quarta-feira, fevereiro 4, 2026
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Presidente do Santa Cruz detona Thiago Galhardo: “Resultado precário”

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O presidente do Santa Cruz, Bruno Rodrigues, comentou publicamente a forma como o atacante Thiago Galhardo, de 36 anos, deixou o clube. O dirigente admitiu ter sido pego de surpresa pela ação movida pelo jogador na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD).

Galhardo acionou a CNRD no início de novembro alegando atrasos salariais por parte do Santa Cruz. Segundo a ação, o clube deixou de pagar dois meses de salário, um mês de direito de imagem e todo o período de FGTS. O atacante tinha contrato até o fim de 2026, e o valor da causa é estimado em pouco mais de R$ 3 milhões.

A decisão da CNRD levou em conta o Artigo 90, parágrafos 1º e 3º, da Lei Geral do Esporte, que permite a rescisão unilateral quando há ao menos dois meses de vencimentos em atraso, situação enquadrada no caso do jogador.

Bruno Rodrigues afirmou que foi surpreendido pelo processo e pela forma como Galhardo conduziu a saída. Além disso, revelou que o jogador não estava nos planos da comissão técnica para 2026.

“Eu não quero polemizar esse assunto por que, na minha cabeça, é mais um jogador. Logicamente midiático, sabe usar muita mídia, mas é mais um jogador que entra e sai. Lhe confesso que fui surpreendido, não esperava que fosse dessa forma”, disse em entrevista ao Cast FC.

“Isso vai ser decidido na justiça. É uma liminar, a gente vai discutir judicialmente, não vejo nenhum problema. Desejo que ele seja feliz onde ele vá. Fato é que já estava decidido pela comissão técnica, e eu acatei, que ele não fazia mais parte dos nossos planos para 2026”, acrescentou.

Bruno Rodrigues também explicou que a escolha de não manter Galhardo no elenco não teve relação com conflitos pessoais, mas com desempenho esportivo. Foram 24 jogos e sete gols, três deles de pênalti.

“É uma coisa simples, não tem nada com a questão pessoal, é performance. São 24 jogos e sete gols. A expectativa era muito maior e o resultado foi precário. Então, é coisa de futebol. Vira a página e vamos em frente”, completou.

Após o vice-campeonato da Série D do Campeonato Brasileiro nesta temporada, diante do Barra-SC, o Santa Cruz disputará o Campeonato Pernambucano, a Copa do Brasil e a Série C do Brasileirão em 2026.

 

 

Fonte: CNN BRASIL

PSD bate martelo e Otto Alencar confirma indicação de filho ao TCE

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Os rumores sobre a indicação do deputado federal Otto Filho (PSD) à vaga de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado (TCE) foram confirmados pelo seu pai, o senador Otto Alencar, nesta segunda-feira, 1º.

O presidente estadual da legenda também afirmou que Otto Filho conta com o apoio dos seus correligionários para concorrer ao posto, assim como da presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), Ivana Bastos.

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“O PSD se reuniu na semana passada, em Brasília, os deputados federais todos, e também os deputados estaduais, e eles respaldam a indicação do deputado Otto Filho para o TCE”, iniciou o pessedista, que complementou:

“Falta o governador decidir. Mas tem o apoio de todos os deputados federais, de todos os deputados estaduais, da presidente Ivana Bastos, de vários setores aí. Não há uma decisão única minha, absolutamente, que eu não iria de encontro”.

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O senador também explicou como se deu a indicação do herdeiro e negou qualquer tipo de barganha sobre a designação, como a manutenção do apoio do PSD ao governador Jerônimo Rodrigues.

“No início, seria a indicação do deputado federal Sérgio Brito, depois o Sérgio Brito não quis ir para o tribunal, e todos se reuniram e indicaram o nome do Otto Filho. […]. Se não decidir, continuo com ele do mesmo jeito, não tem nenhum problema. Não é uma condição minha exigir cargo para estar na aliança com o governo, nunca exigi nada para apoiar nossa causa, nosso projeto”, afirmou Otto ao site Off News.

O acolhimento ou não do nome que será indicado ao cargo cabe ao governador Jerônimo Rodrigues (PT), que em seguida, repassa para os deputados estaduais.



Fonte: A Tarde

Após separação, Ivete Sangalo brinca sobre fogo acumulado

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(FOLHAPRESS) – Durante seu primeiro show após anunciar o fim do casamento com Daniel Cady, Ivete Sangalo, 53, protagonizou um momento bem-humorado que rapidamente viralizou. No palco do evento “Clareou”, em Salvador, onde dividia a apresentação com Liniker, 30, a cantora fez brincadeiras sobre estar com “fogo acumulado”, arrancando gargalhadas da plateia.

“Tenho que descarregar, não tem onde descarregar, e vai dando o famoso fogo no c. Tem coisa mais romântica do que isso? Viva o fogo no c“, disparou Ivete, em tom de brincadeira. Em seguida, seguiu improvisando: “Vamos jogar poesia nisso. Aquele povo que diz ‘viva a Bahia, viva a nossa cultura’. Grita para o universo ‘fogo no c*’, vai que o universo ouve”.

