SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O holandês tetracampeão mundial de Fórmulka 1, Max Verstappen, da RBR, venceu o GP do Qatar neste domingo (30) e adiou para a última etapa da temporada, em Abu Dhabi, a definição do campeão da atual temporada.
Com o resultado, Verstappen somou mais 25 pontos, saltou para a segunda colocação na tabela, com 396 pontos, e manteve viva as chances de título, a apenas 12 pontos do líder, Lando Norris.
Norris, da Mclaren, tinha a chance de ser campeão já neste domingo se vencesse a corrida, mas chegou apenas em quarto no circuito de Lusail, somou 12 pontos na etapa e alcançou 408 na classificação geral.
Companheiro de equipe de Norris e também ainda na briga pelo título, o australiano Oscar Piastri venceu a corrida sprint no sábado (29) e largou na pole neste dommingo, mas acabou terminando a prova em segundo lugar, garantindo mais 18 pontos, para um total de 392 na temporada, mas caindo para a terceira posição geral.
O brasileiro Gabriel Bortoleto, da Sauber, largou apenas em 19º, e, após passar a maior parte da corrida atrás de Lewis Hamilton, da Ferrari, acabou terminado a prova em 13º.
A equipe do técnico Rúben Amorim virou o placar no segundo tempo para 2 a 1, neste domingo, no estádio Sellhurst Park, em Londres
Um dos processos mais básicos e fundamentais da vida, o sono ocupa cerca de um terço da nossa existência. Embora a neurociência conheça diversos aspectos desse fenômeno, um ponto crucial permanecia obscuro: como exatamente o cérebro transita da vigília para o sono?
Agora, um estudo inovador liderado por pesquisadores do UK Dementia Research Institute no Imperial College London e da Universidade de Surrey, na Inglaterra, pode ter, finalmente, resolvido esse mistério. Segundo os autores, o cérebro não vai adormecendo aos poucos: há um momento crítico específico onde essa transição ocorre.
Em entrevista à CNN Brasil, o professor da Universidade de São Paulo (USP), Geraldo Lorenzi, explica a fisiologia por trás desse processo, medida pelo eletroencefalograma (EEG), que registra a atividade cerebral por meio das ondas elétricas produzidas pelos neurônios.
“Se você estiver acordado, as ondas cerebrais são rápidas” — afirma o especialista em Medicina do Sono. Isso ocorre “porque os neurônios estão ativos. E dormir, pegar no sono ou ter sonolência é basicamente lentificar essas ondas cerebrais”, conclui.
Mas, de acordo com o novo estudo, publicado na revista Nature Neuroscience, esse momento de transição da vigília para o sono — que ocorre de forma abrupta — pode ser identificado e antecipado matematicamente. Para os autores, o ponto de inflexão cerebral previsível ocorre 4,5 minutos antes de dormir.
Ou seja, o ponto de inflexão não é quando você dorme, segundo os critérios convencionais, mas ocorre antes, quando o cérebro atinge um estado do qual não há mais volta. Essas mudanças “podem ser parcialmente medidas de forma não invasiva com eletroencefalograma (EEG) de couro cabeludo”, diz o estudo.
Em outras palavras, os pesquisadores descobriram o momento exato em que o cérebro “decide” dormir. Antes desse ponto — que é como o topo de uma montanha-russa — você consegue “segurar a onda” e voltar. Mas, depois dele, não tem volta: o sistema de vigília colapsa para o estado de sono.
Como foi mapeado o caminho até o sono?
O eletroencefalograma (EEG) registra a atividade elétrica do cérebro a partir da superfície do couro cabeludo • DC Studio/Freepik
Para testar suas hipóteses, os autores analisaram EEGs de mais de mil pessoas. Dessas ondas cerebrais, eles extraíram 47 medidas diferentes, mas as reuniram como coordenadas de um amplo mapa matemático. Esse “GPS do sono” permite localizar onde o cérebro está no caminho entre acordado e dormindo.
Com eletroencefalogramas não invasivos, os pesquisadores mapearam os momentos que antecedem o sono como uma trajetória no espaço de características da atividade cerebral. Essa medida — que permanece estável antes de cair abruptamente — foi chamada de “distância do sono”.
Contrariando a visão tradicional de que adormecer seria um processo gradual e contínuo, os dados coletivos mostraram que a distância do sono se mantém relativamente constante até despencar de forma súbita. Para descrever esse momento em que o estado de vigília deixa de existir, os autores usaram o termo matemático “bifurcação”.
Segundo Lorenzi, que não participou do estudo, essa descoberta matemática valida uma experiência comum: “A gente sempre tem essa fase do ‘lusco-fusco’, fica meio acordado, meio dormindo, que pode acontecer em várias situações. Mas, de repente, você pega no sono”.
Em um comunicado, o líder do estudo, Nir Grossman, do Imperial College, resume a descoberta: “Descobrimos que adormecer é um processo de bifurcação, não gradual, com um ponto de inflexão claro que pode ser previsto em tempo real”. O rastreamento tem profundas implicações nos tratamentos de distúrbio do sono.
Um grande diferencial do estudo foi sua capacidade de prever a progressão para o sono em noites seguintes com 95% de precisão, segundo a segundo. Mais impressionante ainda: a previsão do momento exato do ponto de inflexão ocorreu com uma margem de erro de apenas 49 segundos.
