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Bahia aposta na cultura para melhorar aprendizagem nas escolas

Bahia aposta na cultura para melhorar aprendizagem nas escolas –

Ampliar a presença da cultura no ambiente escolar por meio do intercâmbio entre estudantes, professores, profissionais da educação, artistas e mestres da cultura é o objeto da ação “Arte e Cultura na Educação em Tempo Integral”, lançada nesta quarta-feira, 1º, pelo Governo da Bahia em parceria com o Ministério da Cultura (MinC) e o Ministério da Educação (MEC).

A solenidade aconteceu no Colégio Estadual Luiz Viana, em Salvador, reunindo gestores públicos, estudantes e representantes da comunidade escolar.

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A ação será executada por meio de parceria entre a Secretaria de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura (Sefli/MinC), a Fundação Nacional das Artes (Funarte), a Secretaria de Educação Básica (SEB/MEC), além das secretarias estaduais de Cultura (Secult-BA) e de Educação (SEC).

Na Bahia, a ação deve impactar 16,8 mil estudantes de oito escolas, distribuídas em oito municípios de sete territórios de identidade. Entre as frentes de atuação estão:

  • história e cultura afro-brasileira e indígena;
  • atuação de artistas residentes nas escolas;
  • trocas com mestres das culturas populares e tradicionais;
  • promoção da leitura, da escrita criativa e da literatura;
  • atividades culturais fora da escola;
  • sessões mediadas de audiovisual e cinema, com adequação de teatros em salas vocacionadas de cinema;
  • cultura do acesso e direitos culturais das pessoas com deficiência.

Importância da iniciativa

Durante o evento, a secretária da Educação do Estado, Rowenna Brito, destacou a importância da iniciativa como ferramenta pedagógica e de fortalecimento da aprendizagem. Segundo ela, a Bahia já desenvolve ações nessa área, mas a parceria com o Governo Federal amplia o alcance das políticas.

“A gente já faz isso no estado da Bahia, nos nossos 417 municípios. Temos um estudante finalista de projeto artístico-cultural, temos o Encontro Estudantil na Fonte Nova, nos territórios, e a gente ganha um apoio, um reforço do Governo Federal com a Funarte, com o secretário [da Secult-BA) Bruno Monteiro, e com a ministra Margareth Menezes. Eu fico muito feliz da gente poder ocupar as nossas escolas com mais arte, com mais cultura, para potencializar a aprendizagem dos estudantes”, afirmou.

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De acordo com a titular da pasta, a implementação ocorrerá inicialmente em territórios e unidades escolares selecionadas. “Nesse primeiro momento, a gente vai experimentar com um grupo de territórios e de unidades escolares, mas a nossa expectativa é chegar nos 417 municípios”, disse.

Presente no evento, o secretário de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, reforçou a integração entre as políticas públicas de educação e cultura como estratégia para o desenvolvimento social e econômico dos jovens. Ele também destacou o avanço da educação em tempo integral no estado.

“Hoje são quase 700 escolas já na Bahia com teatro, com essa atuação integrada dessas duas políticas. Nós queremos cada vez mais que as escolas também sejam lugares de formação em arte, de formação técnica na cultura, para que, de fato, essa área do conhecimento e toda a economia criativa sejam de forma crescente a possibilidades reais para o desenvolvimento da nossa juventude”, afirmou.

Adesão nacional

Ao todo, 24 das 27 unidades da federação aderiram ao programa, que deve alcançar cerca de 123 mil estudantes em 604 escolas, distribuídas por 346 municípios em todo o país. A iniciativa também contempla escolas do campo, indígenas e quilombolas, ampliando o alcance territorial e social da política pública.

Em entrevista à reportagem de A TARDE, o secretário de Formação, Livro e Leitura do MinC, Fabiano Piúba, explicou que a iniciativa integra políticas federais e estaduais e já conta com adesão da maioria dos estados brasileiros.

“Os dois ministérios [Educação e Cultura] assinaram um acordo de cooperação técnica e depois instituiu, por meio de uma portaria, a ação Arte e Cultura nas escolas em tempo integral, que é uma ação que se dá por meio de uma chamada às secretarias estaduais”.

“Eu gosto de dizer que a cultura melhora o Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica], melhora os processos de ensino e aprendizagem dos nossos estudantes, crianças e adolescentes, mas também amplia a capacidade crítica, inventiva, de ler e reinventar o mundo”, complementou.

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A diretora de Políticas e Diretrizes da Educação Integral Básica do MEC, Tereza Farias, explicou que a ação faz parte do eixo “Entrelaçar”, criado para aproximar diferentes áreas do conhecimento do ambiente escolar. A proposta é ampliar e diversificar a formação dos estudantes, especialmente os matriculados em escolas de tempo integral.

“Dentro desse modelo, os estudantes passam a ter mais contato com experiências formativas ligadas à arte e à cultura, com mestres e saberes da cultura presentes no espaço escolar, fortalecendo a integração entre o currículo e a diversidade de expressões artísticas”, afirmou.

Cadernos Técnicos Funarte de Mediação Artística

Durante o evento de lançamento, também foram apresentados os “Cadernos Técnicos Funarte de Mediação Artística”, que servirão de suporte pedagógico para educadores e profissionais da cultura atuarem de forma integrada nas escolas.

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Para a presidente da Funarte, Maria Marighella, o momento representa um marco para o reconhecimento das artes como política de estado.

“Essa ação materializa esse compromisso na prática, levando a arte e a cultura para dentro das escolas. A cultura é um direito e também um motor de desenvolvimento, gerando trabalho, renda e fortalecendo a cidadania”, ressaltou.

Estudantes apoiam a ação

Estudantes que participaram do lançamento destacaram a expectativa com as novas atividades. Marla Ferreira, de 16 anos, afirmou que a integração entre arte e ensino amplia horizontes e torna o aprendizado mais dinâmico e significativo. “Achei maravilhoso esse programa de cultura, como o que está acontecendo aqui hoje na escola, com o circo, as apresentações e também a palestra. É uma coisa diferente acontecendo. Gostei de ver a cultura inserida no ambiente escolar”, disse.

“Estou gostando muito. Já aprendi sobre equilíbrio e também a andar de monociclo. É algo muito bom para nós, porque ajuda a gente a se conectar mais com os professores e colegas”, afirmou Alan Santos de Souza, 16 anos, estudante do 2º ano do ensino médio.

A previsão é de que a ação “Arte e Cultura na Educação em Tempo Integral” na Bahia siga em execução até dezembro de 2026.



Fonte: A Tarde

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