A artista ainda sugeriu a Liniker, 30, que as duas lançassem uma música com esse nome -“Vai hitar”, brincou.

Os registros do momento repercutiram nas redes, especialmente no X (antigo Twitter). Seguidores reagiram com bom humor ao clima descontraído da apresentação: “Amo esses surtos de Ivete”, brincou um internauta. “Ivete do Velho Testamento voltou”, celebrou outra seguidora. “Ela é demais”, acrescentou mais um fã da cantora baiana.

Ivete Sangalo e Daniel Cady começaram a namorar em 2008, quando o nutricionista já acompanhava a rotina da cantora. No ano seguinte, nasceu o primeiro filho, Marcelo. O casamento veio em 2011, em uma cerimônia civil discreta realizada na casa da artista, em Salvador, reservada apenas a familiares e amigos próximos. Depois, a família cresceu com a chegada das gêmeas Marina e Helena.

Ozzy, de oito anos, sofreu um infarto durante a celebração com fogos no jogo entre Flamengo e Palmeiras. Nas redes sociais, o cantor fez um apelo para que a prática seja abandonada em áreas residenciais, citando riscos para animais, crianças autistas e idosos.

Notícias ao Minuto | 07:11 – 01/12/2025

Fonte: Noticias ao Minuto

Estudantes de Salvador exploram natureza e aprendizado na Fenagro 2025

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Estudantes de Salvador exploram natureza e aprendizado na Fenagro 2025 –

Os estudantes da rede municipal de ensino de Salvador vivenciaram nesta segunda-feira, 1⁰, uma experiência que foi além do campo durante a 34ª edição da Fenagro, que segue até domingo, 7, no Parque de Exposições de Salvador.

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A visita educativa, promovida nos espaços do Programa A TARDE Educação, do Grupo A TARDE, foi realizada por alunos da Educação Infantil da Escola Municipal São Damião. A gestora da unidade, Tais Barros, destacou a relevância pedagógica da atividade.

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“Aqui os estudantes têm contato com a natureza, têm contato com os animais. É algo que faz com que a criança desperte curiosidade. Somos uma escola que investimos muito no cuidado com a natureza, com a ecologia. É uma oportunidade que a gente tem de vivenciar algo que não faz parte da rotina”, afirmou.

“Ter acesso a outros materiais foi muito interessante. É uma experiência nova e divertida com muito envolvimento das crianças”, completou a gestora.

| Foto: Denisse Salazar/Ag.A TARDE

O estudante Abraão Marques, de 6 anos, visitou a Fenagro pela primeira vez e se encantou com cada novidade. Entre animais, atividades pedagógicas e brincadeiras, o pequeno não escondeu a empolgação ao contar tudo o que mais gostou da feira. “Gostei da vaca, do cavalo, da ovelha e da cabra”.

Ele também participou das atividades do espaço do A TARDE Educação, onde pôde montar seu próprio jornalzinho, replantar mudas de hortaliças e até dançar. “Eu gostei de plantar, pintar o jornal e dançar também”.

Espaços de aprendizagem e interação

Imagem ilustrativa da imagem Estudantes de Salvador exploram natureza e aprendizado na Fenagro 2025

| Foto: Denisse Salazar/Ag.A TARDE

Nesta edição, o Programa A TARDE Educação conta com cinco espaços temáticos e interativos, instalados na Casa A TARDE:

  • Sala Gamer;
  • Espaço Semearte;
  • Espaço Multicultural;
  • Agência Expressa;
  • Sala Refeitório.

A entrada nos espaços do A TARDE Educação é gratuita e aberta ao público.

Fenagro 2025

A Fenagro 2025 é apresentada pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria da Agricultura, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri), com a realização do Grupo A TARDE e produção da On Line Entretenimento.



Fonte: A Tarde

Relatório da PEC da Segurança deve ser apresentado nesta semana

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Aposta do governo federal para enfrentar o problema da segurança pública, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18 de 2025 deve ter seu relatório apresentado esta semana a líderes partidários.

Em postagem nas redes sociais, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), informou que o relator da PEC, deputado Mendonça Filho (União-PE), vai apresentar seu parecer nesta terça-feira (2).

Nesse mesmo dia, deve ser realizada uma reunião de líderes para debater a pauta da semana. Segundo Motta, a previsão é que o texto do relator seja votado na comissão especial na quinta-feira (4).

Motta quer votar a chamada PEC da Segurança Pública em plenário ainda este ano.>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp

Entenda

A PEC 18 de 2025 vem sofrendo resistências no Parlamento e por parte de governadores, em especial, contra o dispositivo que atribui à União a elaboração do plano nacional de segurança pública que deverá ser observado pelos estados e o Distrito Federal.

Ao mesmo tempo, a PEC é considerada tímida por especialistas, que defendem reformas mais profundas na área de segurança pública do Brasil, apesar de reconhecerem que a proposta do Executivo é o primeiro passo para mudar o quadro atual.

