terça-feira, março 24, 2026
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Final da Copa 2026 por R$ 21 mil? Fifa é processada por preços “exorbitantes”

Vista aérea do Estádio de Dallas antes da Copa do Mundo da FIFA de 2026 –

A Associação Europeia de Torcedores de Futebol (Football Supporters Europe, FSE) apresentou uma ação judicial à Comissão Europeia nesta terça-feira, 24, contra a Fifa devido aos preços “exorbitantes” dos ingressos da Copa do Mundo de 2026, que será disputada na América do Norte, e por seus procedimentos de compra “opacos e desleais”.

Em conjunto com os ‘Euroconsumidores’, uma organização que defende os direitos dos consumidores, a FSE “apresentou uma denúncia oficial à Comissão Europeia contra a Fifa” por ter “abusado da sua posição de monopólio”, afirmou a associação em um comunicado.

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Em dezembro, a associação de torcedores já havia exortado a Fifa a “iniciar uma consulta” para encontrar “uma solução que respeite a tradição, a universalidade e o alcance cultural da Copa do Mundo”, que será disputada de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, México e Canadá.

Preços acima dos valores de 2022

A FSE afirma que os preços para o final de 19 de julho, em Nova Jersey (Estados Unidos), estão muito acima dos valores da edição anterior, no Catar-2022.

Os ingressos mais baratos para o final custam 4.185 dólares (21.898 reais), segundo os demandantes, “sete vezes acima” do valor cobrado no Mundial de 2022.

Em comparação, explica a FSE, os ingressos mais baratos para a final da Eurocopa-2024 custavam 95 euros (cerca de 100 dólares, 523 reais).

As duas organizações atacam a Fifa no âmbito do direito europeu da concorrência.

“A Fifa possui um monopólio na venda de ingressos para o Mundial de 2026 e utiliza este poder para impor aos torcedores condições que nunca seriam aceitáveis ​​em um mercado de concorrência”, afirma.

“Os próprios documentos de candidatura da Fifa projetavam um preço médio de ingresso de 1.408 dólares (7.360 reais), mas este valor ficou muito para trás”, criticou a FSE.

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Segundo a Fifa, quase sete milhões de ingressos foram colocados à venda. Cada torcedor pode comprar no máximo quatro ingressos por partida e um total de 40 para todo o torneio.

A primeira Copa do Mundo ampliada para 48 seleções terá 104 partidas no total e os preços dispararam para os jogos de maior demanda.

Tarifa dinâmica

A FSE denunciou que a candidatura da América do Norte havia prometido inicialmente ingressos a partir de 21 dólares, mas, na prática, os mais baratos vendidos à venda custavam 60 dólares, por exemplo, para a primeira partida do Grupo J entre Áustria e Jordânia, no Levi’s Stadium, na Califórnia.

A maioria dos ingressos custa pelo menos 200 dólares para os jogos que envolvem as principais seletivas.

Alguns ingressos para a final oferecidos na plataforma oficial de revenda da Fifa estão sendo anunciados a preços astronômicos: uma cadeira de categoria três para a decisão foi anunciada por 143.750 dólares (752.000 reais), mais de 41 vezes seu valor nominal original de 3.450 dólares (18.000 reais).

O troféu oficial da Copa do Mundo é exibido durante sua apresentação na Turnê do Troféu da Copa do Mundo da FIFA 2026, no Estádio BBVA, em Guadalupe, Nuevo León, México | Foto: JULIO CESAR AGUILAR/AFP

Consequência da enorme demanda

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, insiste que os preços dos ingressos são simplesmente consequência da enorme demanda: “Nos Estados Unidos, em particular, existe o que é chamado de “preços dinâmicos”, que significa que os preços sobem ou descem em função do interesse dos torcedores”, justificou.

Para a FSE, o problema da “tarifa dinâmica” é que não há limite para o quanto os rendimentos podem subir. A crítica é a “falta de transparência sobre como os preços são definidos”.

A FSE e a Euroconsumers pedem à Comissão Europeia que ordene à Fifa a renúncia da “tarifa dinâmica”, o congelamento dos preços aos níveis anunciados em dezembro para a próxima fase de venda em abril e a publicação, “com pelo menos 48 horas de antecedência”, do número de ingressos restantes em cada categoria.

Assentos e locais não garantidos

Segundo a FSE e a Euroconsumers, as regras de venda são “opacas”, porque “o local dos assentos, os mapas dos estádios e até as habituais que jogarão não estão garantidos no momento da compra”.

O mercado de revenda não é regulamentado nos Estados Unidos e no Canadá. No México, a venda de um ingresso acima do seu valor nominal é proibida, mas apenas quando o ingresso é adquirido no México utilizando a moeda local.



Fonte: A Tarde

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