sexta-feira, março 27, 2026
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como água salina tem transformado safra no semiárido

A chamada agricultura biossalina surge como uma alternativa para a produção –

Pesquisadores da Embrapa Semiárido descobriram no Semiárido brasileiro a possibilidade de potencializar a produção através do aproveitamento de águas salinas na agricultura, muito comum no subsolo da região.

O estudo Projeto Sal da Terra tem objetivo de trazer alternativas para esse aproveitamento, com o desenvolvimento de sistemas produtivos adaptados. Para isso, o pesquisador aposentado da Embrapa Everaldo Porto aponta que é preciso antes de tudo, entender as características edafoclimáticas do Sertão e adotar estratégias adequadas de gestão dos seus recursos hídricos

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“A produção agrícola no Semiárido sempre dependeu muito das chuvas, o que aumenta os riscos para os agricultores”, explica.

Nesse cenário, a chamada agricultura biossalina surge como uma alternativa para a produção em áreas de sequeiro. A ideia é integrar sistemas produtivos capazes de conviver com a salinidade, ampliando as possibilidades de cultivo e diminuindo a dependência exclusiva das chuvas.

Porto ressalta que em várias partes do mundo, o uso de águas salinas na agricultura vem ganhando espaço. “Hoje já existem centros especializados nesse tema, como um instituto de agricultura biossalina em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Na China, pesquisadores já desenvolveram variedades de arroz capazes de produzir usando água do mar, desde que utilizado o manejo adequado”, relata.

Para o pesquisador, esse movimento aponta para uma transformação importante na agricultura global. “Estamos vivendo algo que pode ser considerado uma nova revolução agrícola, baseada justamente no uso de águas salinas para irrigação”, afirma.

Potencial no Semiárido brasileiro

Estima-se que existam cerca de 140 mil poços perfurados na região, muitos deles com água salobra ou salina. Embora nem todos sejam adequados para irrigação convencional, esses recursos podem ser utilizados em sistemas produtivos adaptados, a exemplo da produção de forragem, grãos e sistemas integrados.

“Esses sistemas podem ser implantados em áreas relativamente pequenas. Em cerca de um hectare, é possível integrar a piscicultura, a produção de forragem e os cultivos agrícolas destinados ao consumo das comunidades”, explica.

Outro campo promissor envolve a produção de forragem irrigada com água salina. Durante os períodos de estiagem, a vegetação da Caatinga sofre forte redução de biomassa, o que limita a oferta de alimentos para os rebanhos.

Estudos conduzidos pela Embrapa mostram que algumas culturas apresentam bom desempenho nessas condições, como erva-sal, gliricídia e capim-elefante. Essas espécies podem contribuir para ampliar a disponibilidade de alimento para os animais, especialmente em períodos críticos de seca.

Manejo é fundamental

O uso das águas salinas para irrigação, no entanto, exige cuidados específicos. Segundo o pesquisador Welson Simões, da Embrapa Semiárido, que também atuará no Projeto Sal da Terra, o problema muitas vezes não está apenas na presença de sais na água, mas no acúmulo desses sais no solo ao longo do tempo.

Além da salinidade, outro fator importante é a sodicidade, relacionada ao excesso de sódio na água ou no solo. Enquanto os sais podem ser parcialmente removidos pela infiltração da água da chuva, o sódio pode alterar a estrutura do solo, reduzindo sua capacidade de infiltração e prejudicando o desenvolvimento das plantas e a recuperação do mesmo.

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Por isso, as pesquisas envolvem análises detalhadas de solo, água e sistemas de cultivo, além da seleção de variedades mais tolerantes à salinidade.

Simões destaca que parte desse conhecimento técnico foi construída ao longo de décadas de pesquisa. “No âmbito do Projeto Sal da Terra, a estratégia será ampliar esses estudos e levar as soluções para o campo por meio de vitrines tecnológicas e unidades demonstrativas, onde agricultores poderão conhecer, na prática, diferentes alternativas produtivas adaptadas às condições do Semiárido”.

A iniciativa prevê a implantação de 50 unidades de produção biossalina em seis estados da região, com demonstração de sistemas agrícolas, produção de mudas de espécies nativas da Caatinga, fruticultura irrigada e outras tecnologias desenvolvidas pela Embrapa e por universidades parceiras para uma agricultura sustentável na região.



Fonte: A Tarde

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