A proposta estabelece que a União seja a responsável por elaborar a política nacional de segurança pública, “cujas diretrizes serão de observância obrigatória por parte dos entes federados, ouvido o Conselho Nacional de Segurança Pública e Defesa Social, integrado por representantes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios”. 

Outras pautas

O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), aguarda para esta semana a mensagem, do Poder Executivo, da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF). A indicação foi anunciada no último dia 20 e publicada no Diário Oficial da União no dia seguinte.

A sabatina de Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) está marcada para o próximo dia 10. O presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), anunciou que a leitura da mensagem da indicação de Messias ocorrerá na próxima quarta-feira (3), quando será concedida vista coletiva. O senador Weverton (PDT-MA) será o relator da indicação. A votação em plenário pode ocorrer também no dia 10. 

O Senado também pode votar nesta semana o Projeto de Lei (PL) 5582 de 2025, conhecido como PL Antifacção. O texto prevê penas mais duras para integrantes de facções criminosas e apreensão de bens de investigados. 

Por 370 a 110 votos, a Câmara dos Deputados aprovou, no último dia 18, o texto-base do PL. Os deputados acataram o texto apresentado pelo relator, deputado Guilherme Derrite (PP-SP), que alterou trechos da proposta original encaminhada pelo governo federal. O relator apresentou cinco versões.

*Com informações da Agência Câmara e da Agência Senado

Fonte: Agência Brasil

Curso técnico em Enfermagem oferece bolsas gratuitas em Salvador

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O Monte Tabor abriu um processo seletivo para o Curso Técnico em Enfermagem, com 35 bolsas de estudo 100% gratuitas, voltadas para candidatos de baixa renda. O edital contempla também um pré-curso gratuito de dois meses, que oferece capacitação nas áreas de Português, Matemática, Informática e Competências Socioemocionais, antes da seleção final dos bolsistas.

O curso será realizado de forma presencial na sede do Ludovica, localizado no Centro de Educação Profissional, no bairro de Pau da Lima, em Salvador. O início das aulas está previsto para março de 2026.

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Os interessados devem realizar a inscrição até 5 de dezembro, exclusivamente online, através deste link.

Próximas etapas

A etapa preparatória gratuita, o Pré-Curso, acontece de 5 de janeiro a 27 de fevereiro de 2026, nos turnos matutino e vespertino, e é obrigatória para concorrer à bolsa. As vagas são destinadas a candidatos com mais de 18 anos, que tenham concluído o ensino médio e que comprovem situação de vulnerabilidade socioeconômica.

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Além da formação técnica, o programa aposta em um modelo pedagógico inovador, que integra o desenvolvimento socioemocional e digital, preparando o aluno para atuar com empatia e excelência no cuidado com o outro, princípios que refletem a essência da medicina humanista promovida pelo Monte Tabor há mais de 50 anos.

Confira o cronograma

  • Inscrições: 10/11/2025 a 05/12/2025
  • Divulgação dos selecionados para o Pré-Curso: 12/12/2025
  • Pré-Curso gratuito: 05/01/2026 a 27/02/2026
  • Resultado final e matrícula: 03 a 05/03/2026
  • Início das aulas do curso técnico: 09/03/2026



Fonte: A Tarde

Pacientes com câncer colorretal são diagnosticados em estágio avançado

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Lançado nesta quinta-feira (27), quando se comemora o Dia Nacional de Combate ao Câncer, o estudo Câncer colorretal no Brasil – O desafio invisível do diagnóstico, da Fundação do Câncer revela que, dos 177 mil casos da doença registrados em hospitais públicos e privados do país, no período de 2013 a 2022, mais de 60% foram diagnosticados em estágios avançados da doença.

Os dados mostram que o avanço da doença e a demora no diagnóstico reduzem de forma acentuada a possibilidade de cura.

Em entrevista à Agência Brasil, o diretor-executivo da Fundação do Câncer, cirurgião oncológico Luiz Augusto Maltoni, diz que chama a atenção o volume de casos de câncer colorretal (CCR) que chegam no sistema em estágio avançado.

“Se analisarmos o país como um todo, os dados mostram que 50% das pessoas chegam no estágio já metastático, estágio 4, e mais 25% no estágio 3.  Somando os estágios, são mais de 70%, o que é uma catástrofe.”

Os dados reforçam a importância do diagnóstico precoce. Maltoni indicou que, uma vez identificado qualquer tipo de sintoma, por mais leve que seja. a pessoa deve procurar um serviço de saúde para investigar e ver o que existe, ou mesmo fazer o rastreamento com um profissional.

“Aquela intervenção feita pelo Estado para chamar a população alvo para que faça exames, para que a gente possa detectar o mais precocemente possível, é fundamental. Porque não só um tumor, mas são as lesões precursoras que podem desenvolver o câncer. Isso é fundamental, é isso que vai mudar essa história”.

