quarta-feira, março 25, 2026
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revelações e divergências marcam 1º dia de julgamento

Nesta terça-feira, 24, a Bahia parou para acompanhar o início do júri popular dos três homens acusados pelo assassinato da cantora gospel Sara Freitas: Ederlan Santos Mariano (marido da vítima), Weslen Pablo Correia de Jesus e Victor Gabriel Oliveira Neves.

O julgamento, inicialmente previsto para as 08h00, começou com atraso, às 11h, e já dura mais de 12 horas no Fórum Desembargador Gerson Pereira dos Santos, em Dias D’Ávila, na Região Metropolitana de Salvador (RMS). A previsão, porém, é que se estenda até a madrugada e seja retomado na manhã desta quarta-feira, 25, segundo informações do advogado de defesa da família de Sara, Rogério Matos, ao Portal A TARDE.

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Todos os réus respondem pelos crimes de:

feminicídio executado por motivo torpe;

ocultação de cadáver;

e associação criminosa.

O júri

O júri foi composto por quatro mulheres e dois homens no conselho, além de quatro promotores e representantes da defesa. Ao longo do dia, o julgamento foi marcado por revelações, depoimentos de testemunhas e dos acusados, além de divergências entre defesa e juiz.

Confira detalhes de tudo que aconteceu no julgamento, que o Portal A TARDE acompanhou.

Suposto novo envolvido

Antes mesmo do início do julgamento, os advogados Tacio Oliveira e Lucas Souza, responsáveis pela defesa de Victor Gabriel, afirmaram haver indícios de que um outro envolvido teria participado diretamente do planejamento do crime, mas estaria figurando no processo apenas como testemunha. Eles também apontaram que esse possível participante teria sido “tratado de forma equivocada desde o início das investigações”.

A tese, no entanto, foi contestada pelo Ministério Público da Bahia. O promotor Audo Rodrigues afirmou que não há qualquer indício da participação de uma nova pessoa no crime e que todos os envolvidos já foram identificados e denunciados.

Testemunhas ouvidas

Ao todo, 17 testemunhas foram arroladas no processo. As primeiras a depor foram as testemunhas do Ministério Público (cinco no total).

A primeira a prestar depoimento foi a mãe de Sara, Dolores Freitas.

Após a oitiva das testemunhas do MP, foram ouvidas as testemunhas de defesa.

Foram indicadas listas com cinco, quatro e até três pessoas, a depender da estratégia de cada defesa.

Mãe de Sara falou sobre “sonho revelador”

A mãe da vítima, Dolores Freitas Souza Lima, trouxe novos detalhes sobre o relacionamento da filha e fez um relato que chamou atenção no plenário.

Um dos pontos mais impactantes do depoimento foi a afirmação de que, cerca de dois meses antes do crime, Dolores teria tido um sonho em que via a filha sendo morta pelo próprio marido, Ederlan Santos Mariano.

Segundo ela, na mesma visão, os outros dois acusados também apareciam, o que, de acordo com seu relato, aumentou sua preocupação com a segurança da filha ainda em vida.

Além disso, a mãe de Sara também falou sobre:

relacionamento conturbado;

dependência financeira e conflitos;

ameaças e comportamento suspeito;

furto de dinheiro de familiares;

além de conflitos familiares envolvendo a filha de Sara.

Fórum isolado

Enquanto o julgamento acontecia dentro do Fórum Desembargador Gerson Pereira dos Santos, o entorno do local foi isolado como medida preventiva. Equipes policiais foram posicionadas em pontos estratégicos para evitar tumultos e garantir a segurança de jurados, advogados, réus e do público presente.

Ao Portal A TARDE, o major Adauto Caribé, responsável pelo policiamento, informou que o planejamento foi estruturado com mais de um mês de antecedência e contou com reforço significativo no efetivo.

Divergências

A segunda etapa do julgamento teve início por volta das 16h00 e foi marcada por divergências entre a defesa de Ederlan Mariano e o juiz Bernardo Mario Dantas, responsável por conduzir a sessão.

