sexta-feira, março 13, 2026
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Bahia consolida liderança e excelência acadêmica em pós-graduação no Nordeste

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), fundação vinculada ao Ministério da Educação (MEC), divulgou nesta semana a atualização dos resultados da avaliação quadrienal dos Programas de Pós-Graduação em todo o país. Os dados mostram uma evolução expressiva da Bahia no cenário do Nordeste, tanto no volume de programas quanto no avanço da qualidade acadêmica.

Segundo o levantamento, a Bahia possui 210 programas de pós-graduação, distribuídos entre universidades públicas e privadas. Desse total, 59 programas tiveram aumento de nota na avaliação da CAPES, o maior número entre os nove estados nordestinos.

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Além dos avanços, 119 programas mantiveram suas notas, indicando estabilidade na qualidade da formação acadêmica, enquanto apenas cerca de 7% registraram redução.

A avaliação do CAPES é considerada o principal mecanismo de aferição da qualidade da pós-graduação brasileira.

O processo analisa critérios com produção científica, impacto das pesquisas, formação de mestres e doutores, internacionalização e inserção social dos programas, atribuindo notas que variam de 1 a 7.

Fomento científico

O avanço da pós-gradução na Bahia também está diretamente relacionado ao fortalecimento das políticas de fomento à pesquisa do estado. Nos últimos anos, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), órgão vinculado à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), ampliou os investimentos em bolsas e programas estratégicos, principalmente em parceria com a CAPES.

Entre 2021 e 2024, a Fapesb, em conjunto com as Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) baianas, apresentou projetos que resultaram na assinatura de quatro Acordos de Cooperação Técnica. As iniciativas possibilitaram a captação de R$ 34,1 milhões da CAPES que, somados à contrapartida de R$ 7,4 milhões da Fundação, totalizam aproximadamente R$ 41,5 milhões em investimentos voltados ao fortalecimento da pós-graduação no estado. Os recursos são destinados à concessão de bolsas e ao apoio aos programas de pós-graduação.

Para o diretor-geral da Fapesb, Handerson Leite, os resultados refletem um esforço conjunto entre governo, instituições de ensino superior e comunidade científica. “A Fapesb e a Secti têm desempenhado um papel importante nos acordos de cooperação com a CAPES, não apenas na concessão de bolsas, que viabilizam pesquisas, mas também no fortalecimento dos próprios programas de pós-graduação. O avanço da

Bahia nessa avaliação demonstra a maturidade do nosso sistema de ciência, tecnologia e inovação. Temos buscado ampliar o apoio à formação de pesquisadores, fortalecer os programas e estimular a produção científica no estado. Esse resultado é fruto de uma construção coletiva que envolve universidades, pesquisadores e políticas públicas voltadas para desenvolvimento científico”.

Liderança regional

O desempenho coloca a Bahia em posição de destaque na região. O estado concentra cerca de 22% de todos os programas de pós-graduação do Nordeste, que somam 957 avaliados pela CAPES. No cenário regional, outros estados também possuem sistemas consolidados de pós-graduação. Pernambuco, por exemplo, reúne 164 programas avaliados pela CAPES e integra o grupo de estados com forte presença na formação de mestres e doutores no Nordeste.

Segundo o secretário da Secti, Marcius Gomes, o avanço da pós-graduação na Bahia reflete uma estratégia de fortalecimento da CT&I com foco no desenvolvimento dos Territórios baianos.

“Quando investimos na formação de mestres e doutores e no fortalecimento dos programas de pós-graduação, estamos também investindo no futuro da Bahia. A atuação da Secti, em parceria com a Fapesb e as ICTs, tem buscado ampliar oportunidades em todo o estado, com intencionalidade e olhar para as potencialidades de cada território.

Para o futuro próximo, estamos estruturando normativas para pensar o desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação a partir das contribuições das políticas de pesquisa e pós-graduação das universidades e institutos, transformando conhecimento científico em desenvolvimento socioeconômico, geração de emprego e renda e melhoria da qualidade de vida da população”.

Nas universidades, o resultado também é percebido como reflexo de investimentos contínuos na qualificação da pesquisa e da pós-graduação. Para a pró-reitora de pesquisa e pós-graduação da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), no sul da Bahia, Fernanda Gaiotto, o desempenho reforça o protagonismo das instituições baianas no cenário regional.

“É um cenário muito positivo. Atribuo esse sucesso coletivo ao diálogo e à transparência que acontecem na CAPES, na Diretoria de Avaliação, no investimento que o Governo do Estado tem feito, em especial na pós-graduação das universidades de um modo geral, através do lançamento de editais, como os Incites e também o Ciência na Mesa. São vários editais importantes com os quais a Fapesb fomentou a pesquisa no estado, e isso se reflete, obviamente, na pós-graduação como um todo.O investimento estadual e federal no ecossistema de ciência e tecnologia, que envolve as pós-graduações, reflete nesse aumento das notas e na qualidade dos recursos humanos formados nas universidades baianas para servir à sociedade baiana”, destacou.

O professor Robério Rodrigues Silva, pró-reitor de pesquisa e pós-graduação da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), avalia o avanço como resultado de uma política institucional voltada para o fortalecimento da pós-graduação no estado. Segundo ele, quando universidades fora dos grandes centros ganham visibilidade nos processos de avaliação nacional, também se evidencia a necessidade de políticas que reduzam desigualdades regionais na produção científica.

“Quando uma universidade do interior têm espaço para dizer como é difícil fazer ciência no interior do Nordeste, a gente consegue mostrar que é necessário haver o que chamamos de redução de assimetrias regionais, a partir do fomento do conhecimento e da educação”, afirma.

Para o pró-reitor, os resultados da Avaliação Quadrienal 2025 da CAPES confirmam o processo de consolidação da pós-graduação da instituição. “Os resultados demonstram o quanto a pós-graduação da UESB tem cresciso e se consolidado.

O desempenho institucional atingiu um nível histórico: 93,75% dos nossos programas de pós-graduação possuem conceito 4 ou superior. Este índice reflete a maturidade e um padrão de qualidade que perpassa várias as áreas do conhecimento na universidade”, explica.

De acordo com o professor, manter esse nível de qualidades é um desafio permanente. “Alcançar e sustentar o nível de excelência internacional é um desafio para qualquer instituição, e ganha ainda mais relevância quando essa conquista vem de uma universidade estadual do interior,” conclui.

Conforme dados da CAPES, outros estados importantes do sistema regional também apresentaram crescimento, mas em escala menor. O Ceará teve 35 programas com aumento de nota, mesmo possuindo 147 no total. Já a Paraíba, com 113 programas, também registrou 35 avanços.

Estados com sistemas menores apresentaram crescimento proporcional relevante, com o Maranhão, que possui 69 programas e 27 aumentos de nota, e o Rio Grande do Norte, com 108 programas e 31 avanços.

Os resultados evidenciam que, além de possuir o maior número de programas de pós-graduação do Nordeste, a Bahia também vem ampliando a qualidade e o desempenho de sua pós-graduação, consolidando o estado como referência regional na formação de pesquisadores e no desenvolvimento científico.



Fonte: A Tarde

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