No Brasil, como ocorre também em outros países, o primeiro exame para detecção precoce do CCR é a pesquisa de sangue oculto nas fezes, menos custosa. Quando essa pesquisa de sangue oculto se mostra positiva, alterada, aí sim é indicado prosseguir na investigação por meio do exame de colonoscopia.

Atualmente, isso é feito para pessoas acima de 50 anos. Maltoni disse, entretanto, que a análise de dados sinaliza que o pico de faixa etária de pessoas com câncer colorretal é exatamente entre os 50 e 60 anos.

“Se a gente começar a fazer rastreamento só com 50 anos, corre o risco de chegar tarde. É procurar antecipar.  A maneira de a gente fazer isso é, obviamente, baixar um pouco a faixa etária do chamado  para testes de rastreamento.”

A Fundação do Câncer sugere antecipar a faixa etária para 45 anos ou 40 anos, eventualmente, para que se possa identificar as lesões precursoras bem iniciais, e poder tratar até mesmo antes de um adenoma, por exemplo, e um pólipo do intestino se transformar em um carcinoma do intestino. 

Outra medida importante que o estudo mostra é a prevenção primária, quer dizer, hábito de vida. Isso significa evitar excesso de peso. De acordo com o boletim, há uma correlação direta entre o volume de câncer colorretal e de pessoas obesas. Nas regiões do país onde tem uma taxa de obesidade maior, há também uma maior taxa de câncer colorretal, assim como o tabagismo tem correlação direta com a doença.

“São aquelas medidas que a gente vive falando, de evitar sobrepeso, evitar falta de atividade física, excesso de bebida alcoólica, não fumar. Isso é fundamental, porque a gente sabe que isso ajuda a reduzir casos novos de câncer. No caso do câncer colorretal, isso é uma verdade”, afirmou o diretor-executivo.

No estudo feito com os 177 mil casos da doença, coletados nos registros hospitalares de câncer, verificou-se que o de cólon e de reto é mais comum em brancos (34,6%), seguidos de negros (30,9%).

As regiões Sudeste e Sul concentram o maior volume de equipamentos hospitalares de diagnóstico e tratamento, bem como de casos de CCR. Por outro lado, segundo o médico, quando se analisa o deslocamento da população no Brasil, nota-se que a Região Centro-Oeste é o local onde ele é maior: perto de 18% dos pacientes desta região têm que sair para fazer o seu tratamento em outra localidade do país. Em segundo lugar, vem a Região Norte, com 6,5%.

Política permanente

A Fundação do Câncer estima aumento de 21% no número de casos entre 2030 e 2040, alcançando cerca de 71 mil casos novos e cerca de 40 mil óbitos.

Maltoni considera o volume “alarmante”, embora seja realidade, considerando que a população está crescendo e, sobretudo, envelhecendo.

“Não temos uma estratégia bem estabelecida e firme para a prevenção e o diagnóstico precoce”. Segundo o médico, é preciso mudar esse cenário nos próximos 15 anos, trabalhar muito fortemente a questão da prevenção, da detecção precoce, do rastreamento.

Ministério da Saúde

Na avaliação do diretor-executivo da Fundação do Câncer, a mudança deve ser capitaneada pelo Ministério da Saúde. O sistema de saúde inglês, por exemplo, os pacientes recebem em casa um kit para colher amostra das fezes. Se o resusltado der alterado, a pessoa é chamada para fazer a colonoscopia.

“Precisamos dar esses passos. É óbvio que em um país das dimensões do Brasil, com as dificuldades regionais, com as diferenças, há dificuldades. Mas a gente sabe que é possível. Se tomar a decisão de fazer e quiser fazer, é possível fazer”.

Segundo Maltoni, isso só funciona com uma política de Estado. Quanto mais informação qualificada houver e maior for a possibilidade de colocar o tema em debate, isso ajuda a nortear essas políticas públicas porque, isoladamente, não é nenhuma campanha que conseguirá alcançar esse objetivo.

“Tem que ter uma política pública, uma política de estado permanente, que independa de quem esteja no governo, para que esses resultados aconteçam. A gente tem exemplo disso na política de controle do tabaco, que virou uma política de Estado que ao longo dos últimos 35 anos, 40 anos, tem sido colocada de maneira prioritária por qualquer governo que entre. Não tem outra maneira de fazer e isso vale para qualquer lugar do mundo.” 

Incidência

O estudo aponta para uma relação entre tabagismo e obesidade e incidência de câncer colorretal. As capitais Florianópolis, Porto Alegre, Curitiba e Campo Grande, todas com proporção de fumantes superior a 12%, possuem altas taxas de incidência da doença, o que reforça a relevância do tabagismo como fator de risco para o CCR.

O mesmo ocorre em relação à obesidade e sua associação ao aumento da incidência do câncer colorretal. Capitais como Porto Alegre, Campo Grande, Rio de Janeiro e São Paulo, todas com prevalência de obesidade igual ou superior a 24%, estão entre aquelas com as maiores taxas de incidência do tumor. Daí a importância de políticas voltadas para alimentação saudável e atividade física.

