O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deve ser submetido a um novo procedimento para tentar colocar fim aos soluços. A equipe médica tem programada para esta segunda-feira (29) a realização do bloqueio do nervo frênico esquerdo.
Durante o fim de semana, o ex-presidente — que já estava internado após cirurgia de hérnia inguinal — apresentou forte crise de soluços e, então, foi submetido a bloqueio anestésico do nervo frênico direito. O procedimento é pouco invasivo e temporário.
O bloqueio do nervo frênico consiste em um procedimento para conter os movimentos do músculo do diafragma, com impacto nas crises de soluços. Os médicos lançaram mão da alternativa após o ex-presidente não responder ao tratamento medicamentoso.
O procedimento foi realizado primeiro de um lado para verificar como o ex-presidente reagiria à intervenção. Para esta segunda está programada a realização do procedimento do outro lado.
De acordo com boletim médico divulgado no domingo (28), a aplicação do primeiro bloqueio no sábado (27) não apresentou a reação esperada. Durante a noite, Bolsonaro teve uma nova crise de soluço, o que manteve a previsão da outra intervenção nesta segunda.
“Na noite passada, apresentou nova crise de soluços, apesar do procedimento realizado, além de elevação da pressão arterial. No momento encontra-se estável e sem soluços. Para amanhã (29), está programada a complementação do tratamento, com bloqueio do nervo frênico esquerdo, para posterior avaliação dos resultados. O paciente deverá seguir com fisioterapia para reabilitação, medidas de profilaxia de trombose venosa e cuidados clínicos”, dizia o boletim.
Segundo os médicos, a realização dos procedimentos não alteram a previsão de permanência do ex-presidente no hospital, devendo chegar a sete dias de internação.
Jair Bolsonaro foi transferido para a unidade na última quarta-feira (24) e passou por uma cirurgia para corrigir hérnia inguinal bilateral na quinta-feira (25). Segundo os médicos, o procedimento transcorreu como o previsto e sem intercorrências.
O exército chinês anunciou a mobilização de unidades do exército da marinha, da força aérea e de mísseis ao redor de Taiwan em grandes exercícios militares para testar o que classificou como prontidão para o combate e enviar um “aviso sério” contra qualquer tentativa de independência nesta segunda-feira (29).
O governo de Taiwan condenou os exercícios, acusando a China de “intimidação militar”.
A China intensificou significativamente os exercícios de cerco a Taiwan desde 2022, após a visita da então presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, a Taipei, que representou uma demonstração significativa de apoio a Taiwan e enfureceu a liderança de Pequim.
O Comando do Teatro Oriental da China está conduzindo os exercícios mais recentes, denominados “Missão Justa 2025”, em cinco blocos oceânicos ao redor da ilha, incluindo o Estreito de Taiwan, ao norte, sudoeste, sudeste e leste de Taiwan.
As áreas estarão sob restrições de espaço marítimo e aéreo por 10 horas a partir das 8h30, horário local.
Shi Yi, porta-voz do Comando do Teatro Oriental, afirmou que os exercícios se concentrarão em “treinamento de patrulhas de prontidão para combate marítimo e aéreo, tomada de controle abrangente” e “bloqueio e controle de portos-chave e áreas críticas”.
O exercício mais recente ocorre após um acordo histórico de US$ 11,1 bilhões em armas entre os EUA e Taiwan, que incluiu sistemas de foguetes HIMARS, mísseis antitanque e antitanque, drones de patrulha, obuses e software militar.
Ele também ocorre depois que Pequim expressou irritação com as declarações da primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, que disse que seu país poderia responder militarmente se a China tentasse tomar o controle de Taiwan pela força.
“Este exercício serve como um sério aviso às forças separatistas da ‘independência de Taiwan’ e às forças externas que interferem, e é uma ação legítima e necessária para salvaguardar a soberania nacional e manter a unidade nacional”, disse Shi.
O Partido Comunista Chinês reivindica Taiwan, uma ilha autônoma e democrática, como parte de seu território soberano, apesar de nunca ter controlado.
Em comunicado, a porta-voz da presidência de Taiwan, Karen Kuo, afirmou que os exercícios militares “minam flagrantemente a segurança e a estabilidade do Estreito de Taiwan e da região do Indo-Pacífico” e “desafiam abertamente as leis e a ordem internacionais”.