Aplicações práticas da descoberta
O estudo entrega uma nova ferramenta diagnóstica para quem sofre de insônia • Freepik
“Normalmente, você faz uma avaliação no que a gente chama de ‘épocas’ de 30 segundos. Então, se tem predomínio de onda mais rápida, você está acordado, aí você vai lentificando. E se tem predomínio de alguns tipos de ondas lentas, você diz: ‘Olha, agora a pessoa pegou no sono’”, detalha o especialista da USP sobre o método atual.
Já o novo método identifica matematicamente o momento exato em que seu cérebro passa do ponto sem retorno. Essa precisão de 49 segundos tem grande impacto prático. No trânsito, dispositivos de alerta poderiam avisar motoristas segundos antes de adormecerem ao volante, potencialmente salvando vidas.
Para milhões de pessoas que sofrem de insônia, o estudo entrega uma nova ferramenta diagnóstica objetiva e fisiologicamente precisa. Isso porque o ponto de inflexão da bifurcação fornece uma definição mais clara do momento de transição vigília-sono do que os atuais critérios baseados em estágios do sono.
Lorenzi esclarece à CNN Brasil por que esse “ponto de virada” não ocorre na insônia: “Se você está muito preocupado com alguma coisa, está pilhado, muito estressado, você não se entrega para o sono. Então, predominam as ondas rápidas das atividades cerebrais de quem está pensando, e você não consegue fazer essa transição da vigília para o sono”.
Além de ajudar a entender a insônia, o estudo abre portas para o uso do ponto de inflexão como biomarcador de saúde cerebral. Com distúrbios do sono cada vez mais associados a demência e Alzheimer, compreender melhor a transição para o sono pode abrir caminho para a prevenção e tratamentos mais eficazes.
Um dos esqueletos de hominínios (humanos e seus ancestrais fósseis) mais completos já encontrados no mundo, o StW 573 — carinhosamente apelidado de Little Foot — começou a ser desenterrado em 1994, quando ossos de um pequeno pé (daí o apelido) foram encontrados nas cavernas de Sterkfontein, na África do Sul.
Depois de pacientemente separado da rocha endurecida que o envolvia — processo concluído apenas em 2018 —, o esqueleto, com cerca de 3,7 milhões de anos, se tornou uma peça-chave para entender como os ancestrais do gênero Homo se locomoviam, se equilibravam e interagiam com o ambiente.
Paradoxalmente, a preservação excepcional do Little Foot deu origem a uma das maiores controvérsias da paleontologia moderna. O paleoantropólogo Ron Clarke, responsável por sua escavação e reconstrução, rejeitou a classificação tradicional, argumentando que o fóssil não deveria ser atribuída à espécie Australopithecus africanus.
Para Clarke, o Little Foot representaria uma espécie diferente — o Australopithecus prometheus —, proposto originalmente em 1948 para fósseis encontrados mais ao norte do país, em Makapansgat, mas que nunca foi plenamente aceito pela comunidade científica, que continuou tratando a espécie como sinônimo de A. africanus.
Agora, um estudo publicado recentemente na revista American Journal of Biological Anthropology testou a hipótese de que o espécime fóssil StW 573 (Little Foot) possa ser atribuído taxonomicamente a Australopithecus prometheus. A conclusão foi clara: não há base morfológica suficiente para essa classificação.
Como a investigação de Little Foot colocou A. prometheus em xeque?
As diferenças na base do crânio são determinantes para indicar que as espécies são diferentes • Jesse M. Martin et al., American Journal of Biological Anthropology, 2025/Siculgação
No novo estudo, os pesquisadores compararam detalhadamente a anatomia do espécime StW 573 (Little Foot) com fósseis atribuídos a Australopithecus africanus e com o único exemplar associado a A. prometheus: um fragmento craniano conhecido como MLD 1.
Para isso, a equipe utilizou um scanner 3D de alta resolução, criando reconstruções digitais precisas do StW 573, do MLD 1 e de fósseis de A. africanus. A análise revelou ao menos cinco diferenças anatômicas, envolvendo a parte posterior do crânio, a crista sagital (elevação óssea associada à musculatura da mastigação), o plano da nuca e as suturas ósseas.
Em entrevista ao The Guardian, o pesquisador-líder do estudo, Jesse Martin, da Universidade La Trobe, na Austrália, explicou que, “quando se encontram diferenças na base do crânio, elas têm mais chance de indicar espécies diferentes, porque essa região evolui lentamente. Todas as diferenças que identificamos estão ali”, afirmou.
Os autores perceberam que o MLD 1 é muito mais parecido com os fósseis clássicos de A. africanus, reforçando a tese de que A. prometheus não se sustenta como uma espécie independente, mas como um nome alternativo para uma espécie já reconhecida desde 1924.
Isso significa que, ao tentar encaixar corretamente o Little Foot, os pesquisadores acabaram expondo a fragilidade do próprio conceito de A. prometheus, ao mostrar que o fóssil MLD 1 não apresenta características suficientes para sustentar essa espécie como distinta.
Seria o Little Foot uma nova espécie na árvore genealógica humana?