O boletim da Fundação do Câncer revela também que quase metade dos casos registrados no país está concentrada na Região Sudeste (49,4%) e que 85,9% dos pacientes têm 50 anos ou mais, reforçando a importância de estratégias de rastreamento voltadas para faixas etárias menores.

Em relação à escolaridade, o boletim mostra que 47,7% dos pacientes possuem apenas o ensino fundamental e que a cirurgia segue sendo a principal forma de tratamento inicial, seja de maneira única ou associada a outras modalidades. 

O estudo completo pode ser acessado aqui

Fonte:Agência Brasil

Homem é preso após agredir companheira e incendiar aldeia indígena em MS

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Um homem de 28 anos foi preso, no último sábado (29), após agredir a companheira e incendiar uma aldeia indígena, no município de Antônio João, interior de Mato Grosso do Sul, onde morava a filha do casal. De acordo com informações da PCMS (Polícia Civil de Mato Grosso do Sul), em ação realizada na Aldeia Nhande Ru Marangatu, o suspeito foi preso em flagrante por lesão corporal em contexto de violência doméstica e feminicídio tentado.

Após ser agredida pelo suspeito, a vítima fugiu para casa da filha do casal, tentando abrigo. O suspeito foi até o local, e deliberadamente, ateou fogo na residência, com ambas ainda dentro da aldeia. As duas conseguiram escapar logo após o fogo ter começado.

O imóvel foi totalmente consumido pelas chamas e a filha do autor perdeu todos os pertences pessoais. O suspeito fugiu do local antes da chegada da polícia.

Captura do suspeito

Policiais civis de Ponta Porã (MS), em colaboração com equipes da Casa da Mulher Brasileira de Campo Grande (MS) e com o suporte da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul), encontraram o esconderijo do suspeito, que não resistiu a prisão.

O suspeito deve ser indiciado ao final das investigações pelos crimes previstos nos arts. – 129, §13, do Código Penal (lesão corporal praticada contra mulher, em contexto de violência doméstica) e 121 c/c art. 14, II, do CP (homicídio na forma tentada).

Fonte: CNN BRASIL

Copa Intercontinental 2025: Fla conhece caminho com Cruz Azul, Pyramids e possível final contra PSG

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A Copa Intercontinental 2025, novo torneio anual da Fifa entre campeões continentais, terá o Flamengo estreando em 10 de dezembro, às 14h (de Brasília), contra o Cruz Azul, no estádio Ahmad Bin Ali, em Al Rayyan, no Catar; em caso de vitória, o time ainda pode encarar Pyramids e PSG no caminho ao título.

Criada para substituir o antigo Mundial de Clubes em formato anual, a competição reúne seis campeões: o Paris Saint-Germain pela Europa, o Cruz Azul pela Concacaf, o Al-Ahli pela Ásia, o Pyramids pelo continente africano, o Auckland City pela Oceania e o Flamengo como representante sul-americano, entrando diretamente na fase chamada de Dérbi das Américas.

Na estreia rubro-negra, o duelo eliminatório com o Cruz Azul coloca frente a frente os campeões das Américas do Sul e do Norte/Centro. O jogo será em partida única, no Catar, apenas três dias depois da última rodada do Brasileirão, o que comprime o calendário e obriga a comissão técnica a equilibrar descanso, viagem longa e preparação para o confronto decisivo.

Se avançar contra os mexicanos, o Flamengo volta a campo em 13 de dezembro para enfrentar o Pyramids, campeão africano, novamente em confronto único no mesmo estádio. O vencedor dessa partida garante vaga na decisão marcada para 17 de dezembro, contra o PSG, que já está classificado diretamente para a final e aguarda o desfecho da chamada Copa Challenger.

Para o clube e a torcida, o torneio representa mais uma chance de conquistar um título mundial após o tetra da Libertadores. Ao mesmo tempo, internamente há críticas à logística: “Acho que o Intercontinental é absolutamente injusto. Vamos chegar menos de 20 horas antes do jogo”, disse Luiz Eduardo Baptista, o Bap, presidente do Flamengo, ao comentar o desafio de cruzar fusos horários e ainda assim manter o nível de desempenho em até três partidas decisivas em uma semana.

Fonte: Alô Bahia

Emicida entra em sua ‘fase Racional’ com trilogia que marca seu retorno ao rap

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – “Quando os caminhos se confundem, é necessário voltar ao começo”, Emicida cantou na primeira faixa de sua primeira mixtape, “Pra Quem Já Mordeu um Cachorro por Comida, até que Eu Cheguei Longe”, de 2009. O rapper tinha uma música, “Triunfo”, a fama de imbatível nas batalhas de rima, 24 anos de idade e uma carreira a construir. Voltar, então, para onde?

A resposta ali é a mesma que a de agora –os Racionais MCs. Há 16 anos, Leandro Roque, nome de batismo do rapper, retratava uma confusão, a viabilidade de ter uma carreira sem abandonar os fundamentos do gênero que defende. Perguntava se “essa porra de ‘nós’ existe mesmo ou é outra ideia que ficou pra trás”, e rimava que “os MCs nem sabem mais se pedem um drink ou pedem paz, se aqui é Disney ou Alcatraz, se nós é Rouge ou Racionais”.