“Condenamos veementemente o desrespeito das autoridades chinesas às normas internacionais e o uso da intimidação militar para ameaçar os países vizinhos”, declarou Kuo.
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Jorge Jesus segue de olho no Flamengo, elogiou o desempenho rubro-negro este ano, mas afirmou que os comandados de Filipe Luís não superaram o time de 2019.
“Continuam sendo os melhores”, afirmou o técnico português, hoje no Al Nassr, ao canal GOAT.
Jorge Jesus contou que acompanha todos os jogos de seu ex-clube, incluindo a final contra o PSG, pela Copa Intercontinental. O duelo terminou com triunfo francês nos pênaltis.
O treinador, porém, foi direto ao colocar o Flamengo de 2019 na frente do deste ano. “Não [superou]”
Jorge Jesus conquistou cinco título pelo Fla em pouco mais de um ano: Brasileirão 2019, Libertadores 2019, Recopa Sul-Americana 2020, Supercopa do Brasil 2020 e Campeonato Carioca 2020.
O Rubro-Negro chegou a 29 jogos de invencibilidade sob o comandando do português. Ao todo, foram 58 partidas, 44 vitórias, 10 empates e 4 derrotas, além de 132 gols marcados e 48 sofridos.
Filipe Luís também chegou a cinco taças pelo time carioca, sendo quatro delas levantadas este ano: Copa do Brasil (2024), Campeonato Carioca (2025), Supercopa do Brasil (2025), Libertadores (2025) e Campeonato Brasileiro (2025).
Ao menos 13 pessoas morreram e 98 ficaram feridas aós o descarrilamento de um trem interoceânico com 250 pessoas abordo neste domingo (28), no estado de Oaxaca, no sul do México, informaram autoridades locais.
A Marinha mexicana afirmou que o trem, que descarrilou perto da cidade de Nizanda, transportava nove tripulantes e 241 passageiros. Desses, 139 estavam fora de perigo, enquanto 98 ficaram feridos, incluindo 36 que receberam atendimento médico.
A presidente Claudia Sheinbaum afirmou em publicação na rede social X que cinco dos feridos estavam em estado grave e acrescentou que autoridades foram enviadas ao local para prestar assistência às famílias das vítimas.
“A Marinha Mexicana me informou que, tragicamente, 13 pessoas morreram no acidente do trem interoceânico; 98 ficaram feridas, cinco delas em estado grave. Os feridos estão nos hospitais do IMSS em Matías Romero e Salina Cruz, bem como nos hospitais do IMSS-Bienestar em Juchitán e Ixtepec.
Instruí o Secretário da Marinha e o Subsecretário de Direitos Humanos do Ministério do Interior a se deslocarem até o local e prestarem assistência pessoal às famílias; os representantes do IMSS e do IMSS-Bienestar também estarão presentes.
O Ministério do Interior coordenará os esforços. Agradeço o apoio do Governador de Oaxaca e sua equipe. Continuaremos a fornecer atualizações.”
Me informa la Secretaría de Marina que en el accidente del Tren Interoceánico lamentablemente fallecieron 13 personas; 98 están lesionadas, cinco de ellas de gravedad. Los heridos se encuentran en hospitales del IMSS en Matías Romero y Salina Cruz, así como de IMSS-Bienestar en…
A Procuradoria-Geral da República do México já abriu um inquérito sobre o incidente.
O Trem Interoceânico, inaugurado em 2023 durante o governo do ex-presidente Andrés Manuel López Obrador, faz parte do projeto do Corredor Interoceânico.
A iniciativa foi concebida para modernizar a ligação ferroviária através do istmo de Tehuantepec, conectando o porto mexicano de Salina Cruz, no Pacífico, com Coatzacoalcos, na costa do Golfo do México.
GÉSSICA BRANDINO, IRAN ALVES E LUCAS BOMBANA SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Embora o Corinthians tenha garantido uma polpuda premiação em torno de R$ 98 milhões pela campanha vitoriosa rumo ao quarto título da Copa do Brasil, a maior parcela do valor será consumida por dívidas. A Folha localizou mais de R$ 57 milhões em 36 protestos contra o time feitos em cartórios do país até a primeira quinzena de dezembro.
