O novo líder rural deve estar antenado às mudanças –
A revolução das máquinas, que costumávamos ouvir nas aulas de histórias, não parou no século XVIII. As transformações industriais também não ficaram estagnadas nas grandes cidades, como foram caracterizadas pelo êxodo rural, que ficou popularmente conhecido até a década de 80. Agora, essa revolução está no campo.
A pecuária brasileira vive uma transformação silenciosa, porém deve revolucionar a forma em que hoje conhecemos o que é o campo. As tecnologias estão em todo o lugar, e agora alcançam novas soluções agropecuárias no Brasil.
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Em um cenário de custos mais altos, maior pressão por eficiência e avanço acelerado das tecnologias no campo, especialistas apontam para uma mudança no perfil do líder rural.
Mais do que domínio técnico, o gestor da fazenda de 2030 precisará reunir:
- Capacidade analítica
- Visão estratégica
- Habilidade para formar equipes
- Competência para transformar dados em decisões práticas e de forma ágil
Para Rodrigo Patussi, diretor da Terra Desenvolvimento, a pecuária moderna exige uma liderança mais preparada para lidar com cenários complexos e variáveis cada vez mais sensíveis ao negócio.
“Ele deve ter um maior entendimento mais abrangente do seu negócio, e maior conhecimento de que a sua fazenda está para além de produzir boi, grão ou resultados para rentabilidade. Ele terá mais conhecimento de gestão e conexão de pessoas de pessoas. Ele precisa estar ligado à objetividade e a participação. Essa liderança vai delegar mais, vai entender os objetivos do seu negócio e direcionar as ações para que sejam atingidos”, explica ele.
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Segundo ele, o novo líder deve precisa entender, três principais índices de gestão:
Tático;
Estratégico Operacional;
Equilíbrio
“Eu acredito que esse é o desenvolvimento, e mais do que nunca, desenvolver é uma comunicação eficiente, falar menos e comunicar mais para transformar efetivamente o trabalho em resultado”, finalizou ele.
Perfil tecnológico na Bahia
Segundo o presidente do Sistema Faeb/Senar, Humberto Miranda, o mercado agropecuário deve ser marcado cada vez mais pelas mudanças tecnológicas. Segundo ele, o setor deverá ser mais tecnificado, mecanizado e tecnológico.
Tudo isso também deverá influenciar o perfil do novo homem do campo na Bahia, que segundo ele, deverá ser mais antenado
Miranda aponta, entretanto, um grande desafio que deve ser trabalhado com produtores rurais e líderes do campo antes dessa revolução digital: a educação tecnológica.
“A gente precisa criar um modelo de educação que qualifique essa mão de obra para ele poder absorver, a mecanização, tecnificação e as novas tecnologias que estão aí à palma da nossa mão e do nosso celular”, explicou ele.
Outro ponto que deve ser considerado é também a revolução sustentável. O presidente aposta em uma produção 100% ligada à sustentabilidade e junto com isso à mecanização até 2030, o que pode impulsionar ainda mais os postos de trabalho na Bahia.
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“Hoje existe falta de mão de obra, e isso está ligada a uma série de coisas. Primeiro, a diversidade de oportunidades e a diminuição do crescimento da população brasileira que diminuiu absurdamente nos últimos anos. Essa população que está com capacidade produtiva de ocupar os postos de trabalho, precisa ter máquinas. Por isso, a mecanização para que com menos gente a gente consiga produzir mais, seja alimentos, seja outras coisas na questão da agroindustrialização”, continua ele.
Impactos da Guerra no Oriente Médio
Em entrevista ao Portal A TARDE, no inicio dos conflitos no Oriente Médio, a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) disse que um dos impactos para o setor agrícola baiano seria a elevação dos preços dos produtos, principalmente commodities.
De acordo com os dados do Comexstat apurados pela SEI, as exportações baianas para o Oriente Médio no consolidado de 2025 representaram apenas 2%, enquanto as importações foram 3%.
Apesar de não serem expressivas, a Bahia importa dessa região principalmente:
- Fertilizantes (35%)
- Plásticos e suas obras– Insumos industriais (25%)
Para Patussi, isso também é fator decisivo para a mudança do perfil do líder rural, e para isso essa liderança deve ser mais defensiva, além de estar mais atenta às efetividades e eficientes nos recursos e tecnologia diante da volatilidade.
“Hoje, o mundo é muito mais conectado, porque a nossa economia é conectada com o mercado consumidor e o mercado fornecedor. Tudo o que acontece lá fora, deve bater aqui, e isso afeta o custo de produção. As fazendas precisam ter uma defesa na margem em relação ao custo de produção e valor de venda”, explicou ele.
Fonte: A Tarde



