domingo, março 29, 2026
spot_img
HomeDestaquesDona de igreja repassou R$ 5 milhões a banco usado para lavar...

Dona de igreja repassou R$ 5 milhões a banco usado para lavar dinheiro do PCC

Dona de igreja repassa R$ 5 milhões a banco investigado por lavar dinheiro ao PCC –

A sócia da Associação dos Aposentados do Brasil (AAB), ONG envolvida na farra do INSS, Lucineide dos Santos Oliveira, presidente da Igreja Evangélica Pentecostal Ministério Visão de Deus, repassou R$ 5,94 milhões para o BK Bank, banco investigado por lavar dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital).

A informação está no relatório final da CPMI do INSS, que pediu o indiciamento da mulher pelos crimes de:

Tudo sobre Polícia em primeira mão!

  • organização criminosa;
  • lavagem de dinheiro;
  • falsidade ideológica.

Além de Lucineide, outras 215 pessoas foram indiciadas no mesmo documento, lido na última sexta-feira, 27.

De acordo com o texto, a CPMI diz que a mulher fez o repasse ao BK Bank por meio de uma empresa de fachada denominada Expresso Marketing.

O mesmo CNPJ também enviou R$ 9,5 milhões para a BSF Gestão em Saúde, empresa investigada na CPI da Covid-19, em 2021, por suspeitas de irregularidades em contratos com o Ministério da Saúde.

“Rede familiar e religiosa”

No relatório da CPMI, consta que Lucineide dos Santos Oliveira atuava também como tesoureira da AAB. Somado a isso, a comissão acusou a mulher de atuar no núcleo financeiro e administrativo da organização criminosa que operava as fraudes da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Rurais (Conafer).

De acordo com as investigações, Lucineide atuava nas seguintes repartições:

  • gestão da empresa de fachada;
  • operacionalização de descontos indevidos;
  • dissimulação do proveito dos crimes mediante uma rede familiar e religiosa.

Somado a isso, ela é apontada como uma operadora estratégica na lavagem de dinheiro e na pulverização de recursos desviados de aposentados.

Igreja Evangélica Pentecostal Ministério Visão de Deus, cuja dona repassou R$ 5 milhões para banco envolvido em lavagem de dinheiro ao PCC | Foto: Reprodução

“A indiciada controlava a Expresso Serviços de Publicidade e Marketing, a Impacto Serviços de Apoio Adm e a Solution Serviços de Locação e Apoio. Tais empresas, sediadas em endereços no Recanto das Emas (DF) e sem funcionários registrados, receberam o total de R$ 141.870.598,82, sendo R$ 138,9 milhões da Conafer e R$ 2,9 milhões da AAB”, disse a CPMI.

Como pessoa física, Lucineide recebeu R$ 160,9 milhões entre 2019 e 2025, dos quais R$ 113 milhões vieram diretamente da Conafer.

“Essa movimentação é flagrantemente incompatível com sua realidade econômica, visto que em 2022 ela possuía renda formal de apenas R$ 2 mil e histórico de inscrição no CadÚnico”, consta no relatório.

Leia Também:

Outras transferências a investigados

A investigação financeira comprovou que Lucineide transferiu R$ 40 mil, em 2024, para o servidor Pedro Alves Corrêa Neto, apontado como o principal técnico que facilitava os processos das associações na DIRBEN/INSS.

Além disso, ela efetuou uma transição única de R$ 600 mil, em 2024, para o Auto Posto Topa Tudo –estabelecimento localizado em Minas Gerais e utilizado para branqueamento de capitais.

Ainda segundo o relatório, Lucineide transferiu cerca de R$ 700 mil para o escritório de Milena Câmara, filha do deputado federal Silas Câmara.

Esses pagamentos ocorreram entre 2023 e 2024, coincidindo temporalmente com reuniões de articulação entre o parlamentar e o presidente da Conafer.

Depois do início dos grandes repasses, Lucineide adquiriu uma frota incompatível com seus rendimentos:

  • Um Porsche Boxster 2023;
  • Uma Mitsubishi Triton 2024;
  • Um Volkswagen T-Cross 2025.

A Polícia Federal ainda aponta que ela registrava veículos de terceiros em seu nome para blindar o patrimônio dos líderes da organização,

Assim, Lucineide consta no rol de pedidos de indiciamento, sob a acusação de:

  • organização criminosa;
  • lavagem de dinheiro;
  • falsidade ideológica.

“A participação de Lucineide foi indissociável da engenharia financeira que permitiu o desvio de centenas de milhões de reais do sistema previdenciário. Sua conduta de converter recursos extraídos de idosos em bens de luxo e circularizar ativos através de empresas de fachada justifica o encaminhamento de sua responsabilização penal por esta CPMI. Com isso, indicia-se Lucineide dos Santos Oliveira por ter sido peça fundamental na engrenagem financeira da Conafer e da AAB”, finalizou a CPMI.



Fonte: A Tarde

- Advertisment -spot_img

Mais lidos