Mesmo não sendo esse o seu objetivo, o estudo acabou criando um paradoxo científico. Como testar a hipótese de que o espécime fóssil StW 573 (Little Foot) deve ser atribuído taxonomicamente a Australopithecus prometheus, se essa designação não representa, em si, uma espécie autônoma, mas apenas outro nome para A. africanus?
E, para aprofundar ainda mais o debate, os autores concluíram que, além de não poder ser classificado como A. prometheus, o espécime StW 573 também apresenta diferenças anatômicas importantes em relação aos demais fósseis atribuídos a A. africanus. Isso leva à questão: estaríamos diante de uma nova espécie?
Esse “plot twist” científico pode ter um impacto na paleontologia, que vai além de uma simples disputa de nomes. Ele destaca a dificuldade de classificar espécies a partir de fósseis fragmentários e reforça a importância de critérios rigorosos — e mais modernos — na taxonomia evolutiva. Mesmo fósseis mais antigos podem ter muito a nos revelar.
No próprio artigo, os autores sugerem: “É mais apropriado que uma nova espécie seja nomeada pela equipe de pesquisa que passou mais de duas décadas escavando e analisando o notável espécime de Little Foot. Esperamos que eles vejam nossa sugestão a esse respeito como um conselho bem-intencionado”, concluem.
O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia sofreu mais um adiamento, frustrando as expectativas de conclusão das negociações que já se arrastam por mais de duas décadas.
A decisão ficou clara durante a cúpula de líderes do Mercosul realizada em Foz do Iguaçu (PR), quando o Paraguai assumiu a presidência do bloco sul-americano.
A União Europeia não conseguiu aprovar o tratado devido à resistência de alguns países membros, principalmente França e Itália, que pediram o adiamento da votação no Conselho Europeu.
Às vésperas da reunião do Mercosul, quando era esperada a assinatura do acordo, agricultores europeus voltaram a protestar contra o tratado, ateando fogo em uma praça central de Bruxelas, capital da Bélgica, próxima ao Parlamento Europeu.
Esta postura impediu que Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, assinasse o acordo comercial conforme previsto.
Protecionismo agrícola como principal obstáculo
O principal ponto de conflito nas negociações está relacionado ao protecionismo comercial, especialmente por pressão dos agricultores europeus. Estes temem que a entrada de produtos sul-americanos no mercado europeu possa prejudicar seus negócios e causar impactos econômicos negativos em seus setores.
Apesar da frustração com o adiamento, O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), informou que recebeu uma carta de líderes europeus na qual se comprometem a assinar o acordo em janeiro de 2026.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, sinalizou que pode trabalhar para convencer o setor agrícola de seu país e viabilizar a assinatura do tratado na data prometida.
Após manifestar duras críticas e até indicar que não prosseguiria com as negociações, o presidente Lula demonstrou confiança em um desfecho positivo para este acordo que tem sido discutido por mais de vinte anos.
O Mercosul aceitou aguardar o novo prazo estabelecido pelos líderes europeus, mantendo a expectativa de concretização do tratado comercial que promete benefícios econômicos para ambos os blocos.
O que é o acordo de livre comércio Mercosul-UE?
Desde 1999, Mercosul e União Europeia trabalham na construção de um acordo de livre comércio entre os dois blocos.
Os acordos de livre comércio são tratados bilaterais firmados entre blocos e/ou países para abrir as portas aos negócios entre as partes.
Regras de origem, comércio de serviços, compras governamentais, propriedade intelectual, barreiras técnicas, defesa comercial e outros tópicos são alguns sobre os quais esses acordos abordam e buscam facilitar.
Essa modalidade é mais ampla que os acordos de preferência comercial, que promovem essa abertura no comércio de bens em menor expressividade, sem estabelecer limites mínimos ou máximos de comércio.
Durante a Cimeira da América Latina, Caribe e UE, realizada no Rio de Janeiro, entre junho e julho de 1999, foram lançadas as tratativas entre o Mercosul e o bloco europeu. Já no começo, a avaliação era de que as negociações seriam longas e difíceis.
A princípio, o interesse era a complementaridade que as partes tinham a oferecer entre si: enquanto o Mercosul carrega oportunidades fortes no agronegócio — principalmente por conta do Brasil —, a UE tem uma indústria mais robusta — encabeçada pela Alemanha.
Com o passar dos anos, a indústria alemã não conseguiu acompanhar o ritmo e se manter competitiva contra a chinesa, tornando o acordo uma alternativa para segurança de sua economia. Enquanto isso, o agronegócio francês tornou a Europa seu principal cliente, mas não evoluiu o suficiente para se comparar ao agro brasileiro.
Por conta da complexidade do assunto que o debate se estendeu por 25 anos. Agora, na Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, a expectativa é grande para que o acordo seja anunciado.
Em dezembro de 2024, o acordo enfim foi anunciado, em Montevidéu, capital do Uruguai, que sediou a Cúpula de Chefes de Estado do bloco.
O que o acordo prevê?
O capítulo de bens estabelece o livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, a partir de compromissos entre as partes sobre o comércio de bens.
Temas como tratamento nacional, taxas e outros encargos sobre importações e exportações, procedimentos de licenciamento de importação e exportação, tributos incidentes sobre exportação, empresas estatais, bens reparados e outros são abordados para firmar as bases do acordo.