A situação financeira da agremiação é muito ruim. De acordo com balanços apresentados pelos times brasileiros neste ano, o Corinthians está no topo da lista de clubes mais endividados do país, com uma dívida de cerca de R$ 2,7 bilhões. Procurado, o time não se manifestou até esta publicação.
O principal credor nos cartórios é a Fazenda Nacional, que concentra 99% do montante contestado. No dia 23 de setembro, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional registrou uma certidão de dívida ativa contra o Corinthians no valor de R$ 39 milhões referentes a uma dívida com a União.
No dia 21 de novembro, a Fazenda fez outros dez protestos em diferentes cartórios, totalizando outros R$ 17 milhões, por falta de retenção de diferentes tributos que deveriam ser repassados à Receita Federal e de outras contribuições federais obrigatórias.
Na sequência aparece uma empresa de coleta de lixo, à qual o Corinthians deve R$ 35 mil. Os 12 protestos foram feitos nos meses de junho e julho. O terceiro credor é uma empresa de medicina diagnóstica, com um protesto apresentado em julho no valor de R$ 13 mil.
Entre outros credores estão empresas de comunicação, embalagens e bancos. O protesto de menor valor, R$ 145, foi apresentado no dia 21 de junho pelo Governo de São Paulo, por uma taxa judiciária não paga.
“Quando você pensa que o clube tem que decidir o que ele vai pagar e o que não vai pagar, ele decide pagar o salário do jogador, mas não o fornecedor. E o fornecedor é quem garante a operação do clube no dia a dia. Isso é típico de clubes que vão ser estrangulados financeiramente em um dado momento, com penhora de receita, bloqueio de contas”, afirmou Amir Somoggi, diretor da consultoria Sports Value.
Mesmo que excluídos os custos referentes à construção do estádio em Itaquera, o saldo restante de R$ 1,9 bilhão cresce de forma consistente desde 2014 “e tem como característica um comportamento recorrente de não recolher impostos e encargos trabalhistas”, assinalou o economista César Grafietti, sócio da consultoria Convocados.
Desse montante, cerca de R$ 1 bilhão são salários e encargos atrasados, além de acordos e parcelamentos fiscais de imposto de renda, INSS e FGTS. “São valores que foram crescendo ao longo do tempo de forma premeditada: contrata-se o que não se pode pagar, a um custo de pelo menos 15% ao ano em juros. Ou seja, o problema foi criado pelo clube, em diversos mandatos.”
O reflexo disso é uma agremiação que não é capaz de pagar as despesas correntes, nem aquelas que foram repactuadas, disse Grafietti. “No final, os credores passam a usar as ferramentas disponíveis para tentar receber pelo serviço prestado, impactando ainda mais a situação do clube. O que se inicia como uma bola de neve já virou uma avalanche, com consequências graves para o futuro do clube.”
O economista afirmou que a dívida total do Corinthians representa cerca de 2,5 vezes a receita anualizada do clube. “O Corinthians não chegou a esses números por acaso. Eles foram construídos a partir de gestões que jamais se preocuparam com o futuro do clube”, afirmou Grafietti.
Somoggi, da Sports Value, lembra que a origem do buraco financeiro em que o Corinthians se encontra está, em boa parte, vinculada à construção da Neo Química Arena, finalizada em 2014, a um custo de aproximadamente R$ 1 bilhão.
“Nesse período, os juros bancários cresceram muito no Brasil. Hoje estamos falando em 15% do CDI. Então, o dinheiro que o clube faz de bilheteria vai todo para o fundo destinado ao pagamento do estádio”, afirmou Somoggi, lembrando que o Corinthians ainda tem uma pendência em torno de R$ 700 milhões apenas referente ao estádio.
Mais de uma década após o estádio ter sido palco da abertura da Copa do Mundo, apesar do pagamento de parcelas ao longo dos anos, a dívida com a Caixa não caiu como o clube projetava devido a juros, correções e encargos, provocados por atrasos na quitação do financiamento.
