Estudantes do Colégio Estadual Mestre Paulo dos Anjos –
Uma pesquisa recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou o retrato da crise de saúde mental vivenciada por adolescentes de 13 a 17 anos na Bahia. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) mostram que 29,4% dos jovens afirmam se sentir tristes na maioria das vezes ou sempre – o equivalente a quase três em cada dez estudantes.
Conforme adiantou A TARDE, essa realidade coloca o estado em 12º lugar na lista de maior prevalência de tristeza crônica no país.
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Entre os fatores que podem explicar o sentimento de tristeza constante estão:
- Dificuldade nas relações familiares;
- Pressão escolar;
- Assédio moral;
- Insegurança em relação ao futuro.
Diante desse cenário, a rede estadual de ensino da Bahia tem apostado em uma combinação de estrutura e acolhimento para enfrentar a questão. As novas escolas contam com espaços que vão além da sala de aula tradicional, como teatro, quadras cobertas, pistas de atletismo e até piscina, estimulando o protagonismo estudantil e o uso saudável do tempo.
Além da infraestrutura, projetos artísticos, culturais, científicos e ambientais têm sido utilizados como ferramentas de expressão, convivência e até terapia ocupacional.
Para a psicóloga da rede estadual, Natalia Santos de Jesus, esses ambientes mais completos têm impacto direto no bem-estar dos estudantes. “Hoje, muitos alunos até dizem que preferem estar na escola, porque lá encontram alimentação, amigos e lazer”, afirmou.
Desde 2025, a Secretaria Estadual da Educação (SEC) atua com o núcleo “Educação que Cuida”, formado por psicólogos e assistentes sociais. Ao todo, são 54 profissionais de cada área atuando de forma preventiva, com ações coletivas voltadas ao acolhimento e à identificação de vulnerabilidades nas escolas distribuídas nos 27 Núcleos Territoriais de Educação (NTEs).
O trabalho, segundo o diretor de execução das políticas para a educação básica da SEC, Fabio Barbosa, inclui rodas de conversa, oficinas e palestras sobre temas como bullying, racismo e ansiedade, questões frequentemente relatadas pelos próprios estudantes. Quando necessário, os casos são encaminhados para atendimento especializado, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
“Deve-se ter, nos territórios de educação, todo o suporte biopsicossocial para esses estudantes e para essas famílias, porque não é um atendimento apenas do estudante, mas a necessidade geral da população e dos munícipes”, destacou Fabio.
“Não há realização de atividades terapêuticas individualizadas, mas, sim, trabalho de forma coletiva no enfrentamento dessas situações para que a escola se consolide como um ambiente acolhedor e de promoção da saúde na sua integralidade”, completou.
Uso excessivo de redes sociais
Outro ponto de atenção é o uso excessivo de redes sociais, apontado como fator de comparação e frustração entre os jovens. Segundo a psicóloga Natalia, a recente restrição ao uso de celulares nas escolas pode ajudar a reduzir o isolamento e estimular a convivência entre os alunos.
“Os estudantes deixam de ter uma vida saudável, deixam de dormir bem. Sabemos que o convívio social é muito importante para o desenvolvimento do jovem. O uso dessa tecnologia, que agora foi proibida dentro das escolas, vai contribuir muito com essa nova associação de reconhecer os seus colegas novamente dentro do ambiente escolar. Então, o índice da ansiedade e da depressão, muito fortemente, vai diminuir, porque os alunos são obrigados agora a reconhecer os seus pares”, pontuou.
Cuidar de quem cuida
O cuidado, no entanto, não se limita aos estudantes. É necessário olhar também para quem cuida: o professor. Para isso, a SEC criou o Programa de Atenção à Saúde e Valorização do Professor (Pasvasp), que oferece suporte especializado para lidar com a sobrecarga emocional. O programa também atua nos 27 NTEs, promovendo acolhimento psicológico, prevenção e escuta qualificada por meio de uma equipe multidisciplinar composta por profissionais de fisioterapia, fonoaudiologia, nutrição, psicologia e serviço social.
“O cuidar de quem cuida é o principal, porque ele vai cuidar de outras pessoas também. Então, precisamos ter esse olhar voltado para o professor, porque existe uma sobrecarga. E essa escuta e atendimento a esse professor são justamente para ajudá-lo a achar formas que possam aliviar essa sobrecarga e até melhorar as relações”.
Desde a pandemia, a gestora do Colégio Estadual Ministro Aliomar Baleeiro, em Salvador, Andreia Passos, realiza acompanhamento psicológico por meio do Pasvasp. Segundo ela, o acesso também é garantido aos demais professores da unidade.
“Eu faço terapia até hoje pelo programa. Como gestora escolar, acompanho o fato de que vários professores meus também recebem esse suporte; quando precisam, eles agendam e realizam as sessões. Na pandemia, os profissionais acompanharam vários alunos e salvaram demais a gente. Como até hoje temos esse acesso, basta agendar para termos a liberdade de conversar com um psicólogo. Se precisarmos, nas reuniões de professores, eles estão sempre presentes. Para mim, a saúde do professor na escola é algo importantíssimo”, destacou.
Para acessar o serviço, o profissional da educação deve encaminhar o pedido para o e-mail [email protected], informando os seguintes dados:
- Nome completo;
- CPF;
- Telefone (WhatsApp);
- Cargo ou função;
- Unidade escolar;
- Município;
- Matrícula;
- NTE.
Fonte: A Tarde



