quarta-feira, abril 8, 2026
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Shoppings de Salvador podem ser proibidos de abrir aos domingos

Se projeto se tornar lei, estabelecimentos precisarão se adaptar. –

Os shoppings centers de Salvador podem ter que se adaptar a uma nova realidade em breve. Isso porque um projeto de lei apresentado na Câmara Municipal pretende proibir o funcionamento de lojas nestes estabelecimentos aos domingos.

Neste dia da semana, somente será permitido o funcionamento dos empreendimentos voltados para entretenimento e alimentação.

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A ideia central da proposta apresentada pelo vereador Maurício Trindade (PSDB) é permitir a abertura do comércio de segunda a sábado até as 21h, com encerramento completo das atividades após esse horário.

Ainda de acordo com a proposta, o horário de funcionamento poderá ser estendido, excepcionalmente, durante feriados, véspera de feriados e outras datas previamente autorizadas pela Prefeitura de Salvador.

Em caso de descumprimento,poderão ser aplicadas as seguintes penalidades aos estabelecimentos infratores:

  • Multa pecuniária no valor de R$ 15 mil;
  • Suspensão temporária do alvará de funcionamento em caso de reincidência;
  • Cassação definitiva do alvará de funcionamento em casos de reincidência reiterada.

Na justificativa do projeto, Maurício Trindade argumentou que a proposta tem como objetivo garantir a integridade física, psicológica e social dos trabalhadores que atuam nesses estabelecimentos, que muitas vezes encerram suas jornadas em horários avançados da noite e precisam retornar para casa utilizando transporte público precário ou percorrendo trajetos inseguros.

“É importante destacar que a maioria desses trabalhadores reside em bairros periféricos, enfrenta longas distâncias e não dispõe de meios próprios de transporte, ficando ainda mais vulnerável a assaltos, agressões e outros tipos de violência. A manutenção de horários excessivamente estendidos, embora atenda a interesses comerciais, acaba transferindo aos empregados um ônus desproporcional, colocando em risco sua segurança e qualidade de vida”, defendeu.

O vereador ainda acrescentou que a redução do horário de funcionamento contribui para a promoção de condições de trabalho mais dignas. “O desenvolvimento econômico não pode se sobrepor ao direito fundamental à vida e à segurança dos trabalhadores”, afirmou.

Divergência

O presidente do Sindicato dos Lojistas (Sindilojas), Paulo Motta, se manifestou totalmente contrário à medida, que classificou como lamentável.

“Eu acho uma coisa absurda. Tem uma legislação federal que é a lei 10.101 de 2000 que define que para feriados tem que estar em convenções coletivas definindo as condições de trabalho e para domingo basta dar folga. É lamentável que um um parlamentar ache que pode melhorar a condição de trabalho limitando o trabalho na cidade de Salvador”, comentou.

Hoje nós temos uma e-commerce com uma concorrência extremamente forte que substitui o consumidor ir para as áreas comerciais. Eu vejo com muita tristeza e espero que a Câmara Vereadores arquive esse tipo de iniciativa que não ajuda nada e gera prejuízos

Paulo Motta, presidente do Sindilojas

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Já o presidente do Sindicato dos Comerciários, Renato Ezequiel, apoia a iniciativa. Ele lembra que medida se junta a discussão recente sobre ao fim da escala de trabalho 6×1, que tramita no Congresso Nacional.

“Essa é uma luta nossa de muito tempo. Os horários dos shoppings são muito alongados e a redução da jornada de trabalho é fundamental. Acho que o vereador foi muito feliz em apresentar a proposta”, elogiou.

Essa carga de trabalho é exaustiva, está adoecendo os trabalhadores e as trabalhadoras e impactando na Previdência Social, o que é ainda pior. O que os patrões estão fazendo é usar o ser humano como uma cana, tira o caldo e joga o bagaço fora, é isso que nós estamos vivendo. Portanto, eu acho que essa atitude do vereador aí é louvável, muito importante

Renato Ezequiel, residente do Sindicato dos Comerciários

O projeto ainda será analisado nas comissões temáticas da Câmara para depois ir para votação no plenário. Só depois de aprovado pelos vereadores a proposta seguirá para a sanção ou veto do Executivo.



Fonte: A Tarde

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