O clima de tensão começou após os advogados de Ederlan solicitarem uma nova oitiva de Esmeralda Mariano, filha do ex-casal, que completa 14 anos nesta terça-feira. No entanto, o pedido foi negado de imediato pelo magistrado.

“Ela já foi ouvida. Não vejo razão para isso. Esmeralda já foi exposta uma vez em depoimento. Mantenho a decisão. Ela não é testemunha de viso”, disse Bernardo.

Ainda durante sua decisão, o juiz afirmou que o vídeo gravado com o depoimento de Esmeralda poderia ser reproduzido no julgamento, dispensando a necessidade de uma nova exposição da adolescente.

Exibição do vídeo

Poucas horas após a defesa de Ederlan Mariano, apontado como mandante da morte da cantora Sara Freitas, solicitar um novo depoimento da filha do ex-casal, o juiz Bernardo Mario Dantas pediu que os presentes deixassem a sala temporariamente.

A medida foi adotada para que um vídeo com o depoimento da garota — gravado meses após o crime — fosse reproduzido e analisado novamente pelas partes. A exibição, entretanto, ocorreu de forma restrita ao conselho do júri.

Interrogatório dos réus

O primeiro réu a ser ouvido foi Ederlan Mariano, apontado como mandante do crime. O depoimento começou por volta das 19h e terminou às 22h, com duração aproximada de três horas.

Durante o interrogatório, Ederlan negou novamente ter participação no assassinato e apresentou sua versão dos fatos, mencionando supostas traições e declarações de amor pela vítima.

“Desde quando começou esse pesadelo tenho sofrido muito porque perdi o amor da minha vida. Tem uma parte na vida do ser humano que se chama coração e só quem conhece é Deus. Tenho sofrido humilhações desde quando cheguei na cadeia. Desde os meus 13 anos frequento a igreja. Morei na Palestina, que é um bairro perigoso de Salvador, mas nunca me envolvi com o crime. Hoje sou pastor para quase 200 presos do Raio 3 da cadeia”, disse.

Ao falar sobre as supostas traições, Ederlan afirmou: “Maio de 2022 foi a primeira traição. Foram traições com dois homens: um PM da Rondesp de Valença e depois com Elissiano. Eu a perdoei nas duas”.

Ainda na noite desta terça-feira, 24, a previsão, segundo o advogado Rogério Matos, é que também sejam ouvidos Weslen Pablo Correia de Jesus (Bispo Zadoque) e Victor Gabriel.

O que deve acontecer na sequência?

Na manhã desta quarta-feira, 25, o júri deve se reunir para a fase de debates. Participam, neste momento, o Ministério Público e a defesa, com duração aproximada de 2h30.

Por fim, haverá a réplica, com direito a até 2 horas para cada parte.

Histórico de adiamentos

O júri estava inicialmente marcado para 25 de novembro de 2025, mas foi suspenso após os advogados dos três réus deixarem o plenário de forma coletiva, alegando falta de estrutura e segurança. À época, a magistrada considerou as alegações protelatórias e determinou comunicação à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para apuração.

Posteriormente, o julgamento foi redesignado para 24 de fevereiro de 2026 e, depois, ajustado para 3 de março, em razão de feriado local. A nova data, no entanto, também precisou ser alterada.

Condenação anterior

Ao todo, quatro pessoas foram denunciadas pelo crime. Um dos acusados, Gideão Duarte de Lima, já foi julgado e condenado pelo Tribunal do Júri em 16 de abril deste ano. Ele recebeu pena de 20 anos, 4 meses e 20 dias de prisão por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e associação criminosa.

Segundo a acusação, Gideão foi o responsável por atrair a cantora até um local isolado, onde ela foi emboscada e morta.

Relembre o crime

O crime ocorreu em 24 de outubro de 2023, na entrada do povoado Leandrinho, no município. De acordo com a denúncia do Ministério Público, Sara foi morta com extrema violência. Ela teria sido atraída com um falso convite para participar de um evento religioso e executada com 22 golpes de faca.

O corpo foi posteriormente ocultado e queimado. As investigações indicam que o trio agiu de forma organizada, com divisão de tarefas, motivado por promessa de recompensa financeira e interesses relacionados à carreira artística de um dos envolvidos.



Fonte: A Tarde

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