“A questão é que o Corinthians gasta como se fosse um clube saudável, sendo que hoje ele está completamente estrangulado financeiramente”, afirmou o consultor -somente considerando o ano de 2025, o clube projeta um prejuízo em torno de R$ 270 milhões.
Somoggi acrescentou que o Corinthians precisa gastar o mínimo possível neste momento para poder se equilibrar financeiramente, ou então terá de recorrer à opção de se tornar uma SAF (Sociedade Anônima de Futebol). “Se o time não reduzir os custos de forma drástica e equilibrar suas finanças, a tendência será de só a SAF salvar o clube.”
Com notórios problemas de fluxo de caixa, a diretoria tenta equacionar obrigações de curto prazo para entrar respirando em 2026. Uma das urgências é pagar cerca de R$ 40 milhões ao Santos Laguna, do México, pela contratação de Félix Torres. Pela inadimplência na aquisição do zagueiro equatoriano, o clube alvinegro foi punido pela Fifa (Federação Internacional de Futebol) com um “transfer ban” e está impedido de registrar jogadores.
A reportagem foi produzida em parceria com o Google. A Folha coletou certidões em cartórios que estão disponíveis à consulta na ferramenta Pinpoint.
Um grande congestionamento foi registrado neste domingo (28), no distrito de Trancoso, localizado em Porto Seguro, um dos principais destinos turísticos da Bahia. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram o engarrafamento gerado aparentemente após a saída de uma festa privada.
Por ser alvo de turistas durante períodos festivos, o distrito passa a receber um volume elevado de visitantes nas vésperas do Réveillon. O aumento no número de festas e eventos privados aumenta o fluxo de veículos, principalmente nos horários de saída.
Nas imagens divulgadas, inclusive, motociclistas foram flagrados transportando dois passageiros. O artigo 231 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) diz que conduzir um veículo com lotação excedente é considerado uma infração gravíssima.
Condutores flagrados nesta condição devem pagar uma multa de R$ 293,47, além de receber sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH), e ter o veículo retido até que a situação seja regularizada.
O caso do Banco Master, que teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo BC (Banco Central), entrou no debate político brasileiro e está sendo explorado por diferentes campos ideológicos.
Em entrevista ao Agora CNN, o cientista político Cristiano Noronha, vice-presidente da Arko Advice, avalia que o sigilo imposto ao caso pelo ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), e a acareação por ele imposta alimentam especulações sobre quem poderia estar envolvido.
“Essa questão da determinação do sigilo, essa decisão de investigar, fazer essa acareação que foi decidida à revelia do que defendia a Polícia Federal, tudo isso acaba alimentando muito essas especulações de quem efetivamente estaria envolvido”, explica.
O especialista também comenta sobre a politização do tema: “O assunto já está sendo politizado no âmbito local em Brasília, porque a gente viu também personalidades políticas defendendo a compra do Banco Master pelo BRB, que é um banco público”, detalha.
Noronha destaca que a revelação do contrato que o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, mantinha com o Banco Master serve como munição para a oposição e relembra os diversos pedidos de impeachment do ministro.
Distância estratégica do governo
Questionado sobre a postura do governo de evitar o confronto direto e manter o discurso de autonomia do Banco Central, o vice-presidente da Arko Advice avalia que essa é uma estratégia acertada.
“Faz todo sentido o governo fazer isso, primeiro porque se distancia do problema, insiste em uma decisão absolutamente técnica que o Banco Central tomou e eventualmente não politiza ainda mais esse assunto.”
Com esse distanciamento, Noronha explica que o governo evita ser acusado pela oposição de tentar blindar atores importantes caso venha à tona o envolvimento de figuras relevantes do cenário político e jurídico.
Um grave acidente de trânsito registrado na tarde deste domingo (28) causou a morte de um motorista e deixou outras duas pessoas feridas na BR-430, em um trecho que corta o município de Caetité, no sudoeste da Bahia.
A ocorrência foi atendida pela 94ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM), que confirmou o óbito no local. O sinistro aconteceu por volta das 15h30, na altura do Km 12, na pista que segue em direção à cidade de Igaporã.
