segunda-feira, fevereiro 23, 2026
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Bahia usa equilíbrio nas contas para virar motor de tecnologia e inovação

A Bahia vive um momento estratégico onde a responsabilidade com as contas públicas se transforma em combustível para o futuro. Com uma gestão financeira sólida, o Governo do Estado tem conseguido viabilizar projetos que colocam a ciência, a tecnologia e a inovação no centro do desenvolvimento econômico regional e que têm impactado vidas e transformado histórias de baianos e baianas.

De frente para a Baía de Todos os Santos, Iaracy respirou pela última vez no domingo de Carnaval. Partiu cercada da família e cuidada por uma equipe especializada em cuidados paliativos. Ela lutava contra um câncer no endométrio e passou as últimas semanas no Hospital Mont Serrat, 1º e único totalmente SUS do Brasil dedicado a pacientes terminais.

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A menos de 150 km de Salvador, no município de Santa Bárbara, Maiane Carvalho, 19 anos, cursa administração e tem pela frente a perspectiva de grandes realizações. Ela vislumbra transformar em empreendimento o conhecimento acumulado a partir de pesquisas realizadas no colégio Carlos Valadares, que renderam, a ela e suas colegas, dois prêmios internacionais.

Mas, de que forma as histórias de Iaracy e Maiane poderiam se cruzar? Uma, se encontrou com o prognóstico irremediável. Outra, olha para o futuro e enxerga um enorme leque de possibilidades. Ambas foram beneficiadas por investimentos públicos em políticas inovadoras desenvolvidas a partir do equilíbrio nas contas públicas que viraram motor de tecnologia e inovação.

A saúde financeira da administração estadual, construída ao longo de duas décadas, foi fundamental para que esse “encontro” de histórias fosse possível. Em 2025, a Bahia liderou os investimentos entre os estados brasileiros, com um total de R$ 4,12 bilhões desembolsados nas áreas social e de infraestrutura somente no período de janeiro a agosto.

Nem parece SUS

Um exemplo desses investimentos foi feito no Hospital Mont Serrat. Idealizado pela médica intensivista Karoline Apolônia, coordenadora de cuidados paliativos da Secretaria de Saúde do Estado (Sesab). Ela despertou para a necessidade de uma abordagem humanizada no tratamento de pacientes terminais na adolescência, após acompanhar a doença do avô, que escolheu passar os últimos dias junto da família.

Após conquistar a especialização em UTI no hospital Albert Einstein (SP), Karoline passou pelo Hospital Santa Isabel, onde teve a primeira experiência com cuidados paliativos.

Em 2018, já na Sesab, propôs a criação do hospital Mont Serrat, juntamente com o Dr. Franklin Santana. “Cuidados paliativos é qualidade de vida e de morte. A gente não cura patologia”, diz a coordenadora do hospital.

Bruna Kyara, filha de D. Iaracy, é testemunha disso. Ela e o pai se “instalaram” no Mont Serrat para dividir com ela todos os momentos que lhe restavam. “Minha mãe dizia que estava no céu”, lembra Bruna, que faz questão de ressaltar a qualidade da equipe multidisciplinar. “Não acredito que isso é SUS”.

Dra. Karine não gosta dessa afirmação. Seu intuito é levar o mesmo atendimento ao maior número de hospitais da rede pública. Para isso, desenvolveu um protocolo de telemedicina que deve ser implantado, em breve, contribuindo para a qualificação de equipes em todo o estado. “Já que somos os primeiros, temos que criar um modelo”.

D. Iaracy degusta caranguejo no hospital, duas semanas antes de falecer. | Foto: Acervo pessoal

A ideia é atender não só paciente, mas também a família. Como no caso de D. Iaracy, que foi atendida no seu desejo de comer caranguejo no aniversário do marido, e de Bruna, que passou a ter acompanhamento psicológico para lidar com a depressão. “O fato de ser terminal, sem expectativa, a depressão estava me afetando mais que a doença. Aqui não é tabu falar sobre a morte”, diz Bruna.

Portas abertas

Se o acolhimento recebido no hospital Mont Serrat surpreende, os projetos científicos que se multiplicam na rede estadual de ensino não ficam para trás. A professora Hevelynn Franco Martin, engenheira de alimentos e doutora em biotecnologia, é coordenadora de inovação e empreendedorismo na Secretaria de Educação (SEC) e está envolvida diretamente em 25 projetos.

Dois deles levaram Maiane Carvalho de Santa Bárbara até a Colômbia, onde, junto com outros estudantes, conquistou duas medalhas de ouro na Feira Internacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Maiane começou na pesquisa com a professora Hevelynn.

