sexta-feira, abril 3, 2026
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Baiana 3ª melhor do mundo encara outra brasileira pelo cinturão no UFC

Virna Jandiroba pelo UFC –

Las Vegas está em clima de UFC neste final de semana – e o UFC está em clima de Brasil. Neste sábado, 4, duas brasileiras disputarão o peso-palha, e uma delas carrega a torcida de toda a Bahia para dentro do octógono com ela.

Natural de Serrinha, no interior da Bahia, Virna Jandiroba construiu sua carreira sem sair do estado até alcançar o UFC, consolidando-se como ex-campeã do Invicta FC e uma das principais especialistas em grappling da divisão.

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Atualmente número 3 do ranking peso-palha do Ultimate Fighting Championship, Virna encara Tabatha Ricci, oitava colocada da divisão, e a luta promete ser de peso. Mais do que um confronto direto no topo, o embate representa o início de uma nova corrida rumo ao cinturão, agora com uma versão mais experiente da baiana.

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Virna Jandiroba pelo UFC | Foto: Reprodução | UFC Brasil

Depois de disputar o título em 2025 e ser superada por Mackenzie Dern, Virna chega para o combate carregando não apenas o aprendizado da derrota, mas todo o processo que a levou até ali.

“Eu acho que ficou toda uma construção, porque eu me construí para chegar ali naquele momento. Fui passando por muita coisa, fui buscando me melhorar, buscando me enfrentar”, disse.

“Então o que eu trago é a própria Virna mesmo, a Virna de hoje, de todo esse caminho, de todo esse processo”, completou.

Virna Jandiroba no UFC

Virna Jandiroba no UFC | Foto: Reprodução | Instagram

Duelo brasileiro já virou “caminho de roça”

O confronto contra Tabatha Ricci pode chamar atenção pelo fator nacional, mas, para Virna, isso está longe de ser novidade. “Como a gente diz na Bahia, já virou caminho de roça, velho“, brincou.

A experiência acumulada ao longo da carreira, especialmente antes de chegar ao UFC, faz com que enfrentar compatriotas seja algo comum.

Eu já enfrentei tantas meninas brasileiras, sobretudo antes do UFC, porque eu lutava no Brasil. Mas dentro da organização também já enfrentei muitas brasileiras. Então não tem surpresa, não tem uma questão com isso”, explicou.

Virna Jandiroba no UFC

Virna Jandiroba no UFC | Foto: Arquivo Pessoal

No card, não estão só as duas. O UFC Vegas 115 terá forte presença brasileira, fator que aumenta ainda mais o conforto da lutadora. “É um card cheio de brasileiro. É muito legal. Com esse tanto de brasileiro, eu me sinto ainda mais em casa. Quanto mais, melhor para mim”, afirmou.

Assim, Virna já conhece a adversária que encontrará, mas não é próxima dela – o que, na prática, ajuda bastante no combate para uma lutadora que nunca enfrentou, mas não gostaria de encarar uma amiga no ringue.

“Eu conheço a Tabatha, a gente já se encontrou uma vez nos corredores, nos falamos, mas não somos amigas. Não temos essa proximidade. E isso é muito bom também, porque já torna o trabalho mais fácil”, disse.

“Nunca enfrentei uma amiga no ringue, mas imagino que seja mais difícil, com certeza”, completou.

Virna Jandiroba e Tabatha Ricci no UFC

Virna Jandiroba e Tabatha Ricci no UFC | Foto: UFC

Animais no octógono

Além da semelhança de nacionalidade, as duas também se encontram nos apelidos – “Carcará” e “Baby Shark”. Ambas carregam a simbologia de animais, mas por motivos bem diferentes.

“Eu acho interessante essas simbologias. Vou até ver depois as entrevistas dela para entender de onde vem o tubarão. Talvez seja uma referência às águas profundas do jiu-jitsu… ou pode ser viagem minha também”, brincou Virna.

Na realidade, o apelido veio de uma pelúcia que Tabatha leva consigo para todos os confontos, desde que comprou o pequeno tubarão no Walmart durante uma das viagens pelo UFC.