Segundo o Achei Sudoeste, site parceiro do Acorda Cidade, o veículo envolvido foi um Volkswagen Golf, de cor vermelha, conduzido por Roberto Leal Fernandes, que não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local do acidente. No carro também estavam a esposa do condutor e a filha menor do casal, que ficaram feridas.
Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) prestaram socorro às vítimas sobreviventes. A mulher foi encaminhada ao Hospital Geral de Guanambi (HGG), enquanto a criança foi levada ao Hospital Municipal de Igaporã, onde passou por avaliação médica.
O Departamento de Polícia Técnica (DPT) realizou a perícia no local e fez a remoção do corpo, que foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Guanambi.
As circunstâncias do acidente ainda serão apuradas. A Polícia Civil informou que instaurou inquérito para investigar o caso.
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Duas pessoas morrem após batida entre caminhão e caminhonete na BR-030, em Caetité Duas pessoas morrem após batida entre caminhão e caminhonete na BR-030, em Caetité Duas pessoas morrem após batida entre caminhão e caminhonete na BR-030, em Caetité Duas pessoas morrem após batida entre caminhão e caminhonete na BR-030, em Caetité
A eleição para o Senado em 2026 é vista como crucial pela direita para formar maioria capaz de se contrapor aos excessos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e tornar viável a possibilidade de abrir processos de impeachment de membros da Corte.
Nos últimos seis anos, a Corte promoveu uma escalada de atos abusivos, como inquéritos inconstitucionais, prisões ilegais e censura a políticos, influenciadores e usuários comuns nas redes sociais, em especial contra alinhados à direita conservadora. Apesar disso, grande parte dos senadores – e, principalmente, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP) – resistem a iniciar qualquer processo de impeachment de ministros.
Atualmente cerca de 70 pedidos de impeachment contra membros do STF aguardam na mesa da Presidência do Senado, sendo o principal alvo o ministro Alexandre de Moraes, que enfrenta uma série de acusações de abuso de autoridade.
Para alcançar o mínimo de 41 senadores que tenham a pauta do combate aos abusos da Suprema Corte como prioridade, há uma intensa articulação entre lideranças da direita, sobretudo do Partido Liberal (PL) e do partido Novo, para lançar nomes viáveis para as disputas em todos os estados.
No mês passado, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) disse que a disputa ao Senado é mais importante do que à Presidência da República. “O jogo mais interessante é o Senado porque ele é capaz de parar os ditadores de toga. O presidente não. A gente está vendo o Lula ter que pedir licença para tudo que ele faz ao STF. Inclusive quando ele perde no Congresso ele leva ao STF”, declarou o parlamentar em entrevista à Jovem Pan
Desafio da direita de frear abusos do STF pode exigir esforço ainda maior
A missão de combater excessos da mais alta Corte do país pode se tornar mais complexa após a controversa decisão liminar de Gilmar Mendes, no início de dezembro, que tornou ainda mais difícil o avanço de qualquer processo de impeachment de membros do Supremo. Caso a liminar, que será analisada em plenário virtual entre 12 e 19 de dezembro, seja confirmada pelos demais ministros, serão necessários 54 senadores para aprovar um parecer de impeachment.
Por isso o ano de 2026 é ainda mais estratégico, já que haverá uma renovação maior no Senado. Em 2022, foram preenchidas 27 vagas; em 2026, serão 54. Por outro lado, com apenas duas vagas por estado, em alguns locais o clima tem esquentado entre nomes da direita, que temem não serem indicados para a disputa.
A Gazeta do Povo mapeou quais são os principais nomes com discurso de combate aos abusos do STF que já anunciaram a pré-candidatura ou que podem se declarar pré-candidatos nos próximos meses. Veja a lista completa a seguir.
* Com a provável manutenção da inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), alguns dos seus familiares (Michelle, Eduardo, Flávio e Carlos) têm sido avaliados para diferentes cenários eleitorais, incluindo a disputa presidencial, como titulares ou vice. Caso um ou mais componham uma chapa presidencial, é esperado que os demais tentem uma cadeira no Senado – há, entretanto, ponderações para cada um dos nomes.
