Manoel Carnaúba, da Impacto Bioenergia, diz que Bahia tem amplo potencial energético –
O avanço das energias renováveis e a necessidade de reduzir a dependência externa colocam o Brasil diante de uma oportunidade estratégica na transição energética. Especialistas e representantes do setor produtivo presentes no primeiro dia do iBEM 2026 (The International Meeting on Brazil’s Energy Market), na terça-feira, 24, apontam que o país, e especialmente a Bahia, reúnem condições únicas para liderar esse movimento, com destaque para o hidrogênio verde e projetos de biorrefino, além da produtos como o combustível renovável de aviação, o SAF.
Pedro Henrique Kool, da Guofuhee, empresa sino-brasileira em soluções para energia de hidrogênio verde, avalia que o crescimento da energia solar já levanta questionamentos sobre a capacidade do sistema em absorver essa expansão. Segundo ele, a integração de tecnologias é fundamental para garantir autonomia e segurança energética.
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“Nós integramos essa cadeia exatamente pra trazer uma autonomia e, principalmente, segurança energética”, disse.
Nesse cenário, o hidrogênio surge como peça-chave para aproveitar melhor a energia gerada. “Quando a gente pensa que as tecnologias de hidrogênio, elas podem ser agentes que vão aproveitar exatamente os elétrons que essa energia renovável está perdendo hoje pelo problema de curtailment e aplicá-los em diversas indústrias”, explicou. “Não só para reeletrificar como forma de geração de energia elétrica, mas também a aplicação em outros setores, como a mobilidade”.
Kool destaca a versatilidade da tecnologia. “Essa é a grande vantagem do hidrogênio. Ela é uma vedete que pode ser aplicada em diversas áreas”, afirmou. Ele também detalha o processo: “A gente utiliza um elétron que é gerado por uma fonte de energia e aí, quando a gente entende que essa fonte de energia é renovável, a gente vai gerar, então, através do processo da eletrólise, uma molécula renovável. E é isso que se chama hoje de hidrogênio de baixo carbono, o hidrogênio verde. É o futuro já”.
Apesar do potencial, o especialista ressalta que ainda há avanços a serem feitos, mas vê o Brasil em posição privilegiada. “Tem bastante coisa a ser desenvolvida ainda, mas acreditamos que o Brasil está num caminho muito forte, muito positivo, porque, diferente de outros países, não adotou uma política de rota única”, disse. “O que a gente defende também é a diversidade. E esse é o caminho que o Brasil está seguindo, diferente de vários outros países, e que nos coloca em uma posição muito favorável”.
Pedro Henrique Kool, da Guofuhee, avalia como fundamental a integração energética
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Bahia no centro do debate
Para Kool, a Bahia se destaca ainda mais nesse contexto. “A Bahia é ainda mais privilegiada por ser um estado diverso na geração de energia e na sua atividade industrial e também bioecológica, com uma variedade de fauna, flora e atividade agroindustrial que já dá para a gente uma robustez muito grande e um alicerce essencial para o que a gente chama de biorefino”.
Essa visão é compartilhada por Manoel Carnaúba, da Impacto Bioenergia, que aposta justamente no biorrefino como vetor de desenvolvimento regional. “O momento é muito oportuno para discutir transição energética”, afirmou.
Ele explica que a empresa já desenvolve um projeto no oeste baiano. “A Impacto, junto com produtores agrícolas da região do Jaborandi, estamos falando do oeste da Bahia, lá já fronteira com Goiás, nós estamos juntos implantando uma biorrefinaria, onde nós vamos produzir, além de etanol, também ração animal”, disse.
O plano prevê expansão para outros produtos renováveis. “Numa segunda etapa, nós queremos produzir diesel renovável, a partir de caroço de algodão e óleo de milho. Vamos produzir também fertilizantes a partir de fontes renováveis, metanol, combustível para navios, e o combustível renovável de aviação, o SAF”, detalhou.
Segundo Carnaúba, o diferencial está na integração entre produção agrícola e energia limpa. “Tudo isso a partir do milho produzido naquela região e usando a energia renovável produzida na Bahia como fonte de energia que vai mover tudo isso”, afirmou.
Ele reforça que o estado reúne condições ideais para produção. “A Bahia é um ambiente propício, tem uma terra para conseguir tudo isso. Extremamente propício. Nós temos aqui a maior geração solar e eólica”, disse.
Atualmente, parte dessa energia ainda não é plenamente aproveitada. “Hoje, essas energias estão sendo produzidas em grande quantidade no Estado. Infelizmente, não conseguimos consumir toda essa energia”, afirmou. A proposta da biorrefinaria é justamente mudar esse cenário. “A Impacto está chegando com esse projeto da biorrefinaria para consumir boa parte dessa energia renovável”.
O objetivo, segundo ele, é avançar para uma matriz totalmente limpa. “No futuro, a nossa fonte de energia será solar e eólica 100%”, concluiu.
Fonte: A Tarde



