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Belchior ganha tributo emocionante com trio feminino em Salvador

De uns anos pra cá, os artistas decidiram revisitar a obra do grande cantor e compositor cearense Belchior (1946 – 2017). Desde que ele nos deixou, há exatos nove anos, aos 70 anos de idade, sua obra vem sendo ovacionada pela turma da música e, claro, quem sempre ganha é o público.

Agora é a vez de Marisa Orth, Buhr (agora sem o Karina no nome) e a cantora e compositora paulista Taciana Barros trazerem para Salvador o show que andam fazendo em homenagem ao bardo cearense desde 2017. Amar e Mudar as Coisas – Belchior 80 acontece de 17 a 19 de abril, na CAIXA Cultural Salvador.

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Cantora e atriz paulista, Marisa Orth assume os vocais, a intérprete baiana criada no Recife, Buhr responde por voz e percussão, e Taciana Barros, por voz, guitarra e piano. O espetáculo conta ainda com Estevan Sinkovitz nos violões e guitarras, e Zéli Silva no baixo acústico.

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O tributo a um dos maiores letristas e poetas da MPB celebra os 80 anos de Belchior com um repertório clássico e consagrado do mestre de letras como ‘a minha alucinação é suportar o dia a dia / e meu delírio é a experiência com coisas reais’.

Com relação ao repertório, Marisa avisa que vai cantar umas canções “bem difíceis, viu? Eu canto umas beeem famosas, que são muito conhecidas do público. E que tem… não vou falar porque dá spoiler, entendeu? Vamos dizer que eu tô estreando agora o Coração Selvagem. Essa eu posso falar”.

Já Buhr ficou com as clássicas A Palo Seco, Sujeito de Sorte, Fotografia 3×4, dentre outras. “Também toco percussão em algumas. As músicas foram pensadas pela poesia, escolhidas por Taciana Barros pro lançamento da biografia Apenas um rapaz latino-americano, abrangendo períodos diferentes da carreira dele, dentro do que foi gravado”.

E Taciana informa que vai cantar músicas que a cortam ao meio, como Divina Comédia Humana. “Participo como instrumentista também, tocando guitarra, piano e violão junto com dois músicos importantes da cena paulista que admiro muito. E durante os improvisos instrumentais, lerei trechos da biografia de Belchior ao lado de Marisa e Buhr”.

Trio complementar

Inédito na capital baiana, o espetáculo terá três noites de apresentações com um repertório composto por 15 canções, entre elas, além das já citadas, as icônicas Como Nossos Pais, Velha Roupa Colorida, Apenas um Rapaz Latino-Americano, Alucinação e Hora do Almoço.

Idealizado por Taciana, o projeto surgiu quando Jotabê Medeiros, autor da biografia Apenas um rapaz latino-americano, pediu a ela que fizesse um show somente com canções de Belchior no dia do lançamento do livro.

“Para este projeto, mergulhei em todo o seu vasto e incrível repertório e escolhi a dedo o setlist (tarefa difícil porque tem muita música boa). Fazer esse som tem me ensinado muito, e segue me transformando a cada show”, detalha Barros.

“Cresci em uma família que ouvia muita música, e Belchior foi parte importante da minha formação. Na adolescência, quando comecei a tocar piano, descobri que canções que Elis consagrou, e que tocavam frequentemente na vitrola dos meus pais, eram dele”, arremata.

Durante Amar e Mudar as Coisas – Belchior 80, as três vão cantar algumas músicas juntas. “E fazemos back, abrimos vozes, né? Agora, o que a gente gosta mesmo é de assistir uma à outra”, revela Marisa.

“Eu acho que é muito complementar as três cantoras, cada uma tem uma energia diferente, e eu acredito que assistir Buhr – por ser nordestina, por ter essa pegada, esse sotaque pernambucano no jeito de cantar – cantar uma música de um cearense… eu acho que ela empresta um molho especial”, rasga elogios Orth.

Homem com sentimentos

Segundo Taciana, no show, canções, textos e instrumentos conduzem o público por momentos íntimos e explosivos, com amor, emoção, drama, alegria e delicadezas.

“O formato da banda valoriza a poesia com seus dilemas existenciais, e o roteiro costura uma narrativa que traz um pouco da trajetória do Belchior, contextualizando as composições do nosso Bob Dylan brasileiro”, anuncia a cantora.

Já para Marisa, fã de Belchior desde sempre, o espetáculo representa um encontro afetivo e artístico que se fortaleceu ao longo do tempo. Ela garante que o show tem sido um dos maiores presentes artísticos que recebeu durante a carreira.

“Eu acho Belchior teatral. E gosto muito de um personagem que não pode deixar de existir que é o homem com sentimentos. Um homem corajoso, forte, muito politizado, e que fala do coração apertado, ‘estava mais angustiado que um goleiro na hora do gol’, ‘meu coração é frágil’, ‘vida pisa devagar’”, enfatiza Marisa.

“Um homem com sentimentos de amor, de justiça social, de inconformidade, eu acho isso a coisa mais linda do mundo. Eu acho que a gente precisa cada vez mais dessa energia do homem que sente”, complementa a atriz.

Por fim, Taciana proclama que “em tempos difíceis, marcados por guerras, desentendimentos e destruições, [o show] torna-se um espaço de celebração da vida e de catarse, onde lavamos a alma. E quem não está precisando disso, não é”?

Amar e Mudar as Coisas – Belchior 80

  • Quando: 17 a 19 de abril
  • Onde: CAIXA Cultural Salvador (Rua Carlos Gomes, 57, Centro)
  • Horário: sexta e sábado, 20h, domingo, 19h
  • Ingressos: R$ 30 e R$ 15
  • Vendas: iniciam terça-feira, 7, a partir do meio-dia, na plataforma Sympla



Fonte: A Tarde

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