Direita no Senado: nomes que podem ser lançados na disputa em 2026
Michelle Bolsonaro (PL-DF) Cargo atual: presidente do PL Mulher
Jair Bolsonaro já declarou mais de uma vez que Michelle seria um dos nomes da direita para o Senado no próximo ano. Como presidente do PL Mulher desde 2023, a ex-primeira-dama tem percorrido vários estados organizando encontros regionais, palestras e eventos de filiação de mulheres conservadoras e participando de articulações para as eleições de 2026.
Em vários dos seus discursos e publicações nos últimos anos, ela expressou insatisfação com a conduta de ministros do STF, sobretudo de Moraes. Após a recente ordem de prisão determinada por Moraes a Bolsonaro, ela divulgou uma dura nota, dizendo que “o algoz escolhido pelo Sistema age irresponsável e draconianamente, violando leis e direitos fundamentais de cidadãos brasileiros”.
Michelle, entretanto, costuma evitar dar declarações sobre eventuais aspirações por cargos eletivos. No início de dezembro a ex-primeira-dama decidiu se afastar temporariamente das atividades partidárias para tratar questões de saúde.
Michelle Bolsonaro, presidente do PL Mulher (Foto: Assessoria de Comunicação/PL Mulher)
Eduardo Bolsonaro (PL-SP) Cargo atual: deputado federal
Eduardo Bolsonaro já manifestou algumas vezes seu interesse em concorrer à Presidência, sempre colocando a possibilidade como um plano B ou uma “missão” a depender da situação do seu pai. Apesar disso, o PL prefere que o deputado tente uma vaga no Senado ou, ainda, busque a reeleição na Câmara.
No entanto, sua situação política é instável, já que desde março de 2025 ele mora nos Estados Unidos buscando articular reações do governo norte-americano contra o Supremo brasileiro. A medida gerou problemas para o deputado, como a abertura de inquérito na Corte, o que levou Eduardo a dizer que não pode voltar para o Brasil por receio de ser preso.
Em teoria, o deputado pode concorrer ao Senado sem estar morando no Brasil, mas caso vença, seu retorno seria imprescindível para tomar posse e exercer o mandato.
Carlos Bolsonaro (PL-SC) Cargo atual: Vereador do Rio de Janeiro
Em junho, Jair Bolsonaro declarou que o filho Carlos, que atualmente cumpre o sétimo mandato consecutivo na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, deixaria o estado para disputar uma vaga no Senado por Santa Catarina em 2026. Segundo o ex-presidente, a candidatura pelo Rio de Janeiro “atrapalharia” outros nomes do partido, que poderiam perder votos.
A iniciativa gerou fortes divergências, já que o estado catarinense conta com vários nomes fortes para a disputa, como as atuais deputadas federais Caroline De Toni e Julia Zanatta, do PL, e o senador Espiridião Amin (PP), que está em término de mandato e deve tentar a reeleição.
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Mais de um terço dos senadores quer saber quantas vozes foram caladas pelo STF
Bia Kicis (PL-DF) Cargo atual: deputada federal
No início de novembro, Bia Kicis lançou sua pré-candidatura em evento com a presença de Michelle e Flávio Bolsonaro e do presidente do PL. A deputada é uma das figuras mais proeminentes da direita e já ocupou cargos de destaque na Câmara, como presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), vice-líder do governo durante a gestão Bolsonaro e líder da minoria durante parte da atual legislatura.
Ela também já fez duras falas contra a atual composição do STF, classificando o colegiado como parte de uma “farsa judicial”.
Mas a disputa por vagas da direita no Distrito Federal deve ser acirrada, já que além de Bia Kicis, já confirmada, nomes como Michelle Bolsonaro, o governador Ibaneis Rocha (MDB) e o senador Izalci Lucas (PL), que deve tentar reeleição, surgem como “pretendentes”.
Caroline De Toni (PL-SC) Cargo atual: deputada federal
Envolvida em um imbróglio envolvendo as indicações ao Senado por Santa Catarina, a parlamentar apareceu em primeiro lugar na pesquisa mais recente, divulgada no início de novembro, à frente de Carlos Bolsonaro e Esperidião Amin. Segundo Caroline, o governador catarinense Jorginho Mello (PL-SC), aliado de Bolsonaro, havia lhe prometido uma das duas candidaturas da direita, mas teria voltado atrás e estaria defendendo o nome do senador Esperidião Amin. Recentemente, a deputada afirmou que pode deixar o Partido Liberal se for preterida na disputa ao Senado.