92% dos produtos originários do Mercosul e 95% das linhas tarifárias devem ficar livres de taxações na UE, segundo as preferências previstas no capítulo de bens. Para efeito comparativo, sem o acordo, apenas 24% das exportações que chegam na Europa são isentas de tarifas.
Já por parte do Mercosul, a previsão é liberar 91% das importações originárias da UE das cobranças.
A UE vai eliminar 100% de suas tarifas industriais em até dez anos, enquanto o Mercosul vai cortar 91% em termos de linhas tarifárias e de comércio em até 15 anos.
Já no agronegócio, a UE deveria garantir acesso preferencial ao Mercosul a praticamente todos os seus produtos agrícolas e a 97% de linhas tarifárias, enquanto os membros do bloco sul-americano darão acesso aos europeus a 98% do comércio e 96% das linhas tarifárias.
Regras de origem, facilitação de comércio, compras governamentais, padronização de propriedade intelectual e até apoio a pequenas e médias empresas e o setor de serviços são previstos no acordo, além de outros assuntos tratados.
Salvaguardas
Ao longo de 2025, ambas as partes debateram internamente a regulação do acordo. Do lado da UE, buscou-se avançar em salvaguardas mais rigorosas para produtos agrícolas do Mercosul.
Países liderados por França e Itália afirmaram que não estavam dispostos a apoiar o acordo comercial e exigiram medidas adicionais para proteger seus agricultores.
Os países do Mercosul estão fortemente contrariados com as salvaguardas recém-criadas pela União Europeia contra seus produtos agrícolas, mas vão aceitar o novo mecanismo como uma forma de “salvar” o acordo de livre comércio entre os dois blocos. Segundo relatos feitos à CNN Brasil, o objetivo é evitar reações mais virulentas, que possam levar a uma escalada de acusações mútuas entre UE e Mercosul.
Futuro do acordo
A declaração final da Cúpula de Líderes do Mercosul, realizada no dia 20 de dezembro em Foz do Iguaçu, refletiu um sentimento unânime entre os presidentes sul-americanos: a decepção com a União Europeia.
Ao assumir a presidência pro tempore do bloco, o Paraguai deu seu recado sobre o acordo junto à UE: tem “disposição construtiva” para dar continuidade ao diálogo e tentativa de assinar o tratado, mas o tempo para que isso aconteça “não é infinito”.
Enquanto isso, integrantes do governo brasileiro passaram a defender que o bloco foque em fazer andar de forma mais célere as demais negociações comerciais no radar. Há pelo menos 11 novos países em conversas com o Mercosul, em distintos estágios, sem contar a revisão de pactos já vigentes.
“Um desafio inédito” foi a maneira como o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), se referiu ao tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil em seu pronunciamento de véspera de Natal da quarta-feira (24).
Não só o país como todos os parceiros comerciais dos EUA viram suas economias serem atingidas pelas tarifas de importação do presidente norte-americano Donald Trump.
Promessa de campanha
Desde a campanha presidencial, Trump enfatizava em seus comícios como “amava” a palavra “tarifas”. A promessa eleitoral do republicano fazia parte de uma estratégia para fortalecer a economia norte-americana em duas pontas:
Favorecer a produção de manufaturados no país;
Reduzir o déficit da balança comercial dos EUA.
Trump argumentava que o país viu sua indústria ruir, passando a depender dos importados de todo o mundo. Nesse processo, afirma que os EUA deixaram de ser um país exportador para comprar mais do que vender.
Em 2024, o déficit comercial dos EUA foi de US$ 918,4 bilhões, uma alta de US$ 133,5 bilhões – ou 17% – ante 2023, segundo os dados do BEA (Departamento de Análise Econômica) e do Departamento do Censo dos EUA.
Após retornar à Casa Branca, Trump solicitou uma série de estudos para avaliar o que chamava de desequilíbrio comercial e relações injustas entre os EUA e seus parceiros comerciais. Desde o começo, o Brasil esteve na mira da gestão republicana, num primeiro momento por conta de barreiras aplicadas pelo país no comércio de etanol.
Começa o tarifaço
Chega então 2 de abril, data batizada pelo presidente norte-americano como “Dia da Libertação”. Os países foram atingidos pelas chamadas “tarifas recíprocas”. Na ocasião, a alíquota reservada ao Brasil foi de 10%.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e sua tabela de tarifas • Chip Somodevilla/Getty Images
Mais tarde, em julho, Trump voltou a atacar o Brasil, dizendo que o país estava sendo “muito ruim” para os norte-americanos, e criticando o que chamou de censura e “caça às bruxas” por parte do STF (Supremo Tribunal Federal) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O presidente anunciou que elevaria a tarifa aplicada contra produtos brasileiros a 50% a partir de agosto.
Desde então, o comércio entre as partes retraiu e uma tensão política começou a se construir no entorno do imbróglio comercial, à medida que não se formavam canais efetivos de comunicação entre os dois países.
Os envios mensais do Brasil aos norte-americanos vinham se recuperando desde a pandemia, atingindo um pico de US$ 4 bilhões em junho de 2022 e, desde então, mantendo-se numa faixa em torno de US$ 2,5 bilhões e US$ 3,5 bilhões a depender do mês.
