Imagens internas da industria de bebidas em Alagoinhas –
Alagoinhas convive com o desenvolvimento econômico contemporâneo, aquele que é impulsionado, em grande parte, pela qualidade da água, no caso, do Aquífero São Sebastião, principal matéria-prima para as indústrias de bebidas. Na sua trajetória histórica, os munícipes se orgulham, dentre outras fases, da saudosa Ferrovia Centro Atlântica FCA/Leste, que fazia a ligação entre Salvador e Juazeiro, e que foi construída no século XIX.
Atualmente, o município abriga, além de outros empreendimentos intermediários e de menor porte associados à cadeia produtiva de bebidas, a Heineken (ex-Brasil Kirin/Schincariol), o Grupo Petrópolis (Itaipava) e a indústria São Miguel. Juntas, as três empresas geram mais de cinco mil postos de trabalho diretos e indiretos.
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O estoque de empregos formais em 2024 foi de 29.260 vagas, segundo a Relação Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho e Emprego (RAIS-MTE) e, conforme o Caged/MTE de 2025, o saldo positivo foi de 704 empregos. Situado no território de identidade Litoral Norte e Agreste Baiano, com clima semiárido, o município somou um PIB de R$ 5,7 bi em 2023, ficando em 14º no ranking estadual de PIB municipal.
“Alagoinhas tem um antes e um depois da primeira fábrica de cerveja (era Schincariol, hoje é a Heineken), por volta de 1996/97”, definiu o diretor técnico do Sebrae Bahia, André Gustavo Barbosa, acrescentando que, antes, a economia local era baseada, em grande parte, na cadeia do petróleo da região, na produção de eucalipto e no serviço público.
Ele pontuou que “tinha a desvantagem por estar perto de Feira e Salvador (locais que a população procurava para resolver suas demandas), o que hoje é vantagem estratégica do município (que é entroncamento viário com facilidade de escoamento da produção)”.
“Hoje tem infraestrutura de saúde e educação. Tem qualidade de vida e se tornou um lugar muito bom para morar”, enfatizou.
Fábrica de Alagoinhas do Grupo Petrópolis
Ecossistema
Alagoinhense de nascimento, Barbosa citou o Mapeamento do Ecossistema de Inovação do município, entregue pela Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), em parceria com o Sebrae, no final de 2025. Ressaltou que nele estão identificadas as potencialidades e os gargalos para o desenvolvimento de Alagoinhas, e que o documento deve ajudar nos projetos futuros da cidade.
O prefeito Gustavo Carmo disse que a qualidade da água projeta o município “como a Capital Baiana da Cerveja”, acrescentando que a cidade não é apenas um polo de produção, “é um ecossistema completo”. Citou que a cadeia produtiva abrange desde a fabricação de tampas, latas, garrafas e engradados, até centros de distribuição, logística especializada e manutenção industrial.
Para ele, Alagoinhas trilha um caminho de desenvolvimento e expansão econômica contínua no segmento de bebidas, com novos empreendimentos industriais chegando.
“É um momento importante, que reforça nossa visão de futuro e o compromisso em expandir nosso parque industrial e construir uma cidade cada vez mais próspera e com oportunidades para todos”, disse.
O gestor chamou a atenção para as iniciativas voltadas à produção artesanal de cerveja “que ampliam a inovação, atraem turismo e fortalecem ainda mais nosso posicionamento como referência cervejeira”.
Ele salientou que o movimento industrial “não só gera empregos e renda no município, como abastece diversos estados do país e impulsiona a economia regional”.

Fábrica da Heineken em Alagoinhas
A atração de investimentos é uma das atribuições da Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia (SDE), que acompanha o processo de instalação das indústrias. Titular da pasta, Angelo Almeida, afirmou que o Aquífero São Sebastião é um dos principais diferenciais competitivos de Alagoinhas, reconhecido pela alta qualidade da água e baixa necessidade de tratamento.
Almeida disse ainda que estudos apontam que o município utiliza menos de 15% da capacidade total do aquífero, “o que demonstra uma ampla margem de segurança hídrica. Dessa forma, há capacidade técnica e ambiental para a instalação de novas indústrias de bebidas, sem comprometer o abastecimento humano ou a sustentabilidade do recurso no longo prazo”.
Vitrine nacional
Criado em 2023 para projetar o potencial de Alagoinhas no cenário nacional da cerveja, o Festival de Cerveja Bahia Beer 2026 acontece de 6 a 8 de novembro com uma programação variada, visando agregar diferentes aspectos envolvidos na produção e degustação da bebida.
Segundo o secretário municipal de Cultura, Esporte e Turismo, João Henrique Paolilo, a ideia é fortalecer a parte técnica do evento pela possibilidade “de fomentar o polo produtivo da cerveja e da água, por meio do Concurso Internacional de Cerveja e do Congresso Internacional de Cerveja”.
Paulilo asseverou, ainda, que outra premiação que estará presente no evento é o Concurso Cerveja no Prato, frisando que o certame segue a tendência da cultura da cerveja e da gastronomia de converter a cerveja na matéria-prima de pratos gastronômicos, “contribuindo para a construção de uma identidade culinária”.
Também entre os principais empreendimentos instalados em terras alagoinhenses, já existe a perspectiva da festa da cerveja.
“O Bahia Beer é o principal festival de cerveja do Nordeste, o que reforça o compromisso de Alagoinhas com o desenvolvimento da cultura cervejeira, não só para o estado da Bahia, mas também para toda a região Nordeste”, afirmou o gerente-geral da fábrica de Alagoinhas do Grupo Petrópolis, Renato Souza.

Imagens internas da industria de bebidas em Alagoinhas
Instalado na cidade baiana desde 2013, o grupo tem produção mensal de 750.000 hectolitros (hl), somando os sete rótulos de cerveja comercializados na Bahia e em Sergipe. Embora sem adiantar as novidades que estarão na festa deste ano, Souza salientou que, em 2025, o Grupo esteve com todo o seu portfólio no evento.
O destaque foi a Carreta Itaipava, que recebeu os visitantes para degustar o chope da marca. “O Bahia Beer também ajuda a promover degustação das cervejas, cria experiências autênticas e divertidas, além de desenvolver conexão com as marcas”, finalizou.
Fonte: A Tarde



