Conflito marca o fim da era do “caixa único” entre os clubes de John Textor –
O que antes era o símbolo de uma rede multiclubes integrada transformou-se em uma batalha judicial bilionária. A SAF Botafogo protocolou, na última sexta-feira, duas ações na Justiça do Rio de Janeiro contra o Olympique Lyonnais.
O clube cobra o ressarcimento de R$ 745 milhões, referentes a repasses financeiros feitos ao braço francês da Eagle Football que nunca foram devolvidos.
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O conflito marca o fim da era do “caixa único” (cash pooling) entre os clubes de John Textor. De acordo com a defesa alvinegra, o Lyon teria rescindido o acordo de colaboração de forma unilateral, retendo valores que foram vitais para salvar o clube francês da insolvência em 2023, mas que agora fazem falta aos cofres do Glorioso.
Estratégia de cobrança
A ofensiva jurídica foi dividida em duas frentes. A primeira é uma execução extrajudicial de R$ 125 milhões, baseada em contratos de empréstimos assinados em março de 2025. Por possuir rito acelerado, o Botafogo solicita que o pagamento seja feito em até três dias.
A segunda ação foca em um montante de R$ 573 milhões, acumulado em 11 transferências realizadas entre 2024 e 2025. O Botafogo alega que o Lyon “se beneficiou dos valores e não efetuou qualquer devolução”, ignorando o compromisso de ressarcimento previsto no modelo de gestão do grupo.
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Empréstimo
Um dos pontos mais sensíveis do processo detalha uma operação financeira em que o Botafogo tomou R$ 323 milhões junto ao Banco XP para repassar imediatamente ao Lyon. Na ocasião, o clube francês se comprometeu a arcar com os juros da dívida (cerca de R$ 45 milhões), obrigação que também teria sido descumprida, sobrecarregando o fluxo de caixa da SAF brasileira.
“O Lyon simplesmente rompeu com o acordo sem promover a devolução. Embora manifestamente beneficiado, optou por não honrar os pagamentos”, diz trecho da peça jurídica.
Botafogo se pronuncia
A inadimplência do Lyon não ficou restrita às planilhas. Em nota oficial, o Botafogo revelou que a falta desses recursos comprometeu o planejamento esportivo, dificultando a renovação de contratos e a chegada de novos atletas.
O estrangulamento financeiro foi tão severo que resultou em um transfer ban imposto pela FIFA contra o Alvinegro no final de 2025.
A gestão da Eagle Football e do Olympique Lyonnais ainda não se manifestou oficialmente sobre os processos.
Fonte: A Tarde