Neste ano, desde o auge de US$ 3,8 bilhões de julho, as exportações brasileiras aos EUA caíram a US$ 2,2 bilhões em outubro. No mês de novembro, tiveram ligeira recuperação a US$ 2,6 bilhões.
Dados do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil) indicam que as compras de café brasileiro pelos EUA recuaram mais de 50% entre agosto e novembro, em relação a 2024. Ainda assim, os Estados Unidos se mantiveram como o principal destino do café exportado pelo Brasil nos primeiros 11 meses de 2025.
Já as exportações de produtos de madeira do Brasil para os Estados Unidos caíram 55% ao longo dos meses em que o tarifaço de Donald Trump esteve em vigor, segundo análise da Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente), com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).
Pauta exportadora
Entre os principais produtos que o Brasil exporta aos EUA, destacam-se:
Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, crus: responde por 12,4% das exportações brasileiras para os norte-americanos entre janeiro e novembro de 2025;
Produtos semi-acabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço: 9,1%;
Aeronaves e outros equipamentos, incluindo suas partes: 7%;
Café não torrado: 5,2%;
Ferro-gusa, spiegel, ferro-esponja, grânulos e pó de ferro ou aço e ferro-ligas: 4,8%;
Óleos combustíveis de petróleo ou de mineirais betuminosos (exceto óleos brutos): 4,4%;
Sucos de frutas ou de vegetais: 3,9%;
Instalações e equipamentos de engenharia civil: 3,6%;
Celulose: 3,6%;
Carne bovina fresca, refrigerada ou congelada: 3,1%.
Além destes, destacam-se também setores menores que, apesar de não terem envios expressivos para aparecer entre os produtos mais enviados, dedicam praticamente tudo que produzem ao mercado norte-americano. É o caso dos setores de pescados, frutas, madeira e calçados.
Tensão
Com a aplicação da alíquota de 50% em agosto, veio também a politização do debate do tarifaço. Ao incluir em seu discurso o ataque ao Supremo, Trump muniu tanto oposição quanto situação.
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Eduardo, que está nos EUA desde o começo do ano buscando articulação com a direita estrangeira para apoiar o pai, disse que o tarifaço veio como consequência às ações do ministro Alexandre de Moraes. Ao lado do jornalista Paulo Figueiredo, afirmaram que as tarifas foram discutidas em reuniões que eles tiveram com autoridades do governo norte-americano.
Enquanto isso, o governo Lula embarcou em um discurso pela soberania nacional, defendendo as instituições e a indústria do país. A popularidade do presidente da República, que vinha em queda, ganhou fôlego após o petista antagonizar com os Estados Unidos.
Porém, para responder ao tarifaço, articulou-se uma “separação entre Igreja e Estado”. As negociações buscavam enfatizar argumentos técnicos, tentando despolitizar a discussão para evitar atrito ideológico com o governo Trump.
Com apoio do setor privado, o diálogo foi encabeçado pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB).
Vice Presidente da República Geraldo Alckmin durante Videoconferência com Howard Lutnick, Ministro de Comércio dos EUA • Cadu Gomes/VPR
O setor privado teve maior abertura com suas contrapartes norte-americanas, e até acesso à Casa Branca, como no caso do empresário Joesley Batista, do grupo J&F.
Contudo, penava a avançar a conversa entre os governos via canais de alto nível. A conversa entre os presidentes também parecia, até então, mais distante ainda.
Abraço, química e virada na maré
Quando Lula foi aos Estados Unidos em setembro para participar da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), não havia sequer sinalização de encontro com seu par norte-americano.
Foi nos corredores da ONU em Nova York onde os dois se encontraram e o diálogo começou, por um acaso, com um abraço.
“Nós não tivemos muito tempo para falar aqui, foram tipo, 20 segundos, mas conversamos, tivemos uma boa conversa e combinamos de nos encontrar na semana que vem, se for do seu interesse. Ele parecia um homem muito legal, na verdade, ele gostava de mim, eu gostava dele. E eu só faço negócios com pessoas de quem gosto”, afirmou Trump em seu discurso à Assembleia Geral.
“Tivemos ali uma química excelente e isso foi um bom sinal.”
Dali em diante os dois tiveram reuniões presenciais e trocaram telefonemas, tratando desde a questão comercial até a articulação entre os dois países para combater o crime organizado.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião com presidente dos EUA, Donald Trump, em Kuala Lumpur, na Malásia 26/10/2025 • REUTERS/Evelyn Hockstein
Alívio do tarifaço
No dia 14 de novembro, Trump derrubou as tarifas recíprocas aplicadas no dia 2 de abril para uma série de produtos agrícolas comprados pelos EUA. A medida veio em meio aos reflexos do tarifaço nos preços das prateleiras nos supermercados norte-americanos.
Mais tarde, em 20 de novembro, o presidente dos EUA assinou uma ordem executiva que eliminou a tarifa extra de 40% aplicada contra parte dos produtos agrícolas brasileiros, com validade retroativa a 13 de novembro.
De acordo com o Itamaraty, mais de 200 produtos brasileiros tiveram a cobrança adicional suspensa. A decisão contemplou produtos como carne bovina, café, frutas, e também recursos naturais, como petróleo.
