No meio da folia, o clima no Algodão Doce mistura alegria e um aperto no peito. Este é o último Carnaval de Carla Pérez à frente do bloco infantil que ajudou a construir ao longo de três décadas em Salvador.
Na avenida, não são apenas fantasias coloridas e coreografias sincronizadas que chamam atenção. O que se vê é memória viva.
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Adultos que cresceram acompanhando a artista voltam a cantar como crianças. Pais e filhos dividem o mesmo coro. O bloco virou ponto de encontro entre passado e presente.
Despedida que atravessa gerações
Celma, 60 anos, acompanha Carla há 30 anos. A admiração começou ainda nos tempos de televisão e se fortaleceu com o passar das décadas. Dentro de casa, o carinho virou herança.
Mãe de um filho com deficiência, ela define o Algodão Doce como um espaço de acolhimento. Para ela, o bloco sempre foi diferente pelo cuidado com as crianças e pela distribuição de abadás a instituições, permitindo que muitas crianças especiais participassem da festa.
Celma e família
Para Celma, Carla representa a família. “A gente se sente criança. Eu esqueço que tenho 60 anos”, conta, emocionada. O anúncio da despedida veio acompanhado de lágrimas. Em um encontro recente com fãs, o choro foi coletivo.
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Três décadas de fidelidade
Luiz Carlos também carrega uma história de longa data com a artista. São mais de 30 anos acompanhando cada passo. Ele afirma que começou a frequentar o Carnaval de Salvador por causa do bloco infantil.
A saída de Carla tem um peso simbólico para ele. “Eu acho que, pra mim, é o último ano também”, diz.

Luiz Carlos
Pode até voltar à festa em outras ocasiões, mas admite que nada será igual. Entre tantos carnavais, ele não escolhe apenas um momento especial. Todos são marcantes.
O que mais o emociona é ver as crianças chamando “Tia Carla” na avenida, com brilho no olhar. “Ela é luz, é energia pura”, resume. A tristeza, segundo ele, é inevitável.
Uma infância que cresceu na avenida
Cláudia acompanha o projeto desde o começo. Fã desde os tempos do grupo É o Tchan, levou essa paixão para dentro de casa.
A filha começou a participar ainda bem pequena, aos dois anos. Hoje, segue ao lado da mãe no bloco. Vestida de anjinho, a menina traduz o sentimento com simplicidade: acha o bloco “bem lindo”.

Cláudia e filha
Para Cláudia, o anúncio da despedida também trouxe preocupação. Ela destaca que há poucas iniciativas voltadas ao público infantil durante o Carnaval e lembra que o Algodão Doce sai apenas em dois dias da folia. “As crianças gostam de se divertir”, reforça.
Fim de um ciclo, memória que permanece
A saída de Carla Pérez não significa apenas a mudança de comando em um trio elétrico. Para muitos foliões, representa o encerramento de uma etapa pessoal.
Ao longo de 30 anos, a artista construiu um espaço onde famílias se encontraram, crianças puderam brincar com segurança e fãs reencontraram a própria infância.
No último desfile, entre confetes, sorrisos e lágrimas, fica a sensação de que o Carnaval infantil perde uma de suas figuras mais simbólicas. Mas a memória afetiva, essa segue viva em cada “Tia Carla” ecoado na avenida.
Fonte: A Tarde