Agora, ele se inspira –e, deliberadamente, revira– a obra do maior grupo de rap do Brasil numa trilogia reversa que batizou de “Emicida Racional”.

O terceiro volume, já lançado, é uma mixtape em que o DJ Nyack, seu fiel escudeiro, encaixa faixas de voz de músicas antigas de Emicida em bases instrumentais do grupo de Mano Brown, Edi Rock, Ice Blue e KL Jay. O segundo é “Mesmas Cores & Mesmos Valores”, que sai neste mês. É o primeiro álbum de estúdio do rapper desde “AmarElo”, de 2019, e também sua primeira obra desde que se separou do irmão, Evandro Fióti, com quem está envolvido numa disputa judicial milionária em torno do selo Laboratório Fantasma.

“Quantas coisas valiosas nós abandonamos em nome de outras que hoje a gente não acha que têm a solidez que imaginou que teria?”, diz Emicida. “Fizemos escolhas boas e ruins, e chega nesse momento em que sou tocado por aquela mesma sensação. Observo isso de um lugar difícil de alcançar –o de não julgamento. Olhar para a situação como um elemento da vida, me sentir, sei lá, perdido, desesperançoso e falar ‘é hora de voltar e pegar o que ficou ali atrás, porque esse é o caminho que eu gostaria de seguir para sempre’.”

Esse caminho é o rap. Não exatamente seus maneirismos sonoros –samples, scratchs, batidas de trap ou boombap–, mas o artesanato das palavras, seus sons e combinações. “Essa é a nossa brincadeira enquanto rappers. É voltar para o começo nesse lugar.”

É isso que Emicida faz em “Finado Neguin Memo”, do novo disco, em que estressa ao máximo as possibilidades de rima com palavras proparoxítonas. Também em “Os Memo Preto Zica”, em que constrói sua poesia recombinando versos de músicas dos Racionais, por cima de um instrumental meio Jorge Ben Jor, meio Marvin Gaye. É uma colcha de retalhos que soa estranhamente familiar, como se ele sampleasse frases em vez de trechos de LPs antigos.

Em “Mesmas Cores & Mesmos Valores”, uma referência ao álbum “Cores & Valores”, lançado pelos Racionais em 2014, o rapper mete o dedo na obra do quarteto na forma e também no conteúdo. Em “A Mema Praça”, reclama sua veia política de elaboração e denúncia do racismo –o mais próximo do que os fãs chamam de “Emicida do velho testamento”.

A música original, “A Praça”, retrata o show dos Racionais na Virada Cultural de 2007, em que a praça da Sé, em São Paulo, virou cenário de guerra após ação da polícia. Agora Emicida narra sua versão daquela mesma noite ao lado dos rappers Rashid e Projota –os três estavam na plateia naquele dia.

Ele recria também “Quanto Vale o Show?”, em que Mano Brown desfila rimas como Pelé costurava defesas, enquanto convida o ouvinte a um passeio por sua adolescência nos anos 1980. “É uma roda gigante essa caneta. Você vai da chacina ao sucesso do Michael Jackson”, diz Emicida.

Se Brown começa por uma batida de partido alto no pandeiro, o fã e rapper mais novo, em sua versão, lembra-se que o som do zíper da blusa remetia ao scratch que os DJs fazem nos discos de vinil. Dali, parte para outra jornada –a sua própria adolescência, na década de 1990, até a morte de Sabotage, em 2003.

Na sua “Quanto Vale o Show Memo?”, Emicida rima sobre a eleição de “um presidente operário” em 2001. “As pessoas fazem essa associação [com o Lula], mas a brincadeira é com ‘Uma Odisseia no Espaço'”, diz, citando o filme de Stanley Kubrick. “Ali o ser humano vê a possibilidade de fazer viagens intergalácticas. É um paralelo doido, porque é uma distância parecida com a de uma pessoa pobre e operária alcançar um lugar de reconhecimento como a presidência da República no Brasil.”

Seu processo de escrita, diz Emicida, é meticuloso, em que ele vai riscando as palavras como pedra –”até sair faísca”. “Procuro [no dicionário] a palavra e as formas de interpretá-la, porque às vezes varia a sílaba tônica. Muitas vezes você altera uma sílaba e muda todo o sentido. Tem coisas de uma subjetividade tão grande que não são captadas nem pelos fãs”, ele afirma.

Desde as batalhas de freestyle, Emicida sempre foi um craque das rimas, e nunca abandonou o rap. Mas em seus últimos álbuns –”O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui”, de 2013, e “Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa”, de 2015, e “AmarElo”– ele foi caminhando para perto da MPB.