Roberto Uebel, economista e professor de Relações Internacionais na ESPM, vê por parte do Brasil uma resposta pragmática e enfática ao tarifaço.
“Foi possível abrir também um canal de diálogo entre os dois governos, entre o presidente Lula e o presidente Trump, e me parece que há uma retomada das relações e um bom entendimento entre os dois líderes”, afirmou.
Nesse sentido, o especialista em direito econômico internacional Emanuel Pessoa destacou como foi importante a articulação com o setor privado.
“O vice-presidente Alckmin mobilizou empresas americanas com operações no Brasil, criando uma frente empresarial que pressionou Washington contra as tarifas. A estratégia foi inteligente e mostrou que a medida prejudicava também interesses americanos”, complementou Pessoa.
Porém, Pessoa ressalta que, apesar de praticamente findo, o período do tarifaço expôs riscos e fraquezas do país.
Pessoa destaca a instabilidade a qual ficou submetida o mercado brasileiro. “Os investidores brasileiros enfrentaram três ondas de impacto. Primeiro, aumento da aversão ao risco nos ativos domésticos. Segundo, pressão cambial. Terceiro, reprecificação setorial”, comentou.
De acordo com ele, os efeitos que ficaram para o Brasil foram predominantemente conjunturais, mas com lições estruturais importantes.
Uebel aponta que vê impactos estruturais em setores muito específicos, como o de calçados, sobretudo da região Sul do Brasil.
“Mais especificamente no Vale dos Sinos, no Rio Grande do Sul. Até agora, os impactos não foram revertidos, o que pode gerar o fechamento de indústrias, demissões, desemprego, impacto no poder de compra na economia local”, analisou Uebel.
Segundo um estudo da Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil) divulgado em 19 de dezembro, no período entre agosto e novembro, 21 setores apresentaram retração nas vendas para os EUA em comparação com os mesmos meses de 2024. Destes, apenas seis conseguiram compensar suas respectivas perdas com as sobretaxas dos Estados Unidos.
Para os analistas, a lição que fica do tarifaço é a necessidade por abertura comercial.
“Simultaneamente, o governo mapeou mercados alternativos: Arábia Saudita, Vietnã e Singapura para carne bovina; China e Índia para café; aceleração nas negociações Mercosul-UE. Porém, a resposta teve limitações – o Brasil ainda carece de uma política industrial robusta e mecanismos mais ágeis de diversificação. A reação foi eficaz no curto prazo, mas evidenciou a necessidade de estratégias comerciais mais proativas para o futuro”, concluiu Pessoa.
Uebel acredita que podemos esperar ao longo dos próximos meses um caminho para a volta à normalidade das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
Mas o economista e professor de RI na ESPM frisou a importância de o Brasil procurar novos mercados alternativos não só aos EUA, mas também à China, buscando uma relação de parcerias comerciais estratégicas.
“Minha aposta: Índia e Indonésia, que estarão aí entre as quatro maiores economias do mundo a partir de 2050, segundo estudos recentes do Fórum Econômico Mundial e do Banco Mundial. São mercados emergentes importantes”, argumentou.
Em seu pronunciamento, Lula avaliou que “um ano difícil, com muitos desafios” chegou na conclusão de “que todos que torceram ou jogaram contra o Brasil acabaram perdendo”.
“Um ano em que o povo brasileiro sai como o grande vencedor.”
Contudo, o tarifaço ainda não acabou. Nem todos os setores foram poupados da alíquota de 50%, inclusive aqueles que dependem fortemente dos EUA. Estes, seguem lutando para sobreviver.
Cria do Flamengo, o atacante Vinicius Júnior comemorou a conquista do tetracampeonato da Copa Libertadores da América. No sábado, o time carioca bateu o Palmeiras por 1 a 0, em Lima, no Peru.
Pelas redes sociais, Vinicius Júnior celebrou o título do Flamengo, que veio com um gol de cabeça de Danilo, no segundo tempo da grande final.
“Ser Flamengo é um Carnaval”, publicou Vinicius Júnior no Instagram. Em outra postagem, o jogador do Real Madrid homenageou Danilo. “Eu te falei manooooo!! Obrigado por isso!!!”, escreveu.
Vini Jr. foi revelado pelo Flamengo e defendeu a equipe entre os anos de 2017 e 2018. Pelo clube carioca, realizou 69 partidas, com 14 gols marcados e cinco assistências.
O atleta foi vendido para o Real Madrid por 45 milhões de euros (cerca de R$ 164 milhões na cotação da época), em 2017. No entanto, ele só foi para a Espanha em 2018, após completar 18 anos.
O Flamengo se tornou o primeiro clube brasileiro a ganhar a Copa Libertadores em quatro oportunidades. O time rubro-negro levantou o troféu continental em 1981, 2019, 2022 e 2025.
Flamengo venceu o Palmeiras por 1 a 0 no estádio Monumental de Lima, no Peru, e levou o título de campeão da Copa Libertadores 2025
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pode dar início à fisioterapia nesta sexta-feira (26), segundo estimativa do médico chefe da equipe cirúrgica do hospital DF Star, em Brasília, Cláudio Birolini.
Na última quinta-feira (25), Bolsonaro foi submetido a uma cirurgia para corrigir uma hérnia inguinal bilateral, que segundo a equipe médica, ocorreu dentro do previsto e sem intercorrências. O procedimento começou por volta das 9h30 e durou cerca de quatro horas.
