O uso do jornal como ferramenta pedagógica faz parte da rotina de diversos educadores baianos há muitos anos. Um desses exemplos é o da professora Jocélia Lobo Moreira, atual coordenadora da Educação Especial da Secretaria Municipal de Ensino de Antônio Cardoso, município localizado a cerca de 33 km de Feira de Santana.
Ela relembra que, entre os anos de 2000 e 2004, utilizou o jornal como principal recurso pedagógico para alfabetizar estudantes, em um período em que a escola não dispunha de livros didáticos.
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“O jornal era o material, era esse instrumento que eu utilizava para o aluno ler e escrever. Eu trabalhava com uma turma multisseriada, que não era alfabetizada. Então, o jornal me serviu muito para alfabetizar esses alunos”, contou.
O depoimento foi dado durante a formação do projeto Páginas de Aprendizado, uma parceria entre a Secretaria Estadual da Educação (SEC) e o Grupo A TARDE, dentro do Programa A TARDE Educação. A atividade foi realizada nesta quarta-feira, 18, e teve como objetivo fortalecer o debate sobre alfabetização e apresentar novas possibilidades pedagógicas alinhadas às políticas públicas educacionais do estado.
Jocélia também destacou que o uso do jornal acontecia de forma planejada dentro da rotina escolar. Segundo ela, a leitura era estimulada de forma leve e conectada aos interesses dos alunos.
“Era uma aula por prazer. Os alunos abriam o jornal ou as revistas para fazer a leitura. Muitos [estudantes] gostavam da parte de futebol, horóscopo, aquela parte que falava dos capítulos das novelas. Eles tinham esse interesse de estar ali fazendo essa leitura. Durante a semana eu aproveitava o jornal também para trabalhar os conteúdos de português, matemática, ciências, todas as disciplinas, de acordo com o que estava no currículo. Então, o jornal, para mim, nesse período que eu estava na sala de aula, de 2000 até 2004, foi fundamental para alfabetizar esses estudantes”, relatou.
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A programação da formação incluiu debates sobre educomunicação, o uso pedagógico do jornal em sala de aula, estratégias de incentivo à leitura e à escrita, além de reflexões sobre o uso consciente das mídias digitais no ambiente escolar.
Para a coordenadora da Secretaria Municipal de Educação de Antônio Cardoso, Manuela Machado, o encontro foi um espaço importante de troca de experiências.
“Compartilhamos nossas experiências com o pessoal do Grupo A TARDE e eles também compartilharam as experiências, sugestões e estratégias para que a gente pudesse trabalhar não só a alfabetização com jornal, mas trabalhar também a interdisciplinaridade, a transversalidade, perpassando por todo esse processo”, destacou.
De acordo com a secretária municipal de Educação, Renata Souza, a formação foi direcionada a professores do Ensino Fundamental I e reforçou a alfabetização como uma das prioridades da gestão municipal.
“A formação trouxe outras ferramentas para além das que os professores já utilizam em sala de aula, trazendo o jornal para uma realidade de um município com muitas escolas do campo e quilombolas para promover a alfabetização no nosso município, que é o nosso carro-chefe deste ano. É uma honra estar recebendo esse projeto aqui. Os professores estão muito empolgados, alguns relatos já trazem algumas ideias do que fazer com o jornal na rotina da sala de aula”, afirmou.
As atividades foram ministradas pela coordenadora pedagógica do Programa A TARDE Educação, Márcia Firmino, e pela pedagoga, mestre e doutoranda em Educação, Letícia Menezes, também do Programa A TARDE Educação.
Educomunicação e educação na Bahia
O Programa A TARDE Educação, do Grupo A TARDE, é executado na rede estadual de ensino da Bahia desde 2022 como ferramenta de apoio pedagógico e estímulo à leitura, à escrita e ao protagonismo estudantil.
O objetivo central é contribuir para a alfabetização completa no tempo certo, utilizando o jornal como ferramenta pedagógica, com promoção de leitura contextualizada, escrita significativa e pensamento crítico, além de fortalecimento das aprendizagens essenciais, em consonância com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o Plano Estadual de Educação.
Fonte: A Tarde