Em 2017, o rapper Don L lamentou que o rap só seria reconhecido enquanto arte a partir de movimentos desse tipo. “Se é MPBoy a grana vem/ Igual passarinhos voando/ Colando no Leblon vez em quando/ Pra chupar a Lavigne/ Mais do que o Athayde faz plano/ Na sauna hype do Caetano”, ele rimou em “Eu Não te Amo”, citando indiretamente “Passarinhos”, canção de Emicida com Vanessa da Mata, levada ao ukelele, e marco daquele momento.

Não era uma crítica a Emicida, como o próprio Don L esclareceu no mesmo álbum, na faixa “Fazia Sentido”, mas ao ecossistema da música no Brasil. É como se o rap não se bastasse –ele precisaria do aval dessa elite da MPB.

Na última década e meia, Emicida cantou em todos os grandes festivais do país , excursionou no exterior –tocou no Coachella, nos Estados Unidos, bem antes de Anitta e Ludmilla–, colecionou prêmios e angariou uma admiração intelectual que é rara para qualquer rapper em qualquer época. Culminou com o show de “AmarElo” para um Theatro Municipal, em São Paulo, abarrotado –e, também raro, repleto de pessoas negras no palco e na plateia.

Na úlima quinta, teve um verso seu citado pela ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lucia em seu voto na ação sobre a possível omissão do Estado na garantia de direitos da população negra. E neste sábado (29), recebeu o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Recentemente, também deu aulas nas universidades de Pittsburgh, nos EUA, e Coimbra, em Portugal. “Pude reorganizar em parâmetros acadêmicos toda a informação que a gente manipula para fazer um rap –e é muita coisa”, ele diz.

Agora, na “fase Racional”, Emicida quer exercitar o rap em toda a sua magnitude. “Depois dessa jornada de indústria, arte e cultura, quero apresentar a música rap não como um quase algo, mas como um gênero completo. O rap existe dentro de si mesmo há décadas. Fomos muito questionados –às vezes pela imprensa, às vezes pelo mercado, com a demanda de ter refrão, ser mais pop.”

Se a confusão de agora lembra a de 2009, talvez o retorno seja diferente. Mais que aos Racionais, Emicida está buscando a si mesmo através do grupo que arquitetou a maneira brasileira de se fazer rap. Está mais para o glorioso retorno de quem já esteve aqui.

“Fiquei introspectivo, cuidei de minha família, minhas plantas, meus cachorros, li meus livros”, diz. “Rodei o mundo, mas era a hora de voltar para casa. Mostramos mil possibilidades, mas se você quer ser alguém, você tem que ser você. E sou isso aí. É a música de que gosto.”

“Onde a sua mente está agora?”, Emicida indaga numa faixa de “Mesmas Cores & Mesmos Valores”. É uma estratégia budista para se não deixar levar por preocupações futuras ou problemas do passado. Recentemente, o rapper lidou com alguns contratempos.

Dona Jacira, sua mãe, morreu em julho, aos 60 anos. Os mais de oito minutos da primeira faixa do novo álbum são dedicados a ela, que surge numa colagem de áudios por cima do piano de Amaro Freitas. Entre outras coisas, ela fala da necessidade de escrever, algo em comum com o filho MC, mas que não era percebido assim.

“Nossa relação foi de embates”, diz Emicida. “Meu pai foi um DJ frustrado. Isso tem relação com o alcoolismo no qual ele caiu, o que tem vínculo direto com a forma como ele morreu. Ter uma situação dessa em casa gera um assombro.”

Sua mãe não gostava de rap, nem queria que ele seguisse essa carreira. Na periferia, ele diz, as pessoas não são moldadas para sonhar, mas fazer parte de uma engrenagem. “Só que sou uma engrenagem rebelde. Um parafuso que falou ‘vá se foder, vou ficar girando aqui o resto da minha vida? Sai fora.'”

Não ajudou o fato de que na década de 2000 o rap era visto como a música do crime. É algo que não mudou muito, diz o artista, lembrando as prisões de Oruam e Poze do Rodo, no Rio de Janeiro, acusados de fazer apologia do tráfico de drogas e de envolvimento com o crime.

“Quando ganhei a Liga dos MCs, em 2006, dormi na calçada com o prêmio no bolso. Minha mãe ficou brava de eu ter ido ao Rio fazer essa parada. Demorou para ela entender, e a gente nunca falou sobre isso”, diz. “É uma parada muito louca da relação de mãe e filho. São conversas que não aconteceram.”

Num dos áudios de “Mesmas Cores & Mesmos Valores”, Jacira, sua mãe, diz que precisa escrever, algo que ela fazia havia décadas. “Você ia pegar um caderno de receitas e tinha um negócio escrito sobre o bairro. Foi ver isso que me fez escrever”, diz o rapper. “Ela não entendeu que, além da cultura hip-hop, tinha algo dentro da minha casa que emanava dela e que me fazia teimar naquele bagulho. No meio das nossas tretas, minha capacidade de improvisar evoluiu. Eu não podia ter um caderno, ia gerar discussão. Tive que levar tudo para dentro da cabeça. E nas batalhas era onde eu podia botar para fora.”

