Quando o termo “outsider” — aquele candidato que não tem experiência prévia na política tradicional, vindo de outra carreira — nem de longe era amplamente debatido no segmento, um apresentador brasileiro chamou atenção por decidir concorrer ao cargo mais importante do país: a Presidência da República.
Silvio Santos, em 1989, tomou a decisão naquela que seria a primeira eleição direta ao Palácio do Planalto desde o fim da ditadura militar, encerrada quatro anos antes. Além disso, o país vivia uma “efervescência política” por recentes acontecimentos como as “Diretas Já” e a promulgação da Constituição Federal.
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A oficialização ocorreu no dia 31 de outubro daquele ano, pelo Partido Municipalista Brasileiro (PMB) — legenda criada em 1985 e terminou as atividades há 37 anos. O número era o 26.
Isso só foi possível graças a uma brecha na legislação eleitoral aberta com o veto do então presidente José Sarney à data-limite de 15 de maio para a filiação partidária de postulantes. Silvio ainda tentou uma candidatura pelo antigo PFL (atual União Brasil), mas sem sucesso.
Silvio Santos teve candidatura meteórica – porém impactante – à Presidência da República em 1989
Substituição e impacto
O martelo foi batido após uma reunião, naquela terça-feira, com o candidato a vice de Sílvio, Marcondes Gadelha e outros senadores do partido.
Naquele encontro, o candidato Armando Corrêa concordou em ser substituído por Silvio, já conhecido na televisão brasileira pelas aparições na TVS/SBT nos anos 1980.
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O anúncio da candidatura de Silvio Santos teve grande repercussão no meio político e foi criticada pelos adversários. No entanto, pesquisas realizadas à época apontavam que ele estava, inclusive, à frente do futuro vencedor daquele pleito, Fernando Collor.
Um dos levantamentos, publicado no dia 2 de novembro, trouxe o cenário: sem Silvio Santos, Collor estava na liderança, com 27,5%; com o apresentador, Collor foi para o segundo lugar com 18,6%, e Silvio ficou com 29%.
Propostas e propaganda
Entre a propostas de campanha, Silvio definiu como prioridades saúde, educação e habitação, pois, segundo ele, estavam ligados “à formação de um capital humano eficiente”, que ajudaria a desenvolver o país. Com relação à economia, o apresentador disse que gostaria de “liquidar a inflação”.
Na sua propaganda, Silvio teve como desafio chamar atenção do eleitorado para que ele, de fato, era o candidato do PMB ao Palácio do Planalto. Isso porque, naquela época, votava-se em uma cédula de papel feita pelo TSE, que eram feitas com antecedência.
O documento mostrava o nome de Corrêa com o número 26, apesar da substituição. Assim, na veiculação (veja vídeo abaixo), além de um jingle — “É o 26! É o 26! Com o Silvio Santos, chegou a nossa vez” —, o próprio Silvio aparecia explicando a situação da votação na cédula.
Começo do fim
As outras legendas, diante da ascensão de Silvio Santos, começaram a se mobilizar junto a Justiça Eleitoral. Em 3 de novembro, um dia após a primeira veiculação da propaganda de Silvio Santos, o TSE atendeu ao pedido do PDT e suspendeu as peças.
No dia 6, o Partido da Reconstrução Nacional (PRN), a legenda de Fernando Collor, pediu a extinção do PMB ao Tribunal. Além dos dois partidos, outras legendas questionaram o fato de o PMB estar desrespeitando leis eleitorais e que, por isso, a sigla não poderia disputar o pleito.
No dia 9 de novembro, veio o fim. Em rápida sessão na Corte, o TSE decidiu pela impugnação da candidatura de Silvio Santos, de forma unânime, assim como a ilegalidade do PMB na disputa.
Fonte: A Tarde



