quinta-feira, março 26, 2026
spot_img
HomeDestaquesCamisa de Vênus celebra 40 anos em show em Salvador

Camisa de Vênus celebra 40 anos em show em Salvador

Marcelo Nova e o Camisa de Vênus voltam à Salvador –

Tirem as crianças da sala. Marcelo Nova e o Camisa de Vênus voltam à Salvador neste domingo, 29, para um aguardado reencontro com os fãs, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, dentro do projeto Concha Para Todos, que oferece shows a preços mais acessíveis (veja serviço no pé da matéria).

Com Marcelo Nova à frente dos vocais e o filho guitar hero Drake à guitarra, o Camisa segue hoje com apenas mais dois membros: o baixista fundador Robério Santana e o baterista Célio Glouster.

Tudo sobre Música em primeira mão!

Leia Também:

E não é qualquer show: neste ano, o Camisa celebra 40 anos de lançamento de dois álbuns muito marcantes em sua carreira: o ao vivo Viva, lançado em março de 1986, para encerrar o contrato com a gravadora RGE e Correndo o Risco, lançado em setembro do mesmo ano, que inaugurou a fase da banda na major Warner.

“Estaremos celebrando 40 anos do lançamento de dois discos muito importantes na trajetória do Camisa de Vênus. O Viva, que se tornou um divisor de águas no rock brasileiro e seu sucessor o Correndo o Risco, que gerou canções como Só o Fim, Simca Chambord, A Ferro e Fogo, Deus Me Dê Grana , entre outras. O Camisa revendo sua história! Sem convidados nem surpresas”, avisa Marcelo Nova, em entrevista ao jornal A TARDE.

Os fãs certamente vão apreciar este reencontro recheado de clássicos, até por ser no melhor palco da cidade: “Sem dúvidas, a Concha é um local interessante pelo formato, design e sim, ela possibilita essa proximidade entre banda e plateia. Já tocamos lá várias vezes e os shows costumam ser bastante intensos”, nota.

Anarquista conservador

Célebres não apenas pelas canções corrosivas – embora tenha se dedicado a escrever letras mais reflexivas nas últimas décadas – Marcelo e o Camisa seguem tão radicais em sua metralhadora giratória verbal quanto sempre foram – talvez até mais, hoje em dia.

Em um cenário musical cada vez mais voltado ao pop mais descartável, com festivais que mais parecem shopping centers, com seus infinitos stands de empresas fazendo “ativações” (seja lá o que for isto), o espaço para bandas como o Camisa periga ficar mais restrito, mas Marcelo, como de costume, dobra a aposta.

“A maneira de proceder (neste cenário) é a mesma desde o início do Camisa em 1980. Nunca seguir tendências, nunca seguir políticos e seus partidos, nunca fazer parte da ‘galera marionete’ do rock e claro, nunca ficar de quatro”, delimita o band leader.

Apesar da afirmação de que não segue partidos, algumas declarações de Marcelo nos últimos anos levaram muitos a aponta-lo como “de direita e conservador”.

Sobre isto, Marcelo aproveita a oportunidade para fazer algumas observações: “Na verdade, sou um paradoxo, um anarquista conservador. Adoro jantares com louça portuguesa e talheres do século XVlll. Notáveis partículas de encanto da pequena burguesia. Você sente o peso, a consistência e a nossa própria história humana, através uma experiência táctil com esses objetos”, começa ele.

“Porém, quando as insuportáveis formalidades se apossam das cabeças das pessoas e elas começam a manifestar-se através de conversas enfadonhas e seus mil salamaleques sem fim, logo expresso o meu veemente repúdio peidando sem parar”, arremata.

Sobre o posicionamento político em si, Marcelo assume de vez sua persona mais anárquica, sem meias palavras: “Quanto a política, pergunto e ao mesmo tempo afirmo. Sabes o que significa o dia da eleição? É apenas a data em que o eleitor idiotizado e teleguiado vai escolher a marca da vaselina com a qual será enrabado”.

Terra do Ouvi Dizer

Enquanto a galera delira, o repórter, ainda tonto, troca de assunto. Afinal, antes de retomar o Camisa em 2015, Marcelo vinha em uma carreira solo bastante consistente, lançando ótimos álbuns de teor mais poético – Bob Dylan é certamente uma grande influência em sua verve –, como O Galope do Tempo (2005) e 12 Fêmeas (2013).

“Em 2023, lancei o meu mais recente trabalho solo, As Cartas Que Eu Nunca Enviei, em mídia física (CD) e que também é facilmente encontrado nos aplicativos de música (Spotify, YouTube etc…)”, relata.

“São dez canções inéditas, algumas compostas por mim, outras em parceria com o Drake Nova, que não só produziu o álbum, como também mixou, masterizou e tocou literalmente todos os instrumentos. Guitarras, violões, contrabaixo, bateria, pianos, órgão, cellos, violinos e o diabo a quatro”, acrescenta.

No que ele aproveita para mandar mais alguns impropérios: “Nosso amigo Miguel Cordeiro, que antes de tornar-se o pintor diferenciado dos dias atuais, havia utilizado os muros da cidade como telas para criar o imortal Faustino, personagem que representava não só o babaca, mas aquele que se orgulhava da própria babaquice, já havia me dito a muito tempo atrás com o seu imperecível sarcasmo, que a Bahia é terra do ‘ouvi dizer’. Ouvi dizer que esse filme é uma merda… Ouvi dizer que esse acarajé é muito bom… Uma parcela considerável da população desconhece coisas básicas por preguiça ou total desinteresse”, afirma.

“Aliás, a única manifestação que ainda permanece obrigatória por essas plagas é a alegria. Se não formos seres abençoados pela dádiva da alegria, seremos fustigados pelo desprezo coletivo. O baiano tem suportado estoicamente a condenação à alegria eterna! E continua sorrindo durante toda a vida, mesmo que lhe faltem os dentes”, conclui.

Camisa de Vênus – Concha Para Todos

  • Quando: domingo (29)
  • Horário: 18h
  • Onde: Concha Acústica do TCA
  • Ingressos: entre R$ 50 e R$ 90
  • Vendas: Bilheteria do Teatro Castro Alves ou Sympla
  • Classificação indicativa: 18 anos



Fonte: A Tarde

- Advertisment -spot_img

Mais lidos