terça-feira, abril 7, 2026
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Coleção Cartas Bahianas ganha novas obras de Állex Leilla e João Filho

Conheça os novos lançamentos de Állex Leilla e João Filho –

Autora de mais de dez livros de ficção, a escritora baiana Állex Leilla, e o também baiano João Filho, autor de outros tantos livros, lançam nesta quinta-feira, 9, a partir das 18h, no Boteco Português (Rio Vermelho), suas novas obras.

Como parte da coleção Cartas Bahianas, da P55 Edição, Állex apresenta ao leitor Sonhe comigo nas noites de verão – crônicas escritas ao longo de três décadas –, e João, Raízes aéreas – um apanhado de poesias contemporâneas.

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Em seu livro, Leilla nos conduz por uma reunião íntima de nove crônicas, com o olhar atento de quem observa o extraordinário no cotidiano. A autora resgata textos ‘teimosos’ que sobreviveram ao tempo e ao esquecimento.

Segundo Állex, textos ‘teimosos’ são aqueles “que a gente demora de perceber o valor. Muitas vezes não conseguimos fazer com que funcionem dentro de uma história ou projeto. Eles não nos satisfazem quando o lemos, tem sempre alguma coisa precária ou inacabada”.

Para ela, a crônica é o menor gênero da narração, ficando atrás do conto, romance, diário, biografia, novela ou memórias. “Ela tem, por natureza, uma forma híbrida, com seu ‘pezinho nervoso’ que ora está na ficção, ora no jornalismo, ora na história; sempre tendo como meta refletir o cotidiano de quem narra”.

No livro, o leitor vai se deparar com fatos cotidianos, casos engraçados, além de registros de diálogos inusitados que Leilla conseguiu capturar em suas andanças por Aracaju, Maceió e Salvador.

“São valores e afetos dessa narradora que vos fala, bem como um pouco da atmosfera dos anos 1990, anos 2000 até 2020 – pois o livro abre com uma crônica de 1990 e encerra com outra escrita durante a pandemia”, adianta a autora.

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Embaladas por trilhas sonoras que vão de Roberto Carlos a Morrissey, nas narrativas, Állex conta que a ideia da crônica é transformar o cotidiano em eterno. “É o brilho provocado por uma mancha de óleo numa poça de água; o riso repentino de uma criança desconhecida; a flor que seus olhos flagram num jardim – são fagulhas, insights na nossa rotina”.

“Eu sou apaixonada por essas efemeridades; para mim é Deus nos chamando a atenção para o extraordinário da vida, nós, que vivemos imersos no ordinário. Então, quero lembrar dessas faíscas, quero que elas permaneçam dentro de todo o cotidiano vivido, não evaporem diante da materialidade da vida”, alinhava.

Na verdade, quem escreve quer conhecer o desconhecido, perscrutar os sentidos das coisas vivenciadas e imaginadas e aprender com elas, de acordo com Leilla. “Acredito que falar do que se vê e do que se sente, para o outro, é apenas um primeiro plano da escrita, pois o mais desafiante é ir além do que já sabemos do mundo”.

Síntese e concisão

Por outro lado, João Filho, através de seus versos, explora a dicotomia sugerida pelo título: o enraizamento na tradição e a leveza etérea do espírito e da linguagem. Em 52 páginas (número limite da coleção Cartas Bahianas), os poemas de Raízes aéreas são pequenas epifanias escritas entre 2005 e 2009.

“Criei uma personagem chamada Lúcia de Assis Delorme, psicóloga paulista, nascida em 1974, que perdeu a família num desastre aéreo, recebeu a herança e veio morar em Salvador. Com caixa postal e e-mail próprios, ela enviou seus poemas para vários escritores, poetas, críticos etc., da literatura brasileira e todos, de forma positiva ou negativa, responderam”, detalha João.

O livro está recheado de poemas que procuram captar certos instantes das relações humanas e da natureza, segundo o autor. “São poemas curtos como se fossem flashs desses momentos. Um exemplo: ‘manhã / gota de luz / suspensa / antes / de se espatifar / contra / o / dia – imensa’”.

“Em Raízes aéreas, procurei um diálogo com algumas características da poesia de Orides Fontela (1940-1998) e de Hilda Hilst (1930-2004): síntese, concisão e temas metafísicos”, arremata.

E quando o assunto é a própria literatura, João Filho confessa que é ambicioso. “Ambição não é pretensão, ou seja, ser presunçoso. Logo, a minha é fazer o leitor enxergar o real com mais amor e gratidão, dos átomos às galáxias”.

Marido e mulher, João e Állex estarão, depois de amanhã, autografando os livros lá no Boteco Português.

Lançamento dos livros Sonhe comigo nas noites de verão e Raízes aéreas (P55 Edição) / 09 de abril / 18h / Boteco Português (R. Borges dos Reis, 16, Rio Vermelho) / R$ 35 (cada) / R$ 60 (combo com os dois)



Fonte: A Tarde

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