundo lugar no concurso internacional de cartuns “Racismo – Uma Raça: Humana”, ocorrido dentro do 4th Humanity Cartoons Competition – UK, realizado no Reino Unido.
“Eu sou membro e recebo semanalmente informes do Cartooning for Peace (Fazendo Cartuns pela Paz), uma entidade de cartunistas políticos presente na França e em outros países da Europa. Além disso, colaboro com a Feco (Federation of Cartoonists Organisations) e, constantemente, me chegam convites e convocatórias para participar de festivais e salões de humor em todos os continentes”, conta o artista.
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Como premiação, Cau ganhou mil Euros. A obra traz uma medusa, o ser mítico da Grécia antiga que tinha cobras no lugar dos cabelos e transformava em pedra todos que a encarassem. A pintura de Cau traz a criatura de boca aberta, ligeiramente inspirada na medusa do pintor renascentista Caravaggio.
A medusa de Cau, porém, é metade branca, metade negra, assim como seus cabelos, que, ao invés de cobras, são bracinhos brancos e pretos, ora com os punhos fechados, ora com os dedos apontando, simbolizando um estado de caos e conflito constante, muito bem retratado na expressão atônita da criatura.
“Sou um cartunista analítico e confio numa comunicação poderosa através da arte, principalmente na força do desenho de humor, que, apesar de fragilizado pela concorrência da IA (inteligência artificial), vem sendo um escudo para reagir e resgatar a dignidade humana”, observa Cau.
Segundo a divulgação do concurso, a competição recebeu 1.397 obras de arte de 626 artistas talentosos em 82 países. “Cada obra trouxe uma perspectiva única e instigante para a linguagem universal da arte. Após dez sessões intensivas de avaliação do júri, os vencedores do Humanity Cartoons 2025 foram oficialmente selecionados”, informa o material.
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Apreensão pelos colegas
O primeiro colocado foi Bahram Zangeneh Nia, do Irã. O segundo foi Cau. No terceiro lugar do pódio, Tošo Borkovic Toshow, da Sérvia. Outro artista iraniano, Amin Montazeri, ganhou o Prêmio Especial do Júri. As menções honrosas foram para Hicabi Demirci (Turquia), Normal Gergely (Hungria) e Soumyadip Sinha (Índia).
Vale notar que todos os países dos premiados têm sérias questões envolvendo os direitos humanos. Dificilmente, uma mera coincidência, embora países até outro dia considerados “civilizados”, de “primeiro mundo” estejam hoje bastante ocupados perseguindo indesejados entre a própria população, bombardeando países alheios e depondo seus presidentes. Não que isto seja novidade: o imperialismo (dos dois lados do Atlântico) veio em alta desde o século 19.
“Vivemos em dias sem graça e de uma incerteza muito cruel, nos quais a violência das invasões destrói a esperança de sobrevivência nos territórios afetados. Mas a eloquência criativa teima em rir dos senhores da guerra, mesmo sob as garras da fome e da matança dos soldados”, afirma Cau.
“Acompanho particularmente, com grande apreensão e angústia, a saga de alguns amigos e amigas cartunistas no Oriente Médio, principalmente dos talentosos iranianos que conheci em festivais internacionais de humor gráfico ao longo da minha carreira. Eles são atacados duplamente: ora internamente, pela força repressiva e militar dos Aiatolás, ou externamente, pelos nefastos e imorais ataques aéreos ordenados por Trump e Netanyahu”, lamenta Cau.
Fonte: A Tarde



