A construção de uma nova ponte sobre o Rio Paraná deve conectar o distrito de Porto São José, em São Pedro do Paraná (PR), ao município de Taquarussu (MS). A estrutura terá dois quilômetros de extensão e deve criar um eixo estratégico entre o Sul e o Centro-Oeste, com redução de até 100 quilômetros no trajeto até o Porto de Paranaguá.
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A nova ponte tem estimativa de custo de R$ 1,37 bilhão, em construção definida a partir de uma parceria entre os estados do Paraná e do Mato Grosso do Sul. O prazo estimado para conclusão da obra é de 48 meses após assinatura da ordem de serviço.
“A obra é aguardada há anos pela comunidade, porque vai contribuir para o escoamento da produção do agronegócio e vai garantir mais segurança aos motoristas”, afirmou o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Maringá (Acim), José Carlos Barbieri, que arcou com o investimento para o estudo de viabilidade técnica e econômica da ponte.
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Ao comparar a escoação da produção por estados, o Mato Grosso do Sul é o segundo maior usuário do Porto de Paranaguá, de acordo com a empresa que administra o setor localmente, a Portos Paraná, ficando atrás apenas do estado paranaense.
Em 2025, a produção vinda do Mato Grosso do Sul embarcou 6,5 milhões de toneladas no Porto de Paranaguá, entre soja, milho e outros produtos. Um movimento correspondente a U$S 3,75 bilhões, segundo a Federação de Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul (Famasul).

O escoamento da produção para o Paraná depende das travessias pelas barragens de Primavera e Rosana, em São Paulo, para acessar o estado via Nova Londrina, ou um desvio pela BR-376, de aproximadamente 100 quilômetros, para alcançar o município. Dados de um estudo encomendado pela Sociedade Civil Organizada do Paraná (Socipar), mostram que, ainda em 2023, o trecho entre Nova Londrina e Paranavaí pela BR-376 superava 42 mil veículos e 23 mil eixos, em média, por dia.
“O Mato Grosso do Sul tem um dos maiores potenciais produtivos do país e precisa de soluções logísticas urgentes que sejam compatíveis com essa realidade. O fortalecimento do escoamento pelo Porto de Paranaguá é estratégico nesse sentido, ao ampliar a competitividade do nosso agro”, afirmou o presidente da Famasul, Marcelo Bertoni.
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Turismo de lazer tem potencial de crescimento com deslocamento mais rápido na região
No último sábado (21), a Acim entregou o anteprojeto de infraestrutura da ponte sobre o Rio Paraná aos governadores de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), e do Paraná, Ratinho Junior (PSD). A cerimônia ocorreu às margens do rio, no Porto São José.
Riedel vinculou a iniciativa a uma ampla agenda de crescimento econômico. “O que a gente precisa é dar competitividade para os empreendedores, porque isso se desdobra em uma série de outras ações para a nossa economia: serviço, obra, infraestrutura, atendimento, emprego e renda”, afirmou o governador.
Ratinho Junior destacou o impacto estratégico da obra e detalhou os efeitos para a região. “Ela cria uma nova rota de desenvolvimento. No noroeste do estado temos a produção do setor sucroalcooleiro, a produção de laranja e de carne bovina, além do turismo de lazer, com Porto Rico, Porto São José e Porto Camargo, uma região que se desenvolve na orla do Rio Paraná e que vai atrair turistas do Mato Grosso do Sul pelo acesso mais rápido”, ressaltou o governador.

Trajeto da nova ponte foi definido entre seis opções de traçado
O secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná, Sandro Alex, afirmou que o projeto para o trajeto da nova ponte foi definido entre seis opções iniciais. Os próximos passos incluem a aprovação do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (Rima), que podem levar em torno de 12 meses para serem finalizados, segundo estimativa do governo paranaense.
Sem entraves nessas fases, o projeto avança para licitação e execução da obra. A proposta inclui intervenções nos dois estados para melhorar a fluidez do tráfego.
No Paraná, o projeto contempla a promessa para restauração de 19,8 quilômetros da PR-577 e a construção de um contorno em Porto São José. Já no Mato Grosso do Sul, estabelece a implantação de 30 quilômetros da MS-473 e a construção de um viaduto de acesso em Taquarussu.
A nova ponte está integrada a um planejamento mais amplo de duplicação da BR-376. A estimativa para essa ampliação é de R$ 350 milhões e faz parte do leilão da concessão, ocorrido em outubro do ano passado.
Fonte: Gazeta do Povo



