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a história da mulher que desafia estereótipos

No quinto capítulo da série “8 de Março, 8 Mulheres, 8 Histórias”, o Portal A TARDE foi até a Base de Apoio ao Usuário da Concessionária Bahia Norte, na cidade de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), para conhecer Tiele Medrado, de 36 anos.

Primeira operadora viária da empresa e a única mulher entre os 51 profissionais que atuam na função, ela compartilha sua trajetória na profissão e os desafios e conquistas de abrir caminho em um setor majoritariamente masculino

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Antes de chegar à BA-535, mais conhecida como Via Parafuso, Tiele percorreu outros caminhos profissionais. Formada em técnico de enfermagem, ela tentou ingressar na área, mas encontrou um obstáculo comum a muitos profissionais em início de carreira: a falta de experiência.

Por falta de oportunidade na área de técnica de enfermagem, Tiele buscou outros caminhos | Foto: Clara Pessoa/ Ag. A TARDE

“Eu me formei em 2012 no curso técnico de enfermagem, tentei vaga, trabalhar na área, mas, infelizmente aquela questão de trabalhar precisa de experiência, né? Mas, como é que vai ter experiência se ninguém nunca dá oportunidade?”, questiona.

Diante dessa dificuldade, Tiele decidiu buscar outras oportunidades e começou a trabalhar como motorista de transporte escolar. A experiência ao volante, acabou abrindo novas portas e a levou até a profissão que hoje exerce.

A estrada como novo caminho

A chance de se tornar operadora viária surgiu durante uma busca por vagas de trabalho na internet. Tiele conta que encontrou um processo seletivo voltado especialmente para mulheres.

“Eu vi na internet uma vaga sobre operador viário, especialmente para mulheres. A exigência era categoria D, e eu já tinha essa habilitação”, explica.

Depois de enviar o currículo, ela foi chamada para a entrevista e, posteriormente, para integrar a equipe. Há sete meses na função, Tiele realiza rondas diárias entre os quilômetros 0 e 24 da rodovia administrada pela concessionária, prestando assistência aos usuários.

Para ela, não tem tempo ruim

Para ela, não tem tempo ruim | Foto: Clara Pessoa/ Ag. A TARDE

Entre as atividades do trabalho estão ajudar motoristas em situações como troca de pneus, remoção de objetos da pista, apoio em acidentes e acionamento de equipes de resgate ou guincho quando necessário.

A rotina também exige longas horas de direção. “A gente faz ronda de 12 horas, das seis às seis. Sempre que completo uma volta, passo na base para tomar um café e dar uma despertada, porque dirigir o tempo todo cansa”, conta. Além de dirigir uma caminhonete, Tiele também opera o caminhão guincho.

Orgulho de ser pioneira

Tiele revela que, ser a primeira mulher na função trouxe, no início, um misto de nervosismo e responsabilidade. “De início eu fiquei meio apreensiva, nervosa. Mas, depois a gente vai vendo que não é difícil, mas também não é fácil. Aí a gente acaba se acostumando”, afirma.

Segundo ela, o ambiente de trabalho foi marcado pelo acolhimento. A operadora viária destaca o apoio constante dos colegas e da equipe de coordenação, que sempre se colocam à disposição quando é necessário suporte em alguma ocorrência.

Apesar disso, ela reconhece que algumas situações de estranhamento ainda acontecem, principalmente, durante os atendimentos nas rodovias.

“Quando eu chego para ajudar, às vezes perguntam: ‘A Bahia Norte não tem homem mais não?’ Aí eu respondo: ‘mulher não pode fazer, não, as coisas?’, conta ela, entre risos, revelando que prefere levar essas situações com leveza. “Eu dou risada. Porque se levar a sério, a gente perde o dia”, completa.

Uma referência dentro de casa

Fora do trabalho, Tiele encontra na família o principal apoio. Casada há 18 anos, e mãe de Sofia, de 11, ela lembra que a filha se orgulha tanto da sua profissão, que costuma contar às amigas detalhes de seu trabalho.

“Ela diz: ‘minha mãe dirige tudo’. E já fala que quando fizer 18 anos também quer tirar carteira para dirigir”, fala, sem esconder a emoção.

Em meio ao preconceito e ao machismo, Tiele escolhe sorrir

Em meio ao preconceito e ao machismo, Tiele escolhe sorrir | Foto: Clara Pessoa/ Ag. A TARDE

Para ela, o incentivo da filha e do marido é um combustível importante para seguir firme na profissão, que, além de garantir uma renda extra para a família, também representa independência e realização pessoal.

Persistir é o caminho

Ao falar sobre o Dia da Mulher, Tiele ressalta que a luta por espaço e reconhecimento continua, mas alerta que a sociedade ainda está em processo de mudança, embora os avanços já sejam perceptíveis.

Conforme ela, a presença feminina em profissões historicamente ocupadas por homens contribui para ampliar oportunidades e incentivar outras mulheres que também desejam seguir esse caminho.

Por isso, deixa um recado para quem ainda tem receio de tentar. “Persistência e prática. Muita prática. Não adianta tirar a carteira e deixar guardada, usar como identidade [documento]. Persistam, porque vocês vão conseguir”, finaliza a operadora viária Tiele Medeiros.

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A reportagem vai mostrar como a jovem encontrou na área técnica um caminho profissional e vem conquistando espaço em um setor ainda dominado pelos homens.

Emilly Luiza dos Santos Dias

Emilly Luiza dos Santos Dias | Foto: José Simões/ Ag. A TARDE

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Com o objetivo de debater temas fundamentais para o público feminino, o Grupo A TARDE promove o evento “Mulheres em Pauta: Empoderamento e Segurança”. O encontro será realizado no dia 17 de março, das 15h às 18h, no Auditório do SEBRAE (Rua Arthur de Azevêdo Machado, 1225, Edf. Civil Towers, Costa Azul, Salvador – BA). A iniciativa integra as celebrações em torno do Dia da Mulher, reunindo discussões sobre protagonismo e proteção no cenário atual.



Fonte: A Tarde

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