O excelente resultado de uma ação articulada e coletiva é tão mais celebrado quanto mais grupos sociais e órgãos públicos envolvidos participem do mutirão. Esta é uma teoria possível, quando se verifica a pausa na importação de cacau da Costa do Marfim, em movimento liderado pela Bahia.Para os protagonistas, a decisão tem impacto direto tanto na segurança fitossanitária quanto no ambiente econômico. O setor produtivo uniu-se ao governo federal, à Assembleia Legislativa da Bahia, ao Congresso Nacional e ao Ministério da Agricultura.Cada qual comemorou a seu modo o êxito de todas e todos, ao final compartilhado: a publicação do Despacho Decisório número 456/2026. O motivo alegado e constante nos autos é o de proteger a produção baiana dos riscos de pragas e doenças transmitidas nas amêndoas marfinenses.
A decisão tem impacto direto tanto na segurança fitossanitária quanto no ambiente econômico, unindo proteção contra pragas e fortalecimento do mercado
Não se pode abrir a costa para a ameaça de uma outra peste semelhante à conhecida por vassoura de bruxa, imagem associada à das plantas adoecidas. Uníssono e persuasivo, o argumento decorre do fluxo de grãos oriundos de países vizinhos à Costa do Marfim, misturando frutos de distintas origens.
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Bastava a estratégia de vetar a compra da amêndoa fermentada e já estaria moralmente justificada a aliança nascida das velozes trocas de ideias baianas. A medida, no entanto, transcende à questão de segurança dos cacaueiros: a convergência vem da infraestrutura, conduzida pela economia.Do ponto de vista do mercado, a redução da oferta externa contribui para a recomposição da renda do agricultor em momento de forte instabilidade. Com o agravamento da crise por distorções de preços, insegurança regulatória e riscos sanitários, o Governo da Bahia escolheu agir rápido – e agiu bem.Não apenas organizou a luta, mas fez dela o que se espera de um governo comprometido com a cidadania: transformou a vitória em necessidade. O sabor é o de um chocolate, tal a goleada de vantagens obtidas pela equipe baiana: o útil da preservação dos cacaueiros uniu-se ao agradável dos negócios agrícolas.
Fonte: A Tarde



