domingo, março 22, 2026
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Vanessa da Mata mescla pop e ópera e emociona público em show em São Paulo

REGIANE SOARES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Uma mistura de ritmos, luzes, cores e canções carregadas de amor e manifestos sociais ganhou força na voz de Vanessa da Mata no show realizado na noite deste sábado (21) em São Paulo. A apresentação faz parte da turnê “Todas Elas”, o álbum mais recente da cantora, e emocionou o público que lotou o Tokio Marine Hall.

Mato-grossense de Alta Graça, Vanessa começou o show mostrando suas origens. Uma moda de viola executada em forma de prelúdio pelo violeiro Fabio Porte levou a plateia para o meio do pantanal. Atrás o músico, uma cortina de cristais revelava aos poucos o contorno do que parecia ser uma santa com um manto dourado e arranjo na cabeça. Era Vanessa fitando o músico e a plateia de cima de uma escadaria em forma de altar.

Foi o início do primeiro dos três atos do espetáculo que reuniu em quase duas horas reggae, samba, sertanejo, pop e até ópera em um mesmo palco. “Sobre as Coisas Mais Difíceis”, do álbum “Todas Elas”, foi a primeira do setlist com mais de 20 canções, que incluiu sucessos de seus 20 anos de carreira e algumas regravações.

Ainda no primeiro ato, Vanessa apresentou ao público as demais composições de sua autoria em “Todas Elas”, como “Eu Te Apoio em Sua Fé”, “Ciranda” e “Demorou”, reggae gravado em estúdio com a participação de João Gomes. Já o sertanejo ficou por conta de “Você Vai Ver”, sucesso de Milionário e José Rico.

Mas foi em “História de uma Gata”, versão de Chico Buarque para o musical infantil “Os Saltimbancos” que Vanessa animou o público. Já sem o manto dourado e com um vestido azul com flores em relevo, a cantora sensualizou e arrancou sussurros da plateia.
A cortina de cristais deu lugar a um gigante coração para o segundo ato do show, quando Vanessa interpretou os seus principais sucessos, como “Só Você e Eu”. Em “Boa Sorte/Good Luck”, gravada com a participação do músico americano Ben Harper, foi ovacionada pelo público e teve que aguardar o fim dos aplausos para continuar cantando.

Em entrevista à Folha após o show, Vanessa admitiu que músicas são indivíduos que têm vida própria, o que faz com as pessoas se apropriem de seus versos como a se cantassem a história da vida delas.

“A pessoa não vai ouvir ‘Boa Sorte’ da mesma forma que eu. Muitas vezes ela vai entender de uma outra maneira, ela vai me dizer coisas que eu não fazia ideia. Ela vai se vestir daquilo na cultura dela, em como ela aprendeu sobre aquela verdade e toda a bagagem cultural dela”, afirmou.

O público também cantou e se apropriou de outras canções do show, como “Ainda Bem” e “Amado”, canções que ela cantou sentada em um balanço e acompanhada apenas do violão de Maurício Pacheco.

“Músicas são indivíduos. É um ser enorme, vivo, vivíssimo, pulsante, invisível, que te envolve, te leva, te abraça, te faz expulsar coisas que são absurdas, que você não quer, te põe pra fora daquilo e põe pra dentro ao mesmo tempo. Te acalenta, te acaricia, te faz companhia, te faz sorrir, te faz feliz”, disse Vanessa.

Para encerrar o segundo ato do show, ela surpreendeu com “O Mio Babbino Caro”, ópera do italiano Giacomo Puccini (1858-1924) eternizada na voz de Maria Callas (1923-1977).

“Desde os três anos que eu dizia que queria ser cantora. Cantar é muito mais que existir, não dá para explicar. E eu sempre quis cantar essa canção”, disse Vanessa antes de cantar a ópera. Foi novamente ovacionada pelo público, que aplaudiu de pé a interpretação da cantora.
No terceiro e último ato globos de luzes fizeram do palco uma discoteca e a cantora convidou a plateia para dançar ao som de “Ai Ai Ai”, “I Feel Love”, eternizada por Donna Summer. Em “Maria Sem Vergonha”, canção em que Vanessa critica a forma como a sociedade tenta moldar o comportamento das mulheres.
O feminismo, aliás, é tema presente nas suas composições e, em “Todas Elas”, Vanessa reforça a necessidade de se manifestar contra a violência de gênero.

“E essa coisa feminista, ela é muito séria pra mim, porque eu venho de uma família de muitos casos de machismo e feminicídio, inclusive. Então, ele é necessário, ele é imprescindível. Eu preciso falar disso o tempo todo”, disse.

No bis, homenageou Gal Costa, morta em 2022, ao interpretar “Nada Mais”, versão de Ronaldo Bastos para “Lately”, de Stevie Wonder.
O show “Todas Elas” tem direção de Jorge Farjalla, idealizador e também diretor do musical “Clara Nunes – A Tal Guerreira”, em que Vanesse interpretou a cantora.

Fonte: Noticias ao Minuto

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