Até sua primeira música, “Triunfo”, de 2008, Emicida teve outros trabalhos –foi pedreiro, artesão, assistente de estúdio. Quando lançou a mixtape de estreia, no ano seguinte, já foi por um selo próprio, o Laboratório Fantasma.

Tocada por ele com o irmão, a empresa nasceu da vontade de fazer as coisas por conta própria, dada a incompreensão em torno do rap –que começava dentro de casa, mas se estendia à indústria. Em alguns anos, se tornou uma das mais bem-sucedidas experiências independentes da música brasileira.

Além de Emicida e Evandro Fióti, a Lab publicou obras de gente como Rael e Drik Barbosa, desfilou na São Paulo Fashion Week com suas coleções de roupas, teve escritório, estúdio e um negócio rentável. Em abril, os irmãos romperam após um desacordo financeiro milionário e a disputa está na Justiça.

Emicida não proibiu a reportagem de perguntar sobre o assunto, mas não quis se aprofundar. “Em minha trajetória sofremos muito enviando trabalhos para a imprensa que não receberam a atenção que considerávamos devida. Não quero ser protagonista desse tipo de situação e prefiro não visitar esse assunto. A Laboratório Fantasma continua dentro de um litígio a partir desse desacordo, e a gente não tem previsão de fazer novos projetos através dela.”

O modelo de negócios que impulsionou a empresa fez sentido na época, ele diz, mas é uma bananeira que já deu frutos. Ele era baseado em publicidade –”monetizar cliques e ‘likes’ tendo visibilidade e seguidores”. “Essas métricas vão ser irrelevantes porque podem ser reproduzidas em uma agência por qualquer pessoa que tenha ou não um vínculo com algo verdadeiro.”

Para o rapper, a internet tem de voltar a ser protocolo, não plataforma, e a tendência é de fricção contra as redes. “Se você tem atenção por ser legítimo, consegue se manter de pé. Esse vai ser o parâmetro –pessoas que não são ameaçadas pela inteligência artificial porque significam algo fora do digital.”

Ele crê que a ascensão das pautas de afirmação de identidades marginalizadas no auge da gravadora gerou choques valiosos. “O resultado são as conversas que tenho com minhas filhas. Enquanto sociedade, fomos para um lugar melhor”, diz. “Tomamos flechadas e disparamos, mas eram ideias que precisavam de atenção. Excessos foram cometidos. Nem tudo o que foi dito por quem trouxe essas bandeiras foi legítimo. Assim como nem todo mundo que defendia outro ponto era digno de vaia.”

“Mesmas Cores & Mesmos Valores” sai pelo novo selo de Emicida, Cecrópia. “Pouco refrão? Só tem um”, diz Emicida, rindo, ao comentar o novo disco. Ele diz que cria sob uma lógica de agricultor –para ter um bom grão de café, é preciso um trabalho de três anos antes. Ao mesmo tempo, agora quis captar o calor do momento. Mais ou menos como uma foto de Walter Firmo, autor da capa do álbum do rapper, que retratou ícones do samba com um clique espontâneo.

Nisso sobram ruídos, silêncios e uma faixa de dez minutos que é música concreta no estilo John Cage. Ao fim da primeira música, ouvimos ao fundo um barulho de choro. “É um microfone que estava dentro do piano e colateralmente gravou o momento que eu estava chorando, me levanto, abraço o Amaro Freitas e a gente chora junto.”

As cores podem ser as mesmas, mas alguns valores mudaram. Em “Intro (É Necessário Voltar ao Começo)”, a primeira música da primeira mixtape, Emicida rima que Jesus perdoou demais e morreu, e Lampião confiou demais e morreu, antes de arrematar –”não confio nem perdoo, por isso mandaram eu”. Era ali o rapper que veste seu eu-lírico com uma capa de super-herói para inspirar o ouvinte e esconder fragilidades.

Emicida está de volta ao rap, mas não sem o que colheu enquanto se tornou um dos grandes nomes da história do gênero no Brasil. E com toda a sua vulnerabilidade. “Como todas as pessoas, também tenho minhas angústias, ansiedades, desesperanças. E aí a cabeça entra em um vórtex”, ele diz, citando o aprendizado budista a que recorria.

Até porque, para o rapper, o que define o melhor da música e da cultura brasileira é uma “dimensão inseparável da melancolia e da luz”. “Você vai achar isso na bossa nova, no Johnny Alf, no Jorge Ben Jor, nos Racionais”, ele afirma.

Emicida diz que sua “fase Racional” é um presente para o garoto que descobriu no poder das palavras o sentido da vida, e seu agradecimento aos responsáveis por isso, o maior grupo do rap nacional.

Afirma também que fez o novo álbum para aproximar pessoas e gerações. “A gente precisa se reconectar. Estou falando aqui numa esfera íntima, familiar, mas a gente precisa produzir uma atmosfera de conexão enquanto sociedade. E não é por ideologia simplesmente –é porque isso é vital para nossa sobrevivência enquanto povo. A gente vai ter que colocar perdão no horizonte. E perdoar não é fácil.”

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Fonte: Noticias ao Minuto