O médico afirmou que o ex-presidente tinha uma hérnia maior no lado direito. Do lado esquerdo, era uma hérnia ainda numa fase inicial, mas que se não resolvesse agora, ele desenvolveria o mesmo quadro clínico. O procedimento corrigiu a hérnia nos dois lados.
Segundo boletim médico divulgado na tarde de quinta, além da fisioterapia, Bolsonaro deve passar por analgesia e prevenção de trombose venosa no pós-operatório.
Apneia do sono
O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) relatou, na noite de quinta, que está se revezando com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) para monitorar o pai no pós-operatório por episódios de apneia do sono.
Segundo Carlos, foram mais de 90 casos por hora. “Essa disfunção, se não acompanhada de perto, pode agravar significativamente o quadro clínico e levar a situações ainda mais graves do que as já enfrentadas”, disse.
Novo procedimento para tratar soluços
O ex-presidente está sendo avaliado pela equipe médica para um possível bloqueio anestésico do nervo frênico a fim de tratar as crises de soluços. A intervenção pode acontecer na segunda-feira (29).
De acordo com a equipe médica responsável, Bolsonaro deve ficar internado entre cinco e sete dias para cuidados pós-operatórios. Esse tempo pode ser maior se a intervenção para soluços for, de fato, realizada na segunda.
Contudo, a alta hospitalar dependerá da evolução clínica e da capacidade de o ex-presidente retomar os cuidados básicos, como tomar banho e realizar o autocuidado.
Questionados sobre a possibilidade de ele seguir para a Superintendência da PF (Polícia Federal) após a internação, os médicos afirmaram que ainda é cedo para avaliar e que tudo dependerá da recuperação nos próximos dias.
*Publicado por Douglas Porto, com informações do Estadão Conteúdo
A seção de basquete do Sport Club Operário de Cem Soldos (SCOCS), localizado em Tomar, divulgou no fim da tarde de terça-feira uma nota em suas redes sociais lamentando a morte de Alfie Hallett, jovem de 13 anos que integrava o clube.
O adolescente foi esfaqueado até a morte pelo ex-companheiro da mãe, na tarde de terça-feira, em Casais, Tomar. O agressor, que também acabou morrendo, ainda tentou explodir a casa da família. Alfie Hallett fazia parte da categoria sub-14 e havia entrado em quadra no último sábado.
“Hoje o SCOCS Basquete ficou mais pobre. Nosso atleta Alfie faleceu hoje aos 13 anos. Fez seu último jogo no sábado, jogou tão bem que parecia saber que seria seu último jogo, mas jamais imaginaríamos isso… Queremos dizer o quanto te amamos e que você continuará sempre em nossos corações. Descanse em paz”, diz a mensagem publicada nas redes sociais do clube.
O Chamusca Basket Clube, adversário de Alfie Hallett no jogo do último sábado, também divulgou uma nota de pesar nas redes sociais.
“É com profundo pesar que manifestamos nossas mais sinceras condolências pelo falecimento do menino Alfie Hallett, que amava jogar basquete pelo Sport Operário Cem Soldos/Tomar e que hoje, de forma trágica, nos deixou. Neste momento de dor, expressamos nossa solidariedade aos familiares, amigos e a todos que compartilham dessa perda irreparável. Que encontrem conforto nas boas lembranças e força para enfrentar este momento difícil. Em nossas memórias ficará o jogo do último sábado aqui no Chamusca Basket Clube”, destacou o clube português.
Ana Bengala, treinadora de Alfie no Sport Operário Cem Soldos, também se mostrou profundamente abalada com a morte do adolescente.
“A comunidade esportiva foi profundamente abalada pela trágica morte de um atleta da categoria sub-14 de basquete do SCOCS, de apenas 13 anos, vítima de um ato de violência absolutamente incompreensível. A notícia gerou grande comoção entre atletas, treinadores, dirigentes, pais e associados, que se encontram unidos em um momento de dor e luto. O jovem atleta era visto como um membro querido da família esportiva, deixando uma marca indelével em todos que conviveram com ele”, afirmou a treinadora, citada pelo portal Tomar na Rede.
“A associação expressa suas mais sentidas condolências à família e aos amigos, ressaltando a perda irreparável de uma vida tão jovem e promissora. A memória do atleta permanecerá viva no clube e em todos aqueles que tiveram o privilégio de conhecê-lo”, concluiu.
A morte do jovem atleta também foi lamentada pela Associação de Basquete de Santarém, que publicou uma nota nas redes sociais: “À família, amigos, companheiros de equipe e a toda a comunidade do basquete, a Associação de Basquete de Santarém manifesta suas mais sinceras condolências.”
O autor do crime, de 43 anos, tinha nacionalidade portuguesa e antecedentes criminais, já tendo cumprido pena de prisão por homicídio qualificado.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos afirmou ter descoberto mais de um milhão de documentos potencialmente relacionados ao caso Jeffrey Epstein e que precisará de algumas semanas para analisá-los e divulgá-los ao público.
Segundo informações do departamento, advogados estão trabalhando para revisar os documentos e proteger as vítimas.