Maiane, bicampeã em feirta internacional de ciências. Portas abertas para o futuro.

Maiane, bicampeã em feirta internacional de ciências. Portas abertas para o futuro. | Foto: Acervo pessoal

O projeto abriu as portas para a faculdade de administração e para o mercado de trabalho. Hevelynn me despertou para a inovação.

Maiane Carvalho – Estudante de administração

Os projetos premiados envolvem a Kombucha, bebida probiótica produzida a partir de chá, a partir do qual desenvolveram um protetor facial e até uma bolsa biodegradável, utilizando o ‘scoby’, cultura de bactérias que faz parte da produção da bebida.

O projeto venceu na categoria ciências da saúde. Outra iniciativa, o ‘Pet Cat’, foi o primeiro colocado em ciências da natureza, com uma ração para gatos sem aditivos a partir de batata, farelo de trigo, cenoura e sardinha. “Tudo tão novo, meu coração voltou cheio de alegria”, lembra a estudante sobre a viagem para a feira.

O sucesso na pesquisa é um estímulo ao empreendedorismo. “Uma coisa leva à outra”, pondera Maiane, que planeja criar uma empresa para produzir e comercializar os novos produtos. Ela também tem consciência de que suas conquistas inspiram outros jovens. Como nas visitas que fazem a escolas municipais. “Meu Deus, ó que massa, posso fazer isso também”, relata Maiane, se referindo à reação dos estudantes.

Qualidade do gasto

Para investir nesses e outros projetos, como rodovias, escolas, hospitais, nova rodoviária, VLT, entre outros, o Governo do Estado precisou abrir espaço no orçamento. O primeiro passo foi rever e disciplinar processos de compra e de custeio na máquina pública.

O programa Qualidade do Gasto levou para todas as secretarias os princípios do Compromisso Bahia, criado na Secretaria de Administração a partir da adesão voluntária. Hoje, a Sefaz tem acesso ao orçamento de todas as secretarias e orienta as despesas de acordo com critérios de eficiência de economicidade.

“A gente faz um comparativo entre as secretarias, com foco em adequar para que gaste melhor, não reduz orçamento”, diz Manuela Martinez, diretora da ação de qualidade do gasto da Sefaz.

O resultado é uma economia de R$ 9,5 bilhões (25% do orçamento de R$ 38 bilhões).

“Não fosse essa política, além de não economizar, teria gasto mais. Os custos sobem, se não tem trabalho da gestão vai haver descontrole. É igual em casa, custos aumentam ano a ano. É um trabalho de bastidor que envolve contratação, priorização, evitar desperdícios”, complementa a gestora.

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Fruto desse trabalho, a relação entre a dívida e a receita recuou para 33% em 2025, cinco vezes menos que em 2002, quando chegou a 182%. Somente no atual governo, foram R$ 20,2 bilhões investidos desde 2023.

O equilíbrio das contas permite ampliar a capacidade de obter novas operações de crédito com o aval do Tesouro Nacional. Não para aumentar o endividamento, mas para reduzir o custo da dívida ao passo em que se alongam os prazos de liquidação.

Se o controle de gastos abre linhas de crédito, o investimento em obras de infraestrutura cria condições para atração de novos empreendimentos, impactando a receita com a ampliação da base de arrecadação. O principal exemplo é a BYD, que se instalou em Camaçari, trazendo várias outras subsidiárias para se integrar à produção de veículos elétricos e híbridos.

Ressalvas

O auditor fiscal e dirigente do sindicato dos servidores da fazenda estadual (Sindsefaz), Cláudio Meirelles, tem ressalvas sobre a estratégia de alavancagem de investimentos. Para ele, muito do desenvolvimento da Bahia foi alicerçado em benefícios fiscais.

Além do mais, ele destaca que “o investimento público em escolas, hospitais e estradas viram despesas de custeio num segundo momento”. Meirelles admite que a infraestrutura contribui, mas, não é determinante para atrair novos empreendimentos, sem os quais não há crescimento da receita corrente.

A Sefaz, através de sua assessoria, esclarece que a Receita Corrente do Estado da Bahia vem crescendo acima da inflação nos últimos anos, ultrapassando os R$ 72,4 milhões em 2025 frente a pouco mais de R$ 68 milhões no ano anterior.

Sobre custeio, a nota informa que as despesas são acompanhadas pela área de Qualidade do Gasto da Sefaz, que está buscando aperfeiçoar o monitoramento por meio de um novo sistema de controle de custos.



Fonte: A Tarde

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