Ricardo Salles (Novo-SP) Cargo atual: deputado federal
Ex-ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro e um dos parlamentares mais votados do país em 2022, Salles já manifestou a intenção de disputar uma vaga como senador, mas revelou à Gazeta do Povo que avalia concorrer ao governo paulista caso o atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, entre na corrida presidencial.
Caso mantenha a candidatura a senador, Salles terá que disputar com outros nomes fortes da direita em São Paulo, incluindo a eventual candidatura do próprio Eduardo Bolsonaro.
Guilherme Derrite (PP-SP) Cargo atual: deputado federal
Outro nome que busca ser um dos dois escolhidos pelas lideranças da direita bolsonarista para a disputa ao Senado, Derrite ganhou visibilidade nacional na atuação como secretário de segurança pública no governo de Tarcísio e, mais recentemente, na relatoria do projeto de lei apelidado “PL antifacção”, aprovado em novembro na Câmara, que endurece as penas para o crime organizado.
Apesar disso, o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, expressou a intenção de que Derrite dispute o governo de São Paulo em 2026, caso Tarcísio seja candidato à Presidência.
Deltan Dallagnol (Novo-PR) Cargo atual: Cargo de liderança no partido Novo
Apesar de ter tido seu mandato de deputado federal cassado em 2023, o TSE não o declarou inelegível. O ex-procurador da Lava Jato é visto como um dos nomes mais fortes da direita no Paraná para as próximas eleições, e durante o mandato na Câmara foi uma das vozes fortes contra abusos do STF.
Em abril, o Partido Novo manifestou a intenção de lançar o ex-procurador ao Senado em 2026. Um levantamento da Neokemp Pesquisas divulgado no início de novembro mostrou que Deltan lidera as intenções de voto entre os paranaenses, seguido por Cristina Graeml (União).
Fortalecida após ter ido ao segundo turno na disputa pela Prefeitura de Curitiba em 2024 somando 42,36% dos votos (390.254) em sua primeira disputa eleitoral e filiada a um partido nanico, o PMB, Cristina Graeml anunciou sua pré-candidatura ao Senado em fevereiro durante o curto período em que integrou o partido Podemos. Ao migrar para o União, em setembro, a jornalista reforçou a intenção de disputar uma cadeira como senadora.
Marcada pela intensa cobertura jornalística dos presos do 8 de janeiro, com críticas contundentes aos excessos de ministros do Supremo no tratamento e julgamento dos réus, Cristina recebeu apoio de Jair Bolsonaro em sua campanha à Prefeitura de Curitiba.
Filipe Barros (PL-PR) Cargo atual: deputado federal
Outro nome de confiança de Bolsonaro na direita paranaense, Filipe Barros pode duelar para ser um dos indicados para a candidatura ao Senado ou optar pela tentativa de reeleição na Câmara, onde já assumiu postos estratégicos para a oposição ao governo Lula, ocupando atualmente a Comissão de Relações Exteriores.
O caminho para o Senado, entretanto, não é fácil, devido à concorrência com outros nomes da direita que, na pesquisa mais recente, ficaram mais bem posicionados do que Barros.
Marcel Van Hattem (Novo-RS) Cargo atual: deputado federal
Uma das vozes mais combativas ao ativismo judicial e aos abusos do STF, Van Hattem também tem sido um articulador do avanço da anistia aos presos pelo 8 de janeiro na Câmara. Em abril, o partido Novo anunciou que o deputado disputaria uma vaga no Senado em 2026.
Em pesquisa da Neokemp divulgada no início de novembro, Van Hattem apareceu em primeiro lugar nas intenções de voto, seguido pelo atual governador gaúcho, Eduardo Leite.
Diferente de outros estados, no Rio Grande do Sul não há muitos nomes da direita para o Senado. Além do membro do Novo, até o momento há apenas o deputado federal Sanderson (PL) como provável candidato, fazendo com que as candidaturas de ambos sejam viáveis.