O anúncio surge após uma semana de divulgações de documentos relacionados ao caso, conforme exigido por uma nova lei de transparência aprovada pelo Congresso americano em novembro.
O departamento já vinha sendo criticado por não divulgar todas as informações anteriormente, embora as autoridades insistissem que precisavam de tempo para redigir informações a fim de proteger as vítimas e atenuar outras possíveis preocupações legais.
Lote de provas do FBI contra Epstein
Os documentos recentemente divulgados em 19 de dezembro revelaram que os procuradores federais coletaram provas em 2020 de que Trump voou no avião particular de Epstein várias vezes na década de 1990, e que o Departamento de Justiça intimou o clube Mar-a-Lago de Trump antes do julgamento de Ghislaine Maxwell, namorada de do ex-financista, em 2021.
No entanto, o presidente americano nunca foi acusado por nenhuma agência policial de envolvimento em qualquer crime de Epstein e nega qualquer irregularidade.
Outros documentos divulgados na semana passada revelaram fotos inéditas do ex-presidente Bill Clinton com Epstein, nadando em uma piscina com Maxwell e sentado em uma banheira de hidromassagem com uma mulher cujo rosto foi ocultado.
Clinton também nunca foi acusado pelas autoridades de qualquer envolvimento nos crimes de Epstein.
Em resposta às revelações, o porta-voz de Clinton, Angel Ureña, disse: “Há dois tipos de pessoas aqui. O primeiro grupo não sabia de nada e cortou relações com Epstein antes que seus crimes viessem à tona. O segundo grupo continuou a ter contato com ele depois. Nós estamos no primeiro grupo.”
RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) – O Flamengo já vislumbra os próximos passos para ir à frente com o projeto da construção do estádio próprio e terá uma “poupança prévia” para a construção, nas palavras do presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap.
Na última semana, o clube obteve a posse do terreno do antigo Gasômetro, após reunião o Conselho Curador do FGTS manifestar parecer favorável ao Termo de Conciliação relativo ao reequilíbrio econômico-financeiro da desapropriação da área. O tema foi abordado pelo mandatário em reunião com conselheiros.
“Vamos criar uma poupança prévia para que na hora certa decida se faz e como fazer o estádio. O próximo passo é a saída da Naturgy do terreno, ela pode sair em até quatro anos. A gente espera que seja o mais rápido possível. Só podemos fazer uma descontaminação mais profunda (do terreno) quando eles saírem”, disse Bap.
O Conselho Curador do FGTS indicou também que o Flamengo terá de pagar um adicional de R$ 23,6 milhões, divididos em cinco parcelas anuais com a devida correção monetária. Apesar de o acordo ter sido firmado no ano passado, a minuta passou por ajustes técnicos em setembro. O clube pagou R$ 138.195.000,00 em leilão realizado em julho de 2024.
GESTÃO BAP QUER REDUZIR CUSTOS
Em agosto, o Rubro-Negro costurou um acordo com a Prefeitura do Rio de Janeiro para “prorrogação dos prazos necessários à execução do projeto” do estádio próprio. À época, o clube apontou que seguiria os estudos de viabilidade e desenvolvimento do projeto. Tais avaliações foram iniciadas no começo do ano e “promoveram avaliações técnicas e econômicas, conduzidas por empresas e consultorias especializadas”.
Inicialmente, a diretoria encabeçada por Rodolfo Landim preparou um orçamento que previa R$ 1,9 bilhão para fazer um estádio com capacidade próxima de 80 mil. A nova gestão, porém, indicou ao Conselho Deliberativo outras adaptações no projeto para diminuir custos. Entre elas, uma redução da capacidade em seis mil lugares: o novo número é de 72 mil pessoas.
Além disso, seria retirado do projeto o telão em formato gigante que resultaria em um redução de custo de R$ 200 milhões. As obrigações de obras no entorno feitas com a prefeitura do Rio também teriam um corte para diminuir o valor final.
PLANOS PARA O MARACANÃ
Paralelamente a isso, o Flamengo permanece com planos para o Maracanã, estádio do qual é um dos gestores, ao lado do Fluminense – a concessão junto ao Governo do Estado do Rio de Janeiro tem vínculo de 20 anos.
Bap voltou a falar sobre a contratação de consultoria para realizar melhorias no gramado. “Contratamos uma consultoria da Fifa que avaliou o gramado do Maracanã de 1 a 5. nesta quinta-feira (25) a nota é de 3 a 3,5. Em 2026, queremos ser 4 e 5 em 2027. Tivemos R$ 120 milhões de faturamento no Maracanã em 2025 e vamos fazer R$ 192 milhões em 2026 sem shows e sem gramado de plástico.”
O presidente revelou também outras intervenções e afirmou que vai aplicar reciprocidade caso a torcida do Flamengo, quando visitante, encontre dificuldades para assistir à partida.
“Vamos elevar o padrão da estrutura do Maracanã. Estamos fazendo um camarote da presidência que vai ser nível Santiago Bernabéu [estádio do Real Madrid], inaugura agora em janeiro. Vamos fazer uma série de intervenções, ter aquela rede que, em alguns lugares, que tem no campo do Atlético-MG e Palmeiras. Vamos ser recíprocos: se nos recebe com aquela m… de rede, vai ter uma pior e mais fechada no Maracanã.”