Tabatha Ricci, a

Tabatha Ricci, a “Baby Shark” | Foto: UFC

Já no caso de Virna, a identidade é clara: “Carcará é essa representação sertaneja, da imponência da ave, da resiliência, da capacidade de adaptação. É isso que eu tenho tentado construir em mim durante toda a minha trajetória”, afirmou.

Adversária em alta

Mesmo sem proximidade, no entanto, a missão promete não ser nada fácil. Tabatha Ricci chega embalada após vitória por nocaute técnico sobre Amanda Ribas, mais uma brasileira, resultado que elevou seu momento dentro da divisão.

“A Tabatha é uma menina que mistura muito bem, ela faz o MMA muito bem ali. Está no hype legal, sobretudo por essa luta dela com a Amanda Ribas”, analisou Virna.

Mesmo assim, a estratégia da baiana passa por impor seu próprio ritmo. “Eu me preparei muito bem para essa luta, treinei muito bem para chegar lá e fazer o meu jogo da melhor maneira, impor o meu jogo, sobretudo”, afirmou.

Tabatha Ricci, a

Tabatha Ricci, a “Baby Shark” | Foto: UFC

A principal diferença da Virna atual para versões anteriores, para ela, está na maturidade, algo construído ao longo de 26 lutas. “Eu venho muito mais madura. São 26 lutas, então eu venho com uma maturidade do tempo mesmo, de toda a minha vivência dentro do MMA. Eu acho que estou muito mais madura do que nunca”, opinou.

Rumo a um novo cinturão

Ainda que perder um título não seja nada fácil, competir por ele é o início de uma sequência de anos inesquecíveis no UFC – e para Virna, a experiência de disputar o cinturão não é tratada como um ponto isolado na carreira, mas como parte de um processo maior.

“Não é apenas pela experiência em si, mas por todo o processo até chegar lá. Eu me preparei para estar lá. Então o que eu trago é essa carga, essa construção”, explicou.

Mesmo reconhecendo que uma vitória pode recolocá-la rapidamente na disputa de título, até aqui, Virna evita projeções precipitadas: “Eu tento muito botar os meus pés no chão e fazer uma luta de cada vez”.

Virna Jandiroba no UFC

Virna Jandiroba no UFC | Foto: Reprodução | Instagram

“Obviamente que dá para fazer uma outra corrida para o cinturão, estou encarando como isso, para me manter no topo da divisão. Mas é uma luta por vez”, disse.

A receita, segundo ela, já funcionou antes. “Foi assim que eu fiz para chegar na disputa de cinturão. Eu fui fazendo uma luta de cada vez. Agora não é diferente: viver o momento, viver o presente, e o resto é consequência“, completou.

Dessa vez, no entanto, as coisas devem ser um pouco mais tranquilas, também pela posição altíssima que ocupa no UFC. Virna conta que o fato de ocupar a terceira posição do ranking não pesa como cobrança, mas sim como reflexo de sua trajetória.

“Não é a posição em si, mas toda a construção até chegar ali que me deixa mais consolidada, com mais certeza de mim mesma, mais estável”, explicou.

Virna Jandiroba no UFC

Virna Jandiroba no UFC | Foto: Divulgação | UFC

Luta em Vegas

Mesmo longe do Brasil, Virna garante que se sentirá em casa na disputa. Acostumada ao cenário do UFC Apex, a lutadora sempre se sentiu conectada a Las Vegas. “Eu já lutei muitas vezes aqui em Vegas. Eu adoro lutar aqui, velho. Adoro. Já tive muitos bons momentos aqui, já me diverti bastante“, contou.

“Eu sempre uso muito a felicidade como minha arma. Estou muito bem, estou muito feliz com a minha galera. Estou feliz pra caramba”, disse.

Hoje, mais madura, consolidada e confortável entre as melhores do mundo, a “Carcará” entra no octógono não apenas para vencer – mas para provar que o caminho até o cinturão ainda está aberto.

Virna Jandiroba em Las Vegas

Virna Jandiroba em Las Vegas | Foto: Jeff Bottari



Fonte: A Tarde

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