Morte de George Chocolate foi confirmada pelo Bloco Afro Muzenza –
A morte do cantor José George Nascimento, conhecido como George Chocolate, aos 63 anos, neste domingo, 5, provocou comoção no cenário cultural baiano e reforçou a dimensão de sua trajetória como uma das vozes mais importantes dos blocos afro.
Integrante do Bloco Afro Muzenza por mais de duas décadas, ele construiu um legado ligado à afirmação da identidade negra, à musicalidade do reggae e à atuação política no Carnaval de Salvador.
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Comoção e reconhecimento imediato
A morte de George Chocolate foi confirmada pelo Bloco Afro Muzenza nas redes sociais. “Foram mais de 20 anos de história no Afro Muzenza, levando sua voz, sua energia e seu amor pelo reggae para todos nós”, disse o comunicado.
“Ele não fez só música fez família, construiu caminhos e deixou um legado que jamais será esquecido. Em nome da Família Muzenza, expressamos nossos sentimentos aos familiares. Descanse em paz, Chocolate”, finalizou.
A Secretaria de Cultura da Bahia também se manifestou. “Neste momento de dor, a Secult-BA se solidariza com familiares, amigos e com toda a comunidade ligada ao Muzenza, entidade com relevância histórica na Bahia e que contribui com o talento de artistas que levam a cultura da Bahia para o mundo.” Segundo o órgão, o artista morreu por causas naturais.
“Um choque difícil de aceitar”
Dentro do Muzenza, a notícia foi recebida com impacto. Em entrevista ao portal A TARDE, o diretor-presidente Jorge Santos descreveu o sentimento do bloco. “Foi uma surpresa, um choque e uma realidade difícil de aceitar.”
Ele destacou que a importância de Chocolate ia além da música. “Chocolate representava para o Muzenza, um artista e cidadão, comprometido com as raízes e ações da instituição, tanto no palco, como fora dele.”
Também ressaltou a relação próxima com os integrantes. “O cantor conseguia interagir com todos, por conta de seu carisma e humildade.”
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Voz de conscientização e resistência
A força de George Chocolate estava diretamente ligada ao conteúdo de suas músicas e à forma como as interpretava. “As suas canções que sempre referendavam o poder das mulheres, a luta e resistência do povo negro”, afirmou Jorge Santos.
Para Sandro Teles, produtor musical do Ilê Aiyê, essa característica fez dele uma referência dentro e fora da Bahia. “Recebemos com muita tristeza o falecimento de Chocolate, porque entendemos que ele é um dos grandes intérpretes, um dos grandes cantores do bloco afro aqui no Brasil.”
Ele destacou a importância de George Chocolate dentro do movimento. “Ele foi de suma importância para esse movimento dos blocos afros, porque Chocolate era aquele cantor que interpretava as músicas com muito sentimento”, disse.
O produtor também ressaltou o conteúdo das interpretações do artista. “Um sentimento de conscientização, de valorização da cultura negra. Ele tinha muito forte essa questão do reggae nas suas canções”, completou.
Presença marcante no movimento negro
Segundo Sandro Teles, a atuação de Chocolate também se destacava nos momentos coletivos do movimento negro. “O Ilê fez muitas participações, principalmente nas caminhadas do 20 de novembro, quando todos os blocos estão juntos fazendo essa celebração, e Chocolate estava sempre junto, com a força do Muzenza.”
O produtor também destacou o teor das músicas interpretadas pelo artista. “Ele vinha com canções de conscientização, que o Muzenza sempre faz em celebração a Bob Marley. Então, a gente entende que o mundo do reggae hoje está triste, e o mundo dos blocos afro também está triste com a partida desse grande cantor”, completou.
Para o produtor, a dimensão da perda ultrapassa o cenário baiano. “A partida de Chocolate representa uma grande perda para o movimento negro brasileiro. Eu não digo nem baiano, digo o movimento negro brasileiro, porque Chocolate se tornou uma grande referência da música dos blocos afro.”
Ele reforça o impacto da trajetória do artista. “Chocolate sempre teve uma atuação muito forte na música dos blocos afros, com letras impactantes e uma voz que nos levava a celebrar a música negra”, disse.
O produtor também destacou a identidade marcante do cantor. “Ele sempre teve isso nele: essa questão da referência negra, da valorização do reggae, da luta contra o sistema. Então, Chocolate sempre teve essa personalidade, e para a gente isso é muito importante”, completou.
Uma trajetória necessária para os blocos afro
Sandro Teles também destacou o papel histórico de George Chocolate na construção do movimento. “A atuação dele ao longo de todos esses anos na ala de canto do Muzenza mostra isso: a força, a resistência, a luta do povo negro através da voz desse grande cantor”, disse.
Ele também relembrou a trajetória do artista dentro do bloco. “Ele teve uma trajetória de muita força, porque, desde as décadas de 80 e 90, com a criação do Muzenza, desde quando ele chega ao bloco, já expõe para todos nós essa visão que tinha de levar a conscientização através da música”, afirmou.
“Ele teve uma trajetória muito, muito necessária para a música dos blocos afros, e principalmente para o Muzenza do Reggae”, completou.
Legado que permanece
Mesmo após a morte, o legado de George Chocolate deve seguir vivo dentro do Muzenza. “Através da manutenção de suas canções no Muzenza”, afirmou Jorge Santos. Sobre possíveis homenagens, ele explicou. “Não há nada programado. Mas, devido as circunstâncias, não descartamos essa possibilidade.”
Para Sandro Teles, a contribuição de George Chocolate permanece como símbolo de resistência. “Com sua voz potente, com letras de resistência, com letras de elevação da autoestima, ele nos deixou hoje, e o movimento negro brasileiro perde muito com a partida desse grande intérprete, o nosso querido George Chocolate.”
Ele também lamentou a morte do cantor e destacou o sentimento coletivo diante da perda. “A gente fica triste com a partida desse grande cantor, que nos deixou hoje. É uma tristeza muito forte para todos nós”, disse.
O produtor reforçou ainda a permanência do legado deixado por George Chocolate. “Ele foi de suma importância para os blocos afros, e sua música vai ficar sempre nos nossos corações”, completou.
Fonte: A Tarde