Candidatura de Marcel Van Hattem ao Senado foi confirmada pelo partido Novo (Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados)
Helio Lopes (PL-RJ) Cargo atual: deputado federal
Bastante próximo de Jair Bolsonaro, a quem se refere como “irmão”, o deputado pode enfrentar dificuldades para ser o nome indicado pelo ex-presidente devido à ampla concorrência de nomes da direita no Rio de Janeiro.
Como alternativa, o PL também considera lançar Hélio Lopes ao Senado por Roraima, um estado com grande apelo bolsonarista. A alternativa seria uma forma de “salvar” um nome importante em um estado onde a chance de vitória fosse maior.
Gustavo Gayer (PL-GO) Cargo atual: deputado federal
Um dos principais “soldados” do bolsonarismo na Câmara, Gayer teve sua pré-candidatura ao Senado lançada pelo PL no mês passado. Com perfil combativo, ele é um forte crítico de Alexandre de Moraes e dos abusos do STF.
Outros nomes do estado, alinhados à direita, que podem concorrer entre si são o governador Ronaldo Caiado (União), sua esposa, Gracinha Caiado (União), e o ex-deputado federal Major Vitor Hugo (PL).
Gilson Machado (PL-PE) Cargo atual: nenhum
Ministro do Turismo na gestão Bolsonaro, Gilson Machado conta com apoio direto do ex-presidente, que já manifestou publicamente seu desejo de que o ex-ministro dispute uma cadeira no Senado. Apesar disso, Machado enfrenta forte concorrência interna dentro do PL.
O presidente da legenda, Anderson Ferreira, é outro cotado para a candidatura, o que levou Machado a manifestar, recentemente, a intenção de mudar de partido para viabilizar sua candidatura. Segundo ele, a resistência ao seu nome dentro do PL de Pernambuco seria uma falta de respeito à “hierarquia” sob o comando de Bolsonaro.
Capitão Alberto Neto (PL-AM) Cargo atual: deputado federal
Um dos principais nomes da direita e do bolsonarismo na região Norte, Alberto Neto anunciou no mês passado, em um podcast, sua pré-candidatura ao Senado. Segundo o parlamentar, ele teria recebido o convite de Jair Bolsonaro. Outros nomes ligados à direita que devem ser lançados ao Senado no estado amazonense são o atual governador, Wilson Lima (União), e o senador Plínio Valério (PSDB), que deve tentar a reeleição.
Nikolas não disputará vaga no Senado?
Nikolas Ferreira (PL-MG), deputado federal mais votado do Brasil nas eleições de 2022 e um dos nomes mais proeminentes da direita alinhada a Bolsonaro em Brasília, possivelmente ficará de fora da corrida ao Senado. Isso porque ele ainda não terá completado 35 anos, idade mínima para ser senador.
O mineiro declarou, recentemente, que o Senado “encaixaria como uma luva”, mas sua candidatura dependeria de uma lei que autorizasse a redução da idade mínima até a oficialização das candidaturas, em agosto de 2026. Seu provável destino deve ser a disputa pela reeleição na Câmara, o que o PL vê com bons olhos, já que o deputado seria um “puxador de votos” para a legenda.
Atuais senadores da direita que podem tentar a reeleição
Todos os senadores eleitos em 2018 encerram seus mandatos em 2026. Vários deles são representantes da direita bolsonarista e, assim como Flávio Bolsonaro, podem tentar a reeleição. Entre eles estão Carlos Viana (Podemos-MG), Izalci Lucas (PL-DF), Marcos do Val (Podemos-ES), Carlos Portinho (PL-RJ), Marcos Rogério (PL-RO), Luis Carlos Heinze (PP-RS) e Esperidião Amin (PP-SC).
Já um dos senadores em fim de mandato mais combativos aos excessos do STF, Eduardo Girão (Novo-CE), anunciou que não tentará a reeleição. Sua escolha foi por disputar o governo do Ceará.
Por outro lado, os senadores eleitos em 2022 permanecerão até 2030. Entre os representantes da direita que seguem no cargo e devem manter o discurso combativo ao STF nos próximos anos estão Damares Alves (Republicanos-DF), Magno Malta (PL-ES), Tereza Cristina (PP-MS), Rogério Marinho (PL-RN), Sergio Moro (União-PR) e Jorge Seif (PL-SC).