Carnaval 2027 já começa a ser discutido –
O Carnaval mal terminou e Salvador já discute a criação de um novo circuito, a questão da ordem dos desfiles e os problemas nos trios elétricos para a folia de 2027, que terá um dia a mais por conta da festa de Iemanjá.
Fontes de diferentes setores da realização do Carnaval indicam que as lições deste ano apontam para a manutenção e fortalecimento do modelo atual com a busca por equilíbrio na distribuição de foliões entre os principais circuitos da festa e maior atenção às vistorias dos trios elétricos.
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Diante da consolidação do novo momento do Circuito Osmar (Campo Grande), o prefeito Bruno Reis apontou que considera a discussão sobre a criação de um novo circuito sepultada. “Ontem (domingo) botamos mais gente no Campo Grande do que na Barra-Ondina. Isso é um marco importante. A mudança de um dos circuitos ou a criação de um quarto circuito acho que é uma necessidade que ainda não há”, afirmou.
Contudo, o presidente do Conselho Municipal do Carnaval e Outras Festas Populares (Comcar), Washington Paganelli, indica que essa é uma discussão técnica e que os números da festa deste ano vão ser analisados, inclusive em conjunto com a Prefeitura de Salvador, para entender se há essa necessidade. “Há um ou dois anos discutimos bastante a criação de um novo circuito, fizemos testes e para esse ano vamos analisar tudo que aconteceu. Vamos olhar os números para ver se há possibilidade ou não de criação. O Carnaval é discutido tecnicamente”, comenta.
Além da criação de um novo circuito, neste Carnaval trios elétricos avançaram no Campo Grande pela Rua Carlos Gomes, que antes já fez parte deste circuito. No último dia de folia, por exemplo, as cantoras Ivete Sangalo e Daniela Mercury fizeram isto e levaram multidões pelo local. O presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur), Isaac Edington, explica que não há nenhuma proibição à utilização do trecho, contudo é preciso que seja dialogado previamente – como foi feito neste Carnaval.
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“Temos que ter uma outra operação pra isso, porque naquela região da Carlos Gomes durante vários anos isso não aconteceu, então ela já teve modificações, mas vimos que dá pra fazer. Temos capacidade de administrar isso sem nenhum problema”, diz.
Ordem dos desfiles
Outra discussão presente no Carnaval deste ano foi sobre a ordem dos desfiles. A pauta foi muito vocalizada pela cantora Daniela Mercury, mas o Afoxé Filhos de Gandhy também teceu críticas ao bloco comandado por Bell Marques por questão de horário e o cantor Armandinho Macêdo cobrou a reestruturação da fila de apresentações.
Discussões sobre ordem dos desfiles chamou a atenção
Na percepção do presidente do Comcar, o que acontece no caso da Rainha do Axé, que chegou à via judicial, é um “pedido sem cabimento”.
“Nós decidimos isso no dia 4 de janeiro. Todo mundo já sabia na Assembleia do Comcar qual seria seu lugar na fila. O que ocorreu foi um pedido sem embasamento algum e então o Comcar, prevalecendo seu direito, apoiado tanto pela prefeitura, como pelo Governo do Estado, Ministério Público, entrou com uma liminar cassando esse pedido. Todos os blocos foram contra esse pedido”, comenta.
Problemas nos trios
Falhas graves como o ocorrido ainda no Furdunço com o trio da Pagodart e outras de diferentes gravidades com diversos artistas afetaram a expectativa do público e a programação da festa neste Carnaval. O cantor Edcity não conseguiu desfilar no Circuito Dodô, Oh Polêmico também cancelou apresentação, Timbalada, Tony Salles, Xanddy Harmonia, Margareth Menezes e outros tiveram dificuldades entre o Pré-Carnaval e o fim da folia com seus trios elétricos.
Na perspectiva do membro da Associação Baiana de Trios Independentes (ABTI) e dono de trios elétricos, João Light, as falhas são fruto de uma questão comportamental e econômica. Ele aponta que há um excesso de pessoas nos trios elétricos por conta do volume de convidados e que isso é prejudicial para os veículos a ponto de poder gerar falhas técnicas.
Outro problema considerado mais grave em sua visão é que hoje o mercado de trios elétricos não é rentável, porque há pouca demanda e isso dificulta que empresários invistam em manutenção.
“É preciso fomentar e pagar mais aos trios que fazem o Carnaval de Salvador. Incentivar essas pessoas a investirem porque em Salvador são poucos eventos que usam trios elétricos de grande porte. Excesso de segurança nunca é demais. Eu já faço isso. Além disso, tem uma disputa maior porque há vários lugares pelo Brasil fazendo Carnaval que consomem muitos equipamentos de trios elétricos de grande porte e também minitrios”, pontua.

Xanddy chegou a ter problema com trio
Neste ano o trio do Bloco Camaleão também apresentou um problema de estrutura, mas que foi resolvido antes do desfile iniciar. Foi feita a troca do “cavalinho” do trio elétrico.
Para o diretor do Bloco Camaleão, Joaquim Nery, os equipamentos do Carnaval de Salvador já são de extrema qualidade, então o que pode ser feito é reforçar a fiscalização dos equipamentos. “É uma solução que já foi encontrada com as vistorias e que precisa sempre ser revisitada e melhorada. É preciso fiscalizar cada vez mais, orientar e alertar os empresários que trabalham com as estruturas dos trios para ter cada vez mais cuidado”.
Números recordes do Carnaval
O Carnaval da Bahia deste ano teve números recordes no turismo com mais de 3,8 milhões de turistas e uma injeção de R$8,1 bilhões na economia, de acordo com dados da Secretaria de Turismo (Setur-BA). Os números superam os de 2025 – quando foram registrados 3,5 milhões de visitantes e R$7 bilhões de receita.
As lições que a folia deste ano deixou é para seguir o fortalecimento na malha aérea do estado e investir também na interiorização da festa, informa o titular da pasta de turismo, Maurício Bacelar.
Ele explica que ações da pasta como captação de voos, contato com grandes companhias aéreas que aumentaram número de voos para o Carnaval e ligações com companhias rodoviárias foram importantes para a maior presença de turistas no estado.
“O número de turistas internacionais que vinham para o Carnaval de Salvador era de 5%. Neste Carnaval o percentual foi de 8%. A conectividade aérea internacional da Bahia facilita a chegada de turistas internacionais no nosso estado e são turistas com ticket médio de gastos superior ao turista nacional”, ressalta Maurício Bacelar.
Ele aponta ainda que a interiorização da festa também tem gerado bons resultados no estado. O Governo do Estado apoiou os festejos em pouco mais de 150 municípios como Rodelas, Barreiras, Correntina, Maragogipe, Itacaré, Alcobaça e diversos outros.

Carnaval 2027 já começa a ser discutido
O Programa Ouro Negro, que reforça a presença das expressões culturais afro-baianas no Carnaval, também alcançou números recordes neste ano. Foram R$ 17 milhões para beneficiar 134 entidades de matriz africana, sendo 95 delas no Carnaval de Salvador, disponibilizados pela iniciativa das secretarias de Cultura (Secult-BA) e da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi). A iniciativa apoia blocos como Olodum, Ilê Aiyê e Cortejo Afro, entre outras agremiações ligadas à cultura negra.
Presença do samba
O samba foi o tema do Carnaval deste ano e o Bloco Alvorada – um dos beneficiados pelo Programa Ouro Negro – celebra o espaço que o ritmo teve neste e torce para que se mantenha assim, aponta o fundador do bloco, Vadinho França.
“Os blocos de samba fizeram a sua parte, estão crescendo, se organizando melhor com bons trios, carros de apoio, fantasias bonitas. E foi um carnaval muito bom para os blocos de samba, uma coisa que já vem acontecendo. Foi um Carnaval do samba com maior proporção, mais tempo e a gente quer seguir pra frente”, pontua.
Fonte: A Tarde



