terça-feira, abril 7, 2026
spot_img
HomeÚltimas NotíciasA estratégia de Caiado para deslanchar nas intenções de voto

A estratégia de Caiado para deslanchar nas intenções de voto

Mesmo que no primeiro discurso oficial de pré-candidato não tenham faltado críticas contundentes ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu governo, ao mesmo tempo em que sobravam afagos e promessa de anistia ampla, geral e irrestrita para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e todos os condenados por tentativa de golpe de Estado, que não restem dúvidas: o grande adversário do ex-governador de Goiás e pré-candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, é o pré-candidato do PL, senador Flávio Bolsonaro.

Pelo menos, até a realização do primeiro turno das eleições 2026 e caso ele não queira que sua candidatura seja apenas de coadjuvante. Com identificação histórica com o agronegócio e o campo político conservador, se Caiado quiser ser levado à sério e entregar uma campanha eleitoral competitiva, com chances reais de crescer, terá que tentar roubar votos no eleitorado de centro à direita do pré-candidato do PL ao posto, filho de Bolsonaro. Não será uma tarefa fácil.

Assim que foi anunciado oficialmente como sucessor de Bolsonaro na corrida presidencial e pré-candidato do PL, Flávio agregou muito rapidamente os votos da direita, conforme indicam diversas sondagens eleitorais de institutos de pesquisas realizados desde então. Levantamento do instituto AtlasIntel divulgado no dia 25 de março, por exemplo, mostra o candidato de oposição encostando no petista no primeiro turno e assumindo a dianteira no segundo.

VEJA TAMBÉM:

  • Os ministros de Lula que deixaram o governo para concorrer nas eleições de 2026

Flávio avança sobre Lula nas recentes sondagens de intenção de voto

Nas simulações de primeiro turno, Lula ainda mantém uma vantagem relativamente confortável, com 46% contra 40% de Flávio em um dos cenários. Ainda assim, a dinâmica recente revela uma mudança relevante: desde janeiro, o senador avançou cerca de cinco pontos percentuais (de 35% para 40%), enquanto Lula recuou três (de 49% para 46%), indicando redução gradual da distância entre os dois. 

 No segundo turno, o senador aparece tecnicamente empatado com Lula, mas numericamente à frente, com 47,6% contra 46,6% das intenções de voto, enquanto 5,8% se declaram indecisos. A pesquisa foi realizada pela internet entre os dias 18 e 23 de março, com 5.028 eleitores em todo o país, e tem margem de erro de um ponto percentual, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-04227/2026.

Em contrapartida, Caiado parte de um percentual de intenção de votos baixo, indicam as sondagens eleitorais. Ele orbita na casa dos 4% das intenções de voto no primeiro turno nas pesquisas divulgadas em março. Nos cenários estimulados de primeiro turno da última pesquisa Quaest, Ronaldo Caiado aparece com 4% das intenções de voto nos dois cenários em que é testado. Nessas simulações, Lula varia entre 36% e 39%, enquanto Flávio Bolsonaro oscila entre 32% e 34%.

A pesquisa Quaest entrevistou 2.004 pessoas entre os dias 6 e 9 de março. A pesquisa foi contratada pelo Banco Genial S.A. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Registro no TSE nº BR-05809/2026.

Caiado investe em mostrar resultados da gestão em Goiás para o brasileiro

Integrantes do PSD de São Paulo próximos à articulação da campanha do ex-governador de Goiás dizem à Gazeta do Povo reservadamente, que há uma perspectiva de crescimento a partir desse patamar inicial a partir das próximas pesquisas a serem registradas no TSE, já que as sondagens disponíveis foram feitas antes do anúncio oficial do nome dele para a Presidência da República.

A partir deste impulso inicial, a ideia é tornar Caiado e seu trabalho como governador mais conhecidos nacionalmente. No plano administrativo, Caiado fez a lição de casa em Goiás e tem o que mostrar para o resto do país — o que, nas mãos de uma equipe de comunicação bem financiada e competente, pode fazer a diferença.

Ele deixa o governo com um bom cartão de visitas de cerca de 88% de aprovação da população,  indicam pesquisas recentes. Segundo o governo de Goiás, a gestão de Caiado viabilizou, desde 2019, R$ 23,7 bilhões em investimentos ao longo dos dois mandatos.

VEJA TAMBÉM:

  • Governador do Paraná Ratinho Junior

    Os sinais que Ratinho Junior deu ao Brasil e que ficaram pelo caminho

“Risco é da candidatura ser politicamente útil para Kassab e eleitoralmente curta para Caiado”, diz cientista político

Para o cientista político Samuel Oliveira, Caiado pode ser menos importante como candidato e mais importante como instrumento de reorganização do campo político à direita. “Ele oferece uma direita com cara de gestão, segurança e ordem, mas sem depender integralmente do sobrenome Bolsonaro”, afirma o cientista político.

“Isso pode atrair um pedaço do eleitorado de centro-direita que quer ser anti-Lula sem ficar refém da polarização mais identitária com Flávio”, diz. Apesar disso, Oliveira vê riscos para o ex-governador goiano na estratégia.

“O maior desafio de Caiado é se tornar conhecido fora de Goiás, e que uma campanha presidencial de fato competitiva exigiria algo na casa de pelo menos R$ 100 milhões, justamente quando o PSD tem outras prioridades estaduais e legislativas. Então, o risco da candidatura é ser politicamente útil para [Gilberto] Kassab, mas eleitoralmente curta para o próprio Caiado”, avalia.

Ele não enxerga o ex-governador de Goiás como uma mera linha de apoio a Flávio Bolsonaro na campanha. “Caiado parece estar sendo testado como candidato para interceptar parte desse eleitorado, sem romper totalmente com a direita que vota nos Bolsonaro e sem fechar a porta para uma recomposição mais ampla adiante. Em resumo, a candidatura dele é real o bastante para mexer no tabuleiro, mas ainda parece mais forte como ferramenta de barganha e reposicionamento partidário do que como caminho óbvio para o Planalto”, afirma Oliveira. 

Na percepção do também do cientista político Wagner Wilson Deiró Gundim, a hipótese de terceira via se encontra afastada do panorama atual. “Muito embora a gestão de Caiado seja uma referência na área da segurança pública no Brasil, uma bandeira hoje muito importante e cara para o país, as chances reais de que possa ‘furar’ a polarização e se consolidar como terceira via são mínimas”, afirma ele à Gazeta do Povo.

Para Gundim, a candidatura Caiado é lançada com mais com o objetivo de, no segundo turno, apoiar a candidatura de Flávio com algumas condições: ministérios, participação no governo, estatais e mais. “Ao lançar uma candidatura própria, inclusive, o PSD de Kassab permite que ele faça o jogo político que sempre fez: negociar, nos bastidores, quem receberá o apoio político final. Embora haja uma tendência natural de Caiado em apoiar o Flávio Bolsonaro, tudo vai depender do que for oferecido em troca do eventual apoio”, diz Gundim.

Na avaliação do economista, professor e estrategista político Luis Carlos Burbano Zambrano, Caiado trata-se de uma figura com densidade política, experiência administrativa, trajetória institucional e legitimidade própria. “Ainda assim, no cenário atual, o papel mais plausível para sua campanha em 2026 parece ser esse, o de reforçar a ofensiva da direita contra Lula, sem conseguir romper a polarização principal”, afirma Burbano.

Fonte: Gazeta do Povo

- Advertisment -